
O impulsionamento do agronegócio passa por investimentos em tecnologias que impactam os resultados no campo. Para tornar o Estado mais competitivo, a Be8 vem realizando movimentos para transformar e agregar valor à cadeia produtiva do RS, o que vai resultar em mais alimento, mais energia e proteína animal. A empresa de energia renovável está estruturando um ecossistema integrado que conecta o desenvolvimento industrial diretamente aos produtores rurais.
O objetivo é fortalecer o cultivo de culturas de inverno para viabilizar a produção de glúten vital e etanol. A iniciativa busca estimular o fornecimento de matérias-primas de alta performance, ampliando as alternativas de comercialização. Para o presidente da companhia, Erasmo Carlos Battistella, a nova unidade em Passo Fundo será um vetor de desenvolvimento regional e uma solução de energia verde estratégica para a transição energética do país.
— Eu tenho dito que não é uma fábrica, e sim um parque fabril que vai abrigar quatro fábricas e produzir alimento humano (glúten vital), energia renovável (etanol), captura de CO² e alimento animal (farelo), com muita inovação, o que coloca Passo Fundo e o Rio Grande do Sul em destaque nessa área, como um verdadeiro exemplo de economia circular — diz.
Prevista para operar até o fim do ano, a unidade integrará campo e indústria para agregar valor e gerar novos produtos no agronegócio. Leandro Zat, vice-presidente da Be8, projeta grandes oportunidades com a expansão desse ecossistema.
— Carregamos a responsabilidade de desenvolver um trabalho capaz de agregar valor, gerar renda e ampliar as opções para os produtores, que vão desde a comercialização de trigo, milho e triticale até a oferta de novos produtos, como os grãos secos de destilaria com solúveis (DDGS) e o farelo úmido. Essas soluções fortalecerão todo o ecossistema em que estamos inseridos — afirma.
Retoma do etanol
O Estado avança na expansão da produção de etanol, impulsionada por investimentos estratégicos de empresas como a Be8. De acordo com Battistella, o aporte marca o retorno do Estado ao setor após um hiato de 50 anos. O executivo destaca que o projeto reinsere a região na rota nacional de biocombustíveis, com o objetivo de consolidar parcerias de longo prazo e fortalecer a economia estadual e regional.
— A natureza inovadora deste projeto representa um novo capítulo para o agro gaúcho, agregando valor para toda a cadeia produtiva, com a otimização do uso de nossas áreas produtivas nas culturas de inverno, com desenvolvimento genético de trigo para atender às demandas dos mercados de alimentos e de energia limpa. Atualmente, o Estado importa 99% de sua demanda de etanol, e a nova fábrica vai suprir cerca de 25% dessa necessidade — reitera o presidente da Be8.
Remodelando o setor
Além da produção de etanol, o novo projeto da Be8 aposta na diversificação de subprodutos de alto valor agregado. A unidade terá capacidade para produzir 153 mil toneladas anuais de farelo (DDGS e farelo úmido), insumos estratégicos para o setor de nutrição animal obtidos após o processo de fermentação.
O grande diferencial competitivo está na produção de glúten vital. Hoje, o Brasil depende inteiramente de importações internacionais para suprir sua demanda por este produto. Battistella destaca que a projeção da companhia é atingir 27 mil toneladas por ano, volume que permitirá à Be8 não apenas consolidar a autossuficiência do mercado brasileiro, mas também posicionar o excedente estrategicamente para exportação aos países do Mercosul.
— Assim como em toda a história da Be8 em Passo Fundo, o crescimento da empresa se reflete diretamente em ganhos para a comunidade local e também em benefícios para o desenvolvimento da economia regional e geração de empregos — destaca.
A nova unidade da Be8 operará com autossuficiência energética, utilizando biomassa para cogeração e disponibilizando o excedente de energia para a rede elétrica de Passo Fundo. No campo ambiental, a planta adota o modelo de descarte zero, reaproveitando integralmente os efluentes líquidos na produção de vapor.



