
Considerado um direito humano fundamental pela Organização das Nações Unidas (ONU), o acesso pleno à água potável ainda é um desafio enfrentado por diversas nações. No Brasil, o Novo Marco Legal do Saneamento Básico estipulou que, até 2033, 99% da população deve ter acesso à água potável e 90% devem contar com coleta e tratamento de esgoto.
Sendo assim, os debates sobre quais caminhos podem ser tomados para garantir a segurança hídrica estão cada vez mais presentes. No RS, a atuação da Corsan em 317 municípios é orientada para assegurar o abastecimento contínuo, priorizando o uso responsável da água e a proteção dos mananciais que sustentam o sistema.
De acordo com a companhia, a disponibilidade desse recurso é um multiplicador de impactos socioeconômicos, influenciando diretamente a instalação de indústrias, o agronegócio e a qualidade de vida da população. Nessa perspectiva, governos e operadores de saneamento vêm tratando a segurança hídrica como componente estruturante das políticas públicas, ao lado de temas como saúde, energia e mobilidade.
— De forma contundente e drástica para o RS, a segurança hídrica deixou de ser apenas uma questão operacional e passou a ser uma agenda de proteção social. A água é um serviço essencial e precisa chegar às pessoas mesmo nos momentos mais críticos — afirma a diretora-presidente da Corsan, Samanta Takimi.
Lidando com os desafios
O Rio Grande do Sul vive um desafio constante na gestão de seus recursos hídricos. Para além da memória da enchente de 2024, o Estado enfrenta uma instabilidade que exige infraestruturas resilientes. O cenário impõe a necessidade de sistemas versáteis, capazes de operar com eficiência tanto na escassez quanto na abundância, garantindo o abastecimento.
No Estado, onde estiagens e episódios de excesso de chuva se alternam com maior intensidade, foi necessária uma adaptação do papel do saneamento. A nova abordagem envolve ampliar a eficiência dos sistemas de abastecimento, reduzir perdas, diversificar as fontes de captação e incorporar soluções tecnológicas que tornem a infraestrutura mais preparada para cenários voláteis.
O saneamento deixou de ser apenas operacional para se tornar estratégico no combate à crise climática. A nova abordagem para o setor envolve maior eficiência, combate ao desperdício, diversificação das fontes de captação e uso de tecnologia. De acordo com a Corsan, o objetivo é garantir que o abastecimento resista à instabilidade do clima por meio de sistemas mais robustos e uma gestão rigorosa da água disponível.
— A segurança hídrica exige avançar simultaneamente em eficiência e resiliência. Reduzir perdas e melhorar a gestão da água disponível é fundamental, mas também precisamos tornar os sistemas de abastecimento mais robustos diante das mudanças climáticas. Isso envolve diversificar as fontes de captação, proteger os mananciais e estruturar soluções que reduzam vulnerabilidades e garantam continuidade no abastecimento mesmo em cenários adversos — afirma a diretora de Sustentabilidade da Corsan, Liliani Cafruni.
Combatendo o desperdício
O combate ao desperdício na rede é uma prioridade estratégica para a Corsan. Por meio da modernização de tubulações, da setorização hidráulica e do monitoramento digital, é possível identificar vazamentos com precisão, atacando um problema histórico: segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), no Brasil, cerca de 40% da água tratada se perde antes de chegar às torneiras.
Em contrapartida, o uso de fontes alternativas ganha força. Ao destinar água de reuso para a limpeza urbana e processos industriais, a pressão sobre os mananciais diminui, garantindo que a água potável seja prioridade absoluta para o consumo humano. Ciente de que a água é um recurso finito, a Companhia também investe em educação e conscientização, convocando o poder público e a sociedade para uma gestão que é, acima de tudo, uma responsabilidade coletiva.
De acordo com o presidente do Instituto Aegea, Edison Carlos, para as próximas décadas, a tendência é de aumento do consumo geral de água, seja pelo desenvolvimento econômico ou pelas mudanças climáticas, que geram períodos mais longos de calor intenso.
— Esse cenário será um dos fatores determinantes para a sustentabilidade das atividades humanas; portanto, as cidades precisam se adaptar ao novo momento. A gestão eficiente dos recursos hídricos não pode ser apenas uma pauta ambiental, pois, cada vez mais será condição essencial à saúde e ao bem-estar da população, bem como à nossa capacidade de adaptação a um mundo marcado por mudanças — finaliza o presidente.



