
A participação da Marcopolo na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), realizada em Belém (PA), reforçou a posição da empresa como protagonista na descarbonização do transporte coletivo. Durante o evento, a fabricante apresentou avanços em tecnologias limpas e iniciativas que conectam inovação, impacto ambiental e desenvolvimento urbano.
– A COP30 foi uma oportunidade para mostrarmos ao mundo como a inovação em mobilidade pode reduzir emissões em larga escala. Mobilidade sustentável envolve qualidade de vida urbana, eficiência do transporte e inclusão social. É uma jornada coletiva, que depende da colaboração entre governos, empresas e sociedade – afirma o CEO da Marcopolo, André Armaganijan.
Nesta entrevista, o executivo comenta os destaques da atuação da empresa na conferência, a apresentação de um ônibus híbrido elétrico/etanol e os caminhos para a mobilidade sustentável no Brasil.
O que a participação da Marcopolo na COP30 representou para a agenda de mobilidade sustentável no Brasil e no mundo?
Estivemos nos principais espaços da COP30, reforçando nosso compromisso com a mobilidade sustentável. Na Green Zone, participamos do painel “Soluções Brasileiras para a Transição Justa: Indústria, Mobilidade e Desenvolvimento Sustentável”. Na Blue Zone, apresentamos cases de eletrificação, biocombustíveis e inovação tecnológica em “Descarbonizando o Setor de Transportes: Soluções Brasileiras para o Mundo”.
Além das agendas oficiais, integramos a coalizão C.A.S.E. (Climate Action Solutions & Engagement), contribuindo com debates sobre descarbonização do transporte público, integração modal e o papel dos biocombustíveis na transição energética global. A Fundação Marcopolo, por sua vez, discutiu educação, formação profissional e construção de futuros urbanos resilientes.
O protótipo de um ônibus urbano híbrido elétrico/etanol foi apresentado durante a COP30. O que diferencia esse modelo?
Esse protótipo representa uma alternativa concreta e viável para acelerar a descarbonização do transporte coletivo no Brasil. Diferentemente do ônibus elétrico a bateria, que depende de infraestrutura de recarga, o modelo híbrido combina propulsão elétrica com um gerador alimentado por etanol. Isso amplia a autonomia e elimina a necessidade de pontos de recarga. A solução é Carbono Net Zero, pois o CO2 emitido é compensado pelo cultivo da cana-de-açúcar ou outras fontes de etanol. A tecnologia tem potencial de aplicação imediata em municípios de todos os portes. A previsão é que o veículo esteja disponível até 2027.
Enquanto o modelo não chega ao mercado, a Marcopolo oferece outras soluções sustentáveis. Quais são as principais?
Somamos mais de mil veículos sustentáveis em operação no Brasil e no exterior, incluindo o Attivi Integral, nosso primeiro ônibus 100% elétrico com chassi e carroceria desenvolvidos internamente. Também oferecemos modelos como o Volare Fly 10 GV, movido a GNV e biometano, e o Volare Attack 9 Híbrido, primeiro micro-ônibus híbrido elétrico/etanol do mundo, com autonomia superior a 450 km. No modal ferroviário, contamos com os modelos Prosper, que inclui VLTs híbridos e unidades para transporte urbano e intermunicipal. Todas essas soluções reforçam nossa contribuição para um ecossistema de mobilidade mais limpo e eficiente.
Com o encerramento da COP30, como a Marcopolo projeta seu papel no futuro da mobilidade sustentável?
Queremos liderar a transição energética no transporte coletivo, consolidando nossa posição como referência em soluções de mobilidade sustentável. Isso envolve inovação tecnológica, mas também educação, inclusão social e desenvolvimento de pessoas. A COP30 confirmou que a transformação climática exige colaboração e visão de longo prazo, e a Marcopolo está preparada para atuar como agente transformador no Brasil e no mundo, conectando impacto ambiental, tecnologia e benefícios reais para a sociedade.

