
Por Júlio Mottin - Fundador e presidente do Conselho de Administração do Grupo Panvel
O transporte é um elo vital da cadeia de saúde, garantindo que medicamentos e produtos cheguem com segurança, no tempo certo e nas condições adequadas aos consumidores. Na sua visão, qual é o papel estratégico do transporte rodoviário na operação da Panvel — desde o recebimento de insumos e medicamentos até a distribuição para as lojas e entregas domiciliares?
O transporte rodoviário é absolutamente estratégico e indispensável para a operação da Panvel. É por meio dele que conseguimos abastecer, de forma contínua e eficiente, nossas mais de 650 lojas distribuídas nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Esse modal é responsável tanto pelo recebimento de insumos e medicamentos em nossos centros de distribuição em Eldorado do Sul/RS e São José dos Pinhais/PR, quanto pela distribuição diária dos produtos às lojas e nas entregas domiciliares. A confiabilidade do transporte rodoviário garante que o consumidor final receba os produtos com agilidade, segurança e dentro das condições ideais, reforçando nosso compromisso com a saúde e o bem-estar da população.
A logística farmacêutica exige precisão, rastreabilidade e controle de temperatura. Um atraso ou falha no transporte pode comprometer o abastecimento e até o tratamento de pacientes. Como o Grupo Panvel estrutura sua cadeia logística para assegurar eficiência, segurança e continuidade no fornecimento — especialmente em momentos críticos, como durante a pandemia ou desastres naturais?
Nossa cadeia logística é planejada para operar com máxima precisão, rastreabilidade e segurança. Contamos com dois centros de distribuição estrategicamente localizados para atender com agilidade as regiões onde temos presença física, além de uma extensa rede de lojas. Toda a nossa operação segue rigorosamente os padrões exigidos pela legislação vigente, com sistemas que monitoram a rastreabilidade dos produtos em tempo real, desde o recebimento até a entrega nas lojas. Em momentos críticos, como durante a pandemia ou em situações de desastres naturais, ativamos planos de contingência e intensificamos o monitoramento para garantir a continuidade do fornecimento. A preservação da integridade dos medicamentos e a confiança dos nossos clientes são prioridades inegociáveis em toda a cadeia logística.
Com o avanço das vendas online, o transporte urbano ganhou protagonismo na experiência do consumidor. Entregas rápidas e seguras tornaram-se fator decisivo na escolha da farmácia. Como a Panvel tem adaptado sua estrutura logística e de transporte urbano para atender o crescimento das vendas pela internet — equilibrando conveniência, custo e sustentabilidade nas entregas domiciliares?
Para atender ao crescimento exponencial das vendas online e às novas exigências do consumidor, estruturamos dois modelos logísticos complementares. No modelo de distribuição, nossos centros de distribuição abastecem diariamente as lojas, com entregas em D+0 ou D+1. Já no modelo de varejo, operamos com uma robusta estrutura de última milha, que utiliza mais de 400 pontos de entrega em nossa rede, o que nos permite atender clientes em até 30 minutos em algumas localidades aliado a 9 minicentros de distribuição, que funcionam dentro de lojas de maior porte e são responsáveis por atender pedidos via geolocalização, garantindo entregas mais rápidas e eficientes. Essa capilaridade se tornou um diferencial competitivo da Panvel, unindo conveniência, agilidade, controle de custos e sustentabilidade nas entregas.
A qualidade da malha rodoviária e urbana impacta diretamente o custo e a eficiência da distribuição de medicamentos. Como o senhor avalia a infraestrutura logística do Rio Grande do Sul e do país, e de que forma investimentos em concessões e melhorias nas vias poderiam aumentar a competitividade e a segurança do transporte farmacêutico?
O Brasil ainda enfrenta um déficit significativo em infraestrutura logística, o que encarece o frete e impacta diretamente a competitividade de empresas que dependem do transporte terrestre, como é o caso da Panvel. O Rio Grande do Sul, por estar distante dos principais polos produtores do país, sente ainda mais esses efeitos. Estradas em más condições aumentam o risco de avarias, atrasos e prejuízos. Investimentos em concessões, manutenção e ampliação das vias são fundamentais para garantir não apenas mais eficiência operacional e redução de custos, mas também mais segurança para o transporte de medicamentos, que exige condições rigorosas de preservação e pontualidade.
O transporte de medicamentos não é apenas uma operação logística — é uma missão que envolve vidas e bem-estar. O que representa para o senhor o selo “Eu Apoio a Vida — Transporte é Tudo” dentro do contexto de responsabilidade social e compromisso com a saúde da população?
O selo “Eu Apoio a Vida — Transporte é Tudo” simboliza, para nós, o reconhecimento de uma missão que vai muito além da logística: trata-se de um compromisso com a vida. Mensalmente, recebemos mais de 1.500 veículos em nossos centros de distribuição e realizamos mais de 14.000 entregas em nossas lojas. Essa operação de grande escala exige uma estrutura logística robusta e uma malha viária à altura — papel que também deve ser assumido pelo poder público.
Entendemos que, por trás de cada caixa transportada, há uma pessoa esperando por um medicamento essencial. Por isso, operamos com o mais alto grau de responsabilidade, eficiência e ética. Apoiar essa causa é reafirmar nosso propósito de promover saúde e bem-estar, todos os dias. O transporte, para nós, é muito mais do que movimentar produtos: é salvar vidas.

