
O setor de transportes no Brasil vem passando por transformações com foco na sustentabilidade e na melhoria da experiência do usuário. Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), a expectativa é que, até 2055, 85% da matriz energética dos transportes seja renovável.
Esse movimento, que vem acontecendo de forma gradual no país, demonstra o compromisso tanto do setor público quanto do privado em oferecer alternativas para o transporte urbano.
Nesse cenário, a Marcopolo se posiciona à frente ao entender que as mudanças na mobilidade urbana vão além da evolução dos modais ou da incorporação de novas tecnologias.
O que está em curso, como explica o diretor de Engenharia da Marcopolo, Luciano Resner, é uma redefinição do papel do transporte coletivo dentro das cidades, especialmente sob a ótica da eficiência sistêmica, da sustentabilidade e do impacto econômico.
— Esse redesenho é impulsionado por três vetores principais. O primeiro é a transição das matrizes energéticas, com o avanço da eletrificação e o desenvolvimento de alternativas de baixo carbono. O segundo é a digitalização, que transforma a forma como as operações são planejadas, monitoradas e otimizadas. E o terceiro é a evolução para um modelo de mobilidade mais integrado, no qual o transporte coletivo passa a atuar como eixo estruturante — diz.
Diversificação entre os modais
A escolha da matriz energética no transporte coletivo não tem solução única, ou seja, depende de variáveis técnicas, econômicas e estruturais específicas de cada operação.
Infraestrutura disponível, custo total ao longo do ciclo de vida, perfil das rotas e maturidade tecnológica são fatores determinantes, assim como o modelo da cidade e o grau de integração e priorização do transporte público.
Por esse motivo, empresas como a Marcopolo veem a adaptação como um pilar estratégico. A multinacional de Caxias do Sul conta com um portfólio capaz de atender aos mais diferentes cenários do transporte, tanto no Brasil quanto em outros países.
Desde modelos elétricos até veículos movidos a biocombustíveis e GNV/biometano, a Marcopolo investe em soluções de engenharia que podem coexistir de forma complementar.
O diretor de Engenharia da empresa explica que esse conceito se materializa no desenvolvimento de plataformas modulares, que permitem integrar diferentes sistemas de propulsão sobre uma base estrutural comum.
Isso inclui soluções elétricas, motores a combustão com diferentes combustíveis, gás e configurações híbridas. Essa arquitetura reduz a complexidade de desenvolvimento, preserva a eficiência produtiva e permite maior agilidade na resposta às mudanças de mercado.
— Ao mesmo tempo, essa abordagem contribui para otimizar o ciclo de vida do produto, facilitando a manutenção, a atualização tecnológica e a adaptação a novos requisitos regulatórios ou operacionais. Mais do que acompanhar tendências específicas, trata-se de preparar a companhia para operar de forma competitiva em um ambiente de múltiplas rotas tecnológicas — complementa.
Cenário no Rio Grande do Sul
No Estado, que tem o agronegócio como um dos principais motores econômicos — representando cerca de 40% do PIB gaúcho — o transporte tem um papel central. Em regiões com forte base agroindustrial, os biocombustíveis assumem relevância estratégica na transição energética do transporte coletivo.
O uso de biodiesel e etanol de trigo permite reduzir emissões sem exigir mudanças estruturais profundas na infraestrutura existente, além de gerar valor para cadeias produtivas locais.
Para Resner, soluções escaláveis e economicamente viáveis no curto e médio prazo são essenciais, especialmente fora dos grandes centros, onde a eletrificação ainda esbarra em limitações de infraestrutura e custo de implantação.
— Dentro de uma lógica mais ampla, essas alternativas devem ser vistas como complementares à eletrificação, compondo um sistema energético diversificado, capaz de aumentar a eficiência e reduzir o impacto ambiental de forma progressiva — avalia o executivo.
Desafios e oportunidades
O futuro da mobilidade urbana exige equilíbrio entre três dimensões interdependentes: sustentabilidade ambiental, viabilidade econômica e eficiência operacional.
Para Luciano Resner, os principais obstáculos estão no alto investimento inicial em novas tecnologias, na falta de infraestrutura adequada e na imaturidade dos modelos de financiamento e regulação.
— A Marcopolo se posiciona de forma pragmática diante desse cenário, adotando uma estratégia baseada em diversificação tecnológica, proximidade com o cliente e foco em eficiência. A proposta é viabilizar uma transição consistente, que possa ser implementada de forma gradual e adaptada à realidade de cada operação, reduzindo riscos e garantindo sustentabilidade no longo prazo — finaliza.





