
Conectar-se ao público-alvo, lapidar o diferencial competitivo e atrair investidores estão entre os principais desafios na jornada de qualquer startup. Em um cenário que segue em expansão — com mais de 20 mil empresas ativas no país, segundo dados do Observatório Sebrae Startups em 2025 —, destacar-se tornou-se parte estratégica do crescimento. É nesse contexto que a Gramado Summit surge como um dos principais ambientes de conexão do ecossistema: entre os dias 6 e 8 de maio, o evento reunirá mais de 200 startups expositoras de diferentes segmentos.
CEO e fundador da iniciativa, Marcus Rossi relembra que o encontro nasceu com o propósito de acolher startups, independentemente do estágio em que estivessem, criando uma plataforma para que encontrassem seus primeiros investidores ou clientes. O foco inicial era o micro e pequeno empreendedor da era digital. Com o tempo, explica Rossi, a proposta evoluiu e hoje a organização se posiciona como um evento de inovação, mais amplo do que apenas voltado a startups.
— Isso é incrível e reforça que, embora hoje tenhamos empresas muito grandes fazendo geração de negócios no evento, nunca esquecemos como começamos. Continuamos, ano após ano, criando ferramentas para que essa plataforma conecte bons empreendedores a oportunidades — afirma.
Investindo para expandir
Sob o olhar atento de investidores em busca de novas oportunidades, a Gramado Summit reafirma seu papel como celeiro de negócios. Um dos grandes destaques é a Batalha de Startups, organizada pela Ventuir Investimentos. A competição é voltada a empresas em estágios inicial e operacional que buscam não apenas visibilidade, mas também aportes financeiros estratégicos.
Carlos Klein, diretor de Investimentos da Ventuir e parceiro de longa data do evento, destaca que o formato é ideal para o mercado.
— Acaba sendo uma grande oportunidade para negócios inovadores que buscam capital e conexão, até porque convidamos investidores de outras casas para participarem da banca de análise. É uma chance de ganhar visibilidade tanto do ponto de vista de investimento quanto de negócios. Eles se apresentam em um palco para a banca, mas o público também acompanha. Temos relatos de participantes que geraram conexões e atraíram clientes só por estarem ali. Como dizemos: não é só o cheque, é a visibilidade.
Com quase uma década de evento, Klein avalia que o nível de maturidade dos profissionais aumentou. Desde 2017, ele também percebeu maior presença de mulheres, de profissionais mais experientes e de startups mais preparadas, com maior domínio sobre seus modelos de negócios.
— Não é apenas o entusiasmo do jovem de 18 anos. Hoje vemos também o perfil de quem já está na casa dos 30, liderou equipes e decidiu empreender, dando ao negócio uma característica mais completa e com mais potencial — ressalta.
Voando mais alto
Em quase 10 anos de história, a Gramado Summit acumulou cases de empreendedores que tiveram suas trajetórias transformadas. Bruno da Costa é um deles. Idealizador do projeto MeuStory.TV – que funciona como uma “vitrine viva” ao transmitir, em tempo real, o que é publicado nos stories do Instagram –, ele conta que sua cidade, Parobé, não é um polo forte em inovação, mas que busca sempre entregar o melhor em competições e eventos de maior visibilidade, como a Gramado Summit.
Segundo Costa, a trajetória da startup no evento começou com o voluntariado, em 2024, evoluindo rapidamente para uma posição de apoio e, depois, para a participação na Batalha de Startups. Mesmo com uma estrutura menor que a de concorrentes mais consolidados, ele relembra que a confiança foi decisiva para conquistar o segundo lugar na competição.
— A partir desse momento, todos passaram a conhecer a empresa e a nossa história. Conseguimos levar o nome de Parobé e o que estamos fazendo no interior para uma cidade reconhecida como Gramado. Foi muito importante para consolidar nossa presença no ecossistema de inovação do Rio Grande do Sul. Depois disso, em muitos eventos, as pessoas nos reconhecem pela Gramado Summit — afirma.
O objetivo central da startup é ampliar o alcance dos eventos de forma orgânica, integrando o ambiente físico ao digital. Por meio de um sistema que conecta o Instagram às telas do local, a tecnologia permite que publicações dos visitantes apareçam em tempo real, eliminando processos complexos. Segundo Costa, essa dinâmica valoriza o público e segue a tendência global de estreitar a conexão direta entre marcas e consumidores, transformando o visitante em protagonista da experiência.
Entre os principais nichos atendidos, ele destaca como principal categoria de clientes o segmento de eventos.
— Lojas de roupas são nossa segunda maior categoria de clientes. A Gramado Summit, para nós, é um canal de comunicação e vendas para apresentar a ideia e chegar às academias e lojas, principalmente de moda feminina. Também atendemos pubs e festas, onde o público quer mostrar que está no local e, ao postar, aparece na TV atrás do artista, sentindo-se parte da casa. Esses três nichos — academias, lojas femininas e pubs/bares — são os que mais se beneficiam — explica.
Confie no seu pitch
Com a aproximação de mais uma edição da Gramado Summit, o clima entre os expositores é de preparação intensa, com empreendedores realizando os ajustes finais em seus produtos. Nesse contexto, Costa ressalta que, embora o evento ofereça um ambiente propício para conexões, o aproveitamento da experiência depende do espírito de entrega e cada participante.
— Vá com o intuito de fazer o máximo de interações possível, conhecer o maior número de pessoas e ser proativo. Não é ir com cartão de visita no bolso para empurrar vendas, mas para se conectar. Às vezes, um contato vira um parceiro de negócios ou revendedor. O segredo é ser muito humano e interagir com quem está alinhado aos seus princípios — aconselha.
É nesse momento que os empreendedores precisam estar com a apresentação — o famoso pitch – na ponta da língua. Para Carlos Klein, dominar o pitch é um divisor de águas. Ele acredita que a capacidade de sintetizar e apresentar um negócio em poucos minutos demonstra clareza sobre a própria operação. Por isso, recomenda treino prévio aos participantes.
— Não quer dizer que vamos investir em uma empresa apenas porque o pitch é excelente, mas dificilmente investiremos em uma que não tenha um bom pitch, porque o empreendedor precisa saber vender. Minha recomendação é: prepare-se e treine. Vá para a frente do espelho, peça feedbacks e faça uma apresentação consistente para não se arrepender depois — finaliza o diretor de Investimentos da Ventuir.
Data: 6 a 8 de maio de 2026
Local: Serra Park (Viação Férrea, 100 – Três Pinheiros, Gramado)
Horário: 9h às 18h
Ingressos: A partir de R$1.490 por pessoa – consulte as condições no site.





