
Transtornos mentais figuram entre as principais causas de afastamento do trabalho no Brasil, segundo dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Esse cenário acende um alerta para o setor corporativo: incorporar políticas efetivas de bem-estar à estratégia de negócios deixou de ser uma opção e passou a ser condição para a sustentabilidade das organizações.
No campo jurídico, a atualização da Norma Regulamentadora 1 (NR-1) tornou obrigatório que empresas identifiquem, avaliem e controlem riscos psicossociais como estresse, sobrecarga e assédio, integrando esses fatores de forma estruturada às políticas de saúde e segurança do trabalho.
É nesse contexto que o videocast "Governança Pra Quem Decide" traz, em seu novo episódio, um debate sobre os impactos da NR-1 nas organizações.
Com mediação do jornalista Rodrigo Lopes, a atração, integrante do projeto Pra Cima, Rio Grande, é produzida por RBS Conteúdo para Marcas e cocriada com Corsan/AEGEA, Marcopolo e Be8.
Para Eliane Medeiros, diretora de Pessoas e Sustentabilidade da Be8, a atualização da NR-1 é mais do que uma obrigação legal: é a chance de consolidar o que a pandemia já ensinou na prática.
A Covid-19 forçou as empresas a enfrentarem, de forma improvisada, os efeitos do isolamento e da ansiedade coletiva sobre o trabalho. A norma vem, agora, estruturar o que foi uma resposta emergencial, transformando saúde mental em política permanente de gestão.
— A ideia é criar uma sistemática que, com o tempo, a gente nem vai perceber que está seguindo uma regulamentação e fará parte cada vez mais da cultura organizacional — complementa.
A liderança intermediária aparece como um dos pontos mais sensíveis da agenda psicossocial. Pressionados entre as demandas corporativas por resultado e a necessidade de garantir um ambiente cada vez mais saudável de trabalho, esses gestores ocupam uma posição estratégica.
O desafio está, como destaca Eliane, no equilíbrio: cobranças fazem parte do ambiente corporativo, mas quando ultrapassam o limite do que é humanamente executável, se tornam um risco psicossocial. E é justamente esse limiar que a NR-1 obriga as organizações a mapearem e controlarem esses riscos.
— O primeiro ano, principalmente, será de aprendizado para todo mundo. É um processo de transição sobre como as empresas vão trabalhar, como os funcionários vão enxergar esse esforço das organizações e como o governo também vai lidar com essas fiscalizações — pontua.
Mudança cultural
Falar de saúde mental nas organizações também é falar sobre a cultura do trabalho do Brasil. Eliane, que já teve a experiência de morar na Europa, relata que a relação com a saúde mental é diferente em alguns países Europeus, justamente pela forma como o colaborador, o governo e a empresa enxergam o espaço de trabalho e entendem a importância de cuidado.
— A gente vê que tem alguns lugares em que isso funciona e funciona bem. E o interessante era que, quando um profissional voltava de uma pausa pequena para cuidar da saúde, o nível de produtividade aumentava muito. Em alguns momentos, quando for necessário, é bom fazer aquela pausa pequena para recuperar o gás e voltar — opina.
Para a saúde mental deixar de ser um tabu, a gestora da Be8 acredita que a liderança precisa construir e manter uma cultura de escuta mais ativa com seus colaboradores.
— Se eu estou vendo alguém do meu time que está num ritmo insano, e, por mais que a pessoa realize as entregas, e goste muito do que está fazendo, é papel da gestão conversar com o colaborador e entender se o ritmo não está extrapolando. É importante manter um canal de comunicação. Quais são os rituais que são estabelecidos no meu time? Se eu tiver rituais semanais ou mensais, consigo captar possíveis dificuldades, seja no presencial ou no online — diz.
Pra Cima, Rio Grande
O movimento "Pra Cima, Rio Grande", liderado pelo Grupo RBS, atua como uma plataforma permanente de diálogo para discutir sobre o futuro do Estado em um momento de reconstrução.
O projeto concentra seus esforços em cinco trilhas estratégicas: Cidades e Soluções, Educação, Consumo, Empreendedorismo e Governança, com foco na busca por soluções de longo prazo para os gaúchos.
A iniciativa conta com o apoio das empresas Marcopolo, Corsan/AEGEA e Be8.



