
A transição energética já é uma urgência econômica no Brasil e no mundo. Hoje, o país é um dos líderes desse movimento, com, segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), quase 50% de sua matriz energética composta por fontes renováveis. Ainda há um caminho a percorrer para que esses números avancem, e essa estratégia passa pela governança.
No segundo episódio do videocast “Governança pra Quem Decide” — iniciativa que integra a nova fase do projeto Pra Cima, Rio Grande — o jornalista Rodrigo Lopes conversou com lideranças sobre como essa agenda pode ser estrategicamente fomentada no Rio Grande do Sul. Produzido pelo núcleo RBS Conteúdo para Marcas, o videocast é cocriado com AEGEA/Corsan, Marcopolo e Be8.
A gestão de recursos energéticos com foco na sustentabilidade, tanto econômica quanto ambiental, tornou-se um pilar estratégico para empresas. Como uma das maiores consumidoras de eletricidade do Estado, a Corsan vem intensificando sua transição para fontes renováveis como parte de seu compromisso com a sustentabilidade. A adoção de uma matriz energética mais limpa reflete a responsabilidade socioambiental da companhia e fortalece sua contribuição para a redução das emissões de carbono.
De acordo com Liliani Cafruni, diretora de Sustentabilidade da Corsan, essa estratégia representa um avanço significativo na consolidação de práticas alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (conjunto de 17 metas globais estabelecidas pela ONU em 2015 como parte da Agenda 2030), e na promoção de um futuro mais equilibrado para a sociedade e o meio ambiente.
— A energia é a segunda maior despesa da empresa. Atendemos 317 municípios e consumimos cerca de 37 mil megawatts/hora por mês, o que nos coloca, provavelmente, como o maior consumidor de energia do Estado. Não há como ter tratamento de água e esgoto sem energia. Por isso, também trabalhamos na pauta da resiliência. Hoje, já temos 100% de energia renovável na Corsan, com mais de 10 projetos de distribuição própria no Estado. A transição energética deixou de ser algo paralelo para se tornar um dos pilares de operacionais da empresa — detalha.
Reconstruindo o RS
A tragédia climática que atingiu o Rio Grande do Sul em 2024 afetou completamente o Estado. Desde então, tanto as pessoas físicas quanto organizações estão em processo de reconstrução, com foco especial na resiliência hídrica. Por ser responsável por um serviço essencial à população, após a enchente, a Corsan vem se preparando e investindo cada vez mais em melhorias que ampliem a capacidade de resposta reforcem a robustez operacional da Companhia na proteção de ativos essenciais à prestação do serviço.
Liliani relembra que, durante o pico das cheias no Estado, a companhia teve 67 estruturas de abastecimento alagadas ou destruídas, praticamente sem acesso para recuperação. A diretora de Sustentabilidade da Corsan ressalta que essa catástrofe forçou o olhar da empresa para a "cota de inundação", que passou a integrar uma nova realidade do Rio Grande do Sul.
— A Corsan estruturou um plano de resiliência climática envolvendo 59 municípios, com investimento de R$ 1,3 bilhão para adaptar sistemas de abastecimento e tratamento. Além das enchentes, sofremos com estiagens e ventos extremos que interrompem o fornecimento de energia e, consequentemente, o de água — afirma.
Quando se trata de melhorias no saneamento básico, o Rio Grande do Sul tem um longo caminho pela frente. Isso porque, para cumprir as metas do Marco Legal do Saneamento (lei que estabelece diretrizes para universalizar os serviços de água e esgoto no país), é fundamental aliar investimentos a uma governança estratégica e eficiente. Liliani explica que a lei exige 90% de cobertura de esgoto até 2033, mas que hoje a área de cobertura da Corsan tem apenas 28%.
— Esse desafio exige frentes de obras em centenas de municípios e uma gestão energética eficiente. Trabalhamos com diversificação de fontes, como solar e biomassa, e com foco em ferramentas de gestão para ampliar nossa eficiência operacional — reitera.
Pra Cima, Rio Grande
Lançado pelo Grupo RBS em resposta às enchentes de 2024, o projeto Pra Cima, Rio Grande consolidou-se como uma plataforma permanente de diálogo sobre o futuro gaúcho. Após a fase inicial focada na reconstrução, o movimento agora prioriza temas estruturais divididos em cinco trilhas: Cidades e Soluções, Educação, Consumo, Empreendedorismo e Governança.
Nesta etapa, o projeto ganha o reforço das empresas Marcopolo, Corsan/AEGEA e Be8. Em parceria com a RBS, as marcas atuarão na cocriação de conteúdos multiplataforma voltados ao desenvolvimento econômico e social do Estado.





