
Por muito tempo a previdência privada esteve associada apenas a uma maneira de complementar a aposentadoria. No entanto, desde a sua implementação no Brasil, nos anos 1970, a percepção da população foi mudando por entender que o investimento também pode ser uma ferramenta para reduzir o ritmo de trabalho e auxiliar na sucessão patrimonial.
Entre as oportunidades que o investimento apresenta, como benefícios fiscais e a possibilidade em ajustar a estratégia ao longo do tempo, a previdência moderna tem se tornado aliada de quem busca independência financeira e segurança no presente. Somente em 2024, ela arrecadou cerca de R$ 196,1 bilhões – o que representa um aumento de 15,3%, em relação a 2023.
Por outro lado, uma pesquisa do Datafolha indicou que o número de brasileiros que investem ainda pode crescer. O levantamento mostrou que 41% da população não possui previdência privada por acreditar que ela é destinada apenas aos mais ricos. Para desmistificar essa questão, o gerente de seguros, previdência, câmbio e crédito da Warren, Yoran Netto, explica como a previdência privada pode ser uma aliada para conquistar um futuro mais tranquilo.
Quais são as principais diferenças entre a previdência privada e outros tipos de investimentos?
A principal diferença entre a previdência e outros investimentos está na combinação de retorno, eficiência fiscal e sucessória. A previdência não tem come-cotas — uma cobrança antecipada do Imposto de Renda (IR), que ocorre na maioria dos fundos de investimento no Brasil — permitindo que o rendimento cresça de forma integral, sem a antecipação semestral de imposto. Ela também permite a portabilidade entre fundos e seguradoras sem pagar IR, o que dá liberdade para ajustar a estratégia ao longo do tempo. Além disso, é um instrumento poderoso de planejamento sucessório: em muitos estados, o saldo não entra em inventário e é pago rapidamente aos beneficiários. Enquanto outros investimentos são ótimos para objetivos específicos, a previdência se destaca como um veículo de longo prazo.
Como foi o seu primeiro contato com a previdência privada e quais eram as suas dúvidas sobre o assunto?
Meu primeiro contato com a previdência aconteceu bem cedo, quando comecei a trabalhar no banco. Na época, eu não tinha o hábito de guardar dinheiro, e o gerente da minha conta me ofereceu um plano de previdência. Acabei aceitando mais por impulso do que por planejamento, mas foi uma das melhores decisões que eu poderia ter tomado. Como o plano ficou em débito automático, eu praticamente nem percebia o valor saindo da conta, e isso me ajudou a criar o hábito de poupar. Quando a gente é jovem, dificilmente sobra dinheiro, mas eu sempre pagava os boletos. E esse, de certa forma, foi o boleto mais importante que eu já paguei: o do meu eu do futuro.
Pensando em quem está começando, existe algum percentual sugerido para não comprometer a renda?
Não existe um número fixo, mas de forma geral é saudável destinar entre 10% e 20% da renda mensal para a previdência, ajustando conforme o momento de vida. Para quem ganha R$ 2.500, começar com R$ 250 já é o suficiente para criar disciplina e formar patrimônio ao longo do tempo. Já quem tem uma renda mais consolidada pode aumentar esse percentual, aproveitando inclusive o benefício fiscal do PGBL, que permite deduzir até 12% da renda bruta anual no Imposto de Renda. Mais importante do que o valor é a constância. A previdência funciona melhor quando faz parte do orçamento, não quando depende da sobra do mês.
Como o perfil e o objetivo financeiro influenciam para a escolha do plano?
A escolha do plano deve partir de um entendimento claro do objetivo e do horizonte de tempo. Quem busca acumulação de longo prazo deve optar por fundos com gestão sólida, diversificação e consistência de resultado, sempre coerentes com o perfil de risco do investidor. Mas, na prática, o ponto mais importante é não tomar essa decisão sozinho. Faz toda diferença contar com um profissional qualificado para orientar esse processo, já que o que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra. Escolher um plano sem entender bem o impacto tributário, o custo ou o perfil da estratégia é um risco real.
Quais são os principais mitos sobre a previdência privada e o que deve ser considerado antes de decidir sobre o plano a seguir?
Um dos maiores mitos é acreditar que previdência é apenas sinônimo de aposentadoria. Na verdade, ela é uma ferramenta que serve para a vida toda — seja para acumular, proteger, diversificar ou planejar a sucessão. Outro equívoco é achar que o dinheiro fica “preso”. Hoje é possível portar o saldo entre fundos e seguradoras sem pagar imposto, o que dá total flexibilidade. E também há quem acredite que todos os planos são iguais, quando, na verdade, o mercado evoluiu muito. Existem fundos de gestoras independentes, carteiras sofisticadas e estruturas com custos competitivos.
Na sua experiência, de que forma as pessoas estão diversificando o uso da previdência privada?
Vemos muitos casos de pessoas que usam a previdência como ferramenta de liberdade, e não apenas de aposentadoria. Profissionais liberais que começaram com aportes pequenos e hoje têm uma reserva que permite reduzir o ritmo de trabalho, empreender ou mudar de cidade com segurança. Também acompanhamos famílias que estruturaram a sucessão usando a previdência, garantindo liquidez rápida aos beneficiários sem a burocracia do inventário.
Como a Warren atua para auxiliar no planejamento financeiro de alguém que esta começando a investir agora?
Na Warren, o cliente conta com um modelo de planejamento financeiro integrado, que une o trabalho do consultor de investimentos a um time de especialistas em previdência, seguros, crédito e câmbio. Essa estrutura permite que o planejamento seja realmente personalizado, considerando o momento de vida, o perfil e os objetivos de cada pessoa. O foco é garantir coerência entre risco, prazo e tributação, construindo estratégias que evoluem com o cliente.
Como gerente de produtos financeiros, qual seria o seu conselho para quem ainda não tem um plano contratado?
O principal conselho para quem ainda não tem um plano é começar. Mesmo com valores menores, o tempo é o maior aliado da previdência. Quanto antes se inicia, maior é o poder dos juros compostos e dos benefícios fiscais. O segundo ponto é entender que a previdência deve fazer parte de uma estratégia de planejamento, e não ser um produto isolado.
Antes de contratar, é importante avaliar o tipo de plano (PGBL ou VGBL), o regime tributário e o perfil de investimento. A previdência é um instrumento de longo prazo, e o erro mais comum é escolher sem clareza do propósito. Começar pequeno e de forma consciente é melhor do que esperar o momento perfeito, que raramente chega.






