
Ter água tratada em casa ou contar com coleta seletiva e tratamento de esgoto ainda não é uma realidade universal.
Sancionada em 2020, o Novo Marco de Saneamento Básico estipula até 2033 a universalização do saneamento básico no país. Isso significa que o setor precisa entregar, até o período estipulado, um atendimento de 99% da população com água tratada e de 90% com coleta e tratamento de esgoto.
O Rio Grande do Sul está longe de atingir essa meta. Conforme o relatório do Instituto Trata Brasil, o RS desperdiça 40% da sua água tratada antes de chegar aos consumidores. Para transformar esse cenário, a Corsan está realizando investimentos cada vez mais robustos para universalizar o saneamento básico no Estado.
Os avanços da companhia incluem a expansão de redes existentes, construção de novas estações de tratamento, adutora, reservatórios, modernização de sistemas de bombeamento e reforço de resiliência hídrica em todo o Rio Grande do Sul.
O que já foi feito
O Grupo Aegea assumiu o controle da Corsan em julho de 2023. Naquele momento, o Estado tinha um déficit elevado de saneamento: dos 317 municípios atendidos pela Corsan, 257 não apresentavam nenhuma cobertura de esgoto. A coleta e o tratamento de esgoto atendiam a uma parcela estimada em 19% da população gaúcha, e muitos municípios ainda dependiam de infraestrutura defasada.
Em pouco mais de dois anos sob novo modelo de gestão, a cobertura de esgoto nos municípios atendidos pela Companhia saltou de 19% para 29%, o que acabou beneficiando mais de 850 mil pessoas e adicionando mais de mil quilômetros de novas redes de esgoto no Estado.
Conforme Samanta Takimi, presidente da Corsan, esse conjunto de ações permite reduzir de forma estrutural o lançamento de esgoto sem tratamento na natureza, com efeitos diretos sobre a saúde pública e o padrão ambiental das cidades.
— Em 2024, o RS registrou mais de 11 mil internações por doenças de veiculação hídrica, um indicador que evidencia a relação direta entre saneamento e saúde. A ampliação da coleta e do tratamento de esgoto atua justamente na origem desses problemas, contribuindo para a redução de doenças e da pressão sobre o sistema de saúde — exemplifica Samanta.
Em 2025, dos quase R$ 2 bilhões investidos, metade foi aplicada em obras de expansão de saneamento que já foram entregues em diversas regiões do Estado.
O investimento gerou a implantação de 545,6 quilômetros de redes e 41.962 novas ligações de esgotamento sanitário, beneficiando diretamente mais de 1 milhão de pessoas. Além de evitar que o esgoto sem tratamento seja lançado na natureza, a combinação desses projetos também gerou mais de 2.500 empregos.
Para José João Fonseca, diretor executivo da companhia, as obras realizadas representam uma das maiores oportunidades de desenvolvimento urbano desta década: a de transformar indicadores de saúde, educação, cidadania, meio ambiente e desenvolvimento econômico de centenas de municípios gaúchos. Entre os que já contabilizam resultados concretos, José João elenca:
— Esteio, Pedras Altas e Aceguá são os municípios que já alcançaram a meta nacional de mais de 90% de coleta e tratamento de esgoto, antecipando um objetivo que estava previsto para 2033. As intervenções concluídas em 2025 impactaram 50 municípios gaúchos de diversas regiões do Estado. O avanço reforça a capilaridade dos investimentos da Companhia e evidencia o ritmo de transformação da infraestrutura de saneamento em diferentes regiões do Estado — diz Fonseca.
Perspectivas para 2026
Neste ano, os investimentos continuam. O planejamento da Companhia prevê a implantação de mais 1.700 quilômetros de redes, mais de 155 mil novas ligações de esgotamento sanitário e geração de mais de 7 mil postos de trabalho, aumentando o alcance do saneamento e seus benefícios socioambientais para mais 955 mil gaúchos à medida que retira do meio ambiente mais de 1,5 bilhão de litros de esgoto não tratado por mês.
O planejamento de obras para este ano, como elucida o diretor de engenharia, Breno Coutinho, mostra a dimensão da transformação rumo a transformação do saneamento básico.
Atualmente, a Corsan executa, a cada 15 dias, o equivalente a toda a extensão de redes de esgoto implantada ao longo de 2022, um avanço que evidencia a mudança de escala e de capacidade operacional da Companhia.
— Entre os principais projetos previstos estão expansões de sistemas de esgotamento em cidades como Passo Fundo, Santa Maria, Guaíba, Canoas, Gramado e Santa Cruz do Sul, além de novos investimentos em abastecimento de água em municípios como Arroio do Sal, Capela de Santana, Osório, Palmares do Sul, Santo Antônio da Patrulha e Terra de Areia — detalha Coutinho.
O pacote de melhorias inclui entregas em municípios como Viamão (R$ 64,9 milhões), Rio Grande (R$ 63,5 milhões) e Bento Gonçalves (R$ 51,2 milhões), com a conclusão de redes coletoras e estações de tratamento que ampliam a cobertura e reduzem o lançamento de esgoto bruto na natureza, importante passivo ambiental a superar.
De acordo com ele, o ciclo de investimentos também incorpora iniciativas voltadas à resiliência hídrica, reforçando a capacidade do sistema para enfrentar eventos climáticos extremos severos e cada vez mais frequentes.
— Soluções inovadoras, aliadas a medidas avançadas de desburocratização e modernização gerencial, marcam a transição do modelo de gestão da Corsan. O novo formato reduz a morosidade na expansão e manutenção dos serviços, eleva a qualidade como critério central de entrega à população e estabelece maior rigor no cumprimento das metas contratuais — afirma a presidente Samanta.
Segundo ela, a otimização dos processos operacionais é a chave para garantir velocidade e volume nas obras. O plano prevê que, até o ano de 2033, sejam implantados 18 mil quilômetros de redes de esgoto, marca equivalente ao trajeto total entre Porto Alegre e Tóquio.
— Trata-se de um salto de desenvolvimento que reposiciona o saneamento no Estado e acelera o caminho rumo à universalização — finaliza.





