
Como a governança acontece na prática, no dia a dia das empresas? A condução dos negócios é impactada por eventos externos ou alterações legais? O que significa transparência para as organizações gaúchas?
Esses e outros temas foram discutidos durante o videocast Governança pra Quem Decide, conduzido pelo jornalista Rodrigo Lopes. Integrante do projeto Pra Cima, Rio Grande — inciativa do Grupo RBS em parceria com Corsan, Marcopolo e Be8 —, o videocast apresentou soluções para governança diante de um período de reconstrução vivido pelo Estado.
A Marcopolo acompanha as mudanças do mercado e da sociedade. Em mais de 77 anos de história, a empresa passou por transformações que impactaram sua atuação.
Com estratégias e objetivos claros, sua governança facilita o alinhamento entre áreas que dialogam com públicos como governos, clientes, parceiros e fornecedores. Esse alinhamento permite que as decisões sejam conduzidas de forma mais integrada.
Confira como as transformações e avanços pautam a governança de uma empresa como a Marcopolo
Transparência na gestão
Uma boa gestão depende de transparência. Para a Marcopolo, manter uma comunicação clara com colaboradores, parceiros e fornecedores é essencial para a estratégia. Segundo Sidnei Vargas, gerente-executivo Comercial da Volare, uma das marcas da Marcopolo S.A., uma governança eficiente exige comunicação objetiva e conectada ao cenário externo.
— É preciso que o discurso e a prática andem juntos. Porque senão você não consegue esse engajamento. Adiciona-se a isso uma nova geração que está chegando aos postos de trabalho e ocupando espaços de liderança — diz.
Pensamento coletivo
A governança, hoje, não pode ser pensada de forma isolada. Na Marcopolo, a transição energética tornou-se parte essencial desse processo e orienta decisões ligadas à inovação, à sustentabilidade e ao planejamento de longo prazo.
Segundo Renato Machado Florence, gerente de Engenharia de Planejamento e Desenvolvimento da empresa, a jornada rumo à descarbonização não é recente. Ela integra um histórico consistente de iniciativas sustentáveis e já compõe, há anos, a pauta estratégica da Marcopolo.
Entre os principais desafios está a viabilidade da eletrificação em um país de dimensões continentais como o Brasil. Para o executivo, a adoção de ônibus elétricos precisa considerar a realidade de cada região e a infraestrutura disponível.
— Existe o desafio concreto da disponibilidade de energia elétrica. Nos grandes centros, já enfrentamos disputas pela expansão da rede nas garagens de ônibus. O desafio é garantir energia na quantidade certa e no momento exato para assegurar a continuidade da operação — explica.
Liderança qualificada
Modelos de governança têm acompanhado as movimentações do mercado em busca de mais equidade dentro das organizações. Com isso, o protagonismo de lideranças femininas e qualificadas tem crescido. Na Marcopolo, isso não é diferente.
Para ampliar a presença de mulheres em cargos de liderança, as organizações precisam adotar mecanismos concretos de desenvolvimento e ascensão profissional.
Para Adriana Angar, coordenadora de Marketing da Marcopolo, esses processos devem ser transparentes, com metas claras e critérios definidos, para que o crescimento aconteça com base no mérito.
— Posicionem-se. Se necessário, cheguem por último à reunião, respirem e falem o que precisa ser dito. Se o mecanismo de performance e reconhecimento estiver claro, a velocidade da mudança aumenta — argumenta Adriana.
Retenção de talentos
Atualizada em maio deste ano, a Norma Regulamentadora NR1 passou a incluir a saúde mental dos colaboradores entre os aspectos que devem ser considerados pela gestão das organizações.
Nesse contexto, iniciativas voltadas à saúde mental e à segurança psicológica deixam de ser apenas boas práticas de ESG e se consolidam como um diferencial para atrair e reter talentos, além de contribuir para a sustentabilidade dos negócios.
O cuidado com a saúde mental deve ser contínuo nas organizações. Por isso, Caio Doi, diretor de Gestão de Pessoas da Marcopolo, destaca que gerentes médios e supervisores não devem ser vistos como responsáveis por conduzir esse processo sozinhos. Nesse contexto, as áreas de suporte e gestão de pessoas têm papel essencial na preparação dessas lideranças.
— Esse novo mercado de trabalho exigirá muita tranquilidade e maturidade desse nível de gestão, algo que deve ser desenvolvido ao longo do tempo com o apoio das áreas de suporte — diz.
Educação corporativa
Assim como o trato com a saúde mental virou um ativo para reter talentos, o investimento em educação corporativa também ganhou relevância.
Para as organizações, é uma oportunidade de aprendizado e desenvolvimento em um ambiente colaborativo. Para as empresas, contribui para a formação de equipes qualificadas e atualizadas.
Nesse cenário, o lifelong learning, ou aprendizado ao longo da vida, deixou de ser uma escolha individual e passou a ser uma exigência do mercado. Para a organização, quem quer evoluir na carreira precisa acompanhar mudanças cada vez mais rápidas. A atualização constante é necessária para acompanhar os movimentos tanto do mercado quanto da organização.


