
A busca por soluções sustentáveis para a mobilidade urbana move governos e organizações. Além do investimento realizado em ônibus elétricos e híbridos, modais ferroviários como trens e VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) vêm ganhando cada vez mais espaço nesse debate. No Brasil, por meio de iniciativas governamentais como o Novo PAC de 2023, projetos ferroviários devem receber um investimento de R$ 94,2 bilhões em 2026, com o objetivo de fomentar a ampliação do modal no país. Priorizando a logística de mercadorias, o novo aporte também reserva recursos para desafogar o trânsito em perímetros urbanos e rodovias entre cidades.
Referência em mobilidade sustentável, a Marcopolo vem realizando investimentos no segmento metroviário. Por meio da Marcopolo Rail, a empresa produz integralmente veículos que atendem a diferentes demandas de transporte ferroviário de passageiros no Brasil e em outros países da América Latina. Diante do cenário gaúcho de redução da malha ferroviária, a Marcopolo Rail assume protagonismo na revitalização do setor no RS. O gerente executivo da Marcopolo Rail, Petras Amaral, explica que a aposta da companhia reside na força da indústria brasileira.
— Temos buscado soluções aderentes à retomada do setor ferroviário no Brasil, o que inclui o ressurgimento dos trens regionais e turísticos, além de VLTs no contexto da mobilidade urbana eficiente. O fato de termos uma engenharia 100% brasileira possibilita a customização e o desenvolvimento de produtos voltados à realidade do país, além do desenvolvimento de soluções específicas para cada operação — diz Amaral.
Soluções interurbanas e urbanas
A Marcopolo Rail iniciou seus trabalhos em 2019, mas já conta com seus produtos operando no Brasil e Chile. O projeto Trem do Pampa, em Santana do Livramento, materializa a estratégia da marca de protagonizar a retomada ferroviária no RS. Desenvolvida em conjunto com a Giordani Turismo, a solução reforça a aposta da fabricante na diversificação do transporte regional. Para Amaral, a operação é um claro exemplo de que é possível implementar trens turísticos e regionais por meio da iniciativa privada.
— Ao olharmos para a diversificação da matriz de mobilidade, poderíamos nos inspirar no projeto para linhas regionais maiores, em termos de distância, número de passageiros, hora, sentidos, tamanho de frota, entre outros, utilizando a mesma versão de trem — diz.
Com foco em expansão no país, a Marcopolo Rail chegou ao Nordeste em 2025 com o fornecimento de seis composições do modelo Prosper City. Em Teresina (PI), o projeto visa modernizar o sistema urbano local, enquanto em Arapiraca (AL), os trens operarão via Ferrovia Transnordestina Logística (FTL). Mais do que diversificação de portfólio, Amaral avalia que o avanço sobre o modal ferroviário promove uma integração tecnológica que envolve diversas áreas da companhia e impulsiona o desenvolvimento industrial do país.
— O transporte sobre trilhos é consagrado em nível global pela pontualidade, segurança e eficiência. Além de garantir o fluxo de transporte de massa dentro das cidades, é fator fundamental para a melhoria da qualidade de vida no trânsito. Quando as cidades implementam sistemas de transporte coletivo de alta qualidade, todos ganham — complementa.
Mercado internacional
A maturidade tecnológica da Marcopolo Rail cruzou fronteiras e chegou ao mercado chileno. Com o fornecimento de três composições Prosper Intercity para o trecho Talca-Constitución, a fabricante estreitou laços com a EFE, principal operadora do Chile. Esse investimento, como pontua Amaral, trouxe muitos aprendizados e experiência.
— Além do atendimento a normas internacionais e sistemas específicos para a operação, nosso produto vem sendo elogiado pelo nível de qualidade, segurança, acessibilidade e conforto apresentados, o que com certeza nos qualifica para outros negócios internacionais — pontua.
Prospectando o futuro
Mesmo que o modal seja uma solução de transporte eficiente, o setor metroviário ainda enfrenta alguns desafios no país. Para Amaral, como próximos passos, é necessário conscientizar tanto governos quanto operadores sobre a importância dos fabricantes nacionais de trens, o que tem impacto direto no investimento e no custo operacional.
– Temos soluções de alto conteúdo nacional, o que, além de gerar empregos, cria uma cadeia de fornecimento essencial para garantir os 30 anos de ciclo de vida do trem. Além disso, os novos projetos de ramais ferroviários precisam ir ao encontro de nossas indústrias, permitindo o crescimento sustentável e a previsibilidade de demanda, fatores essenciais para a manutenção de parques fabris fortes e bem-preparados para atender aos volumes futuros – finaliza o gerente executivo Marcopolo Rail.



