
As mulheres têm conquistado cada vez mais espaço na indústria. No Brasil, de acordo com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), elas já representam 25% da força de trabalho. Essa presença vem se consolidando também em posições de liderança. Conforme o Observatório Nacional da Indústria da Confederação Nacional da Indústria (CNI), entre 2008 e 2021, a participação feminina em cargos de liderança no setor passou de 24% para 31,8%.
A 34ª edição da Mercopar destacou o papel das mulheres no setor industrial. Durante a feira, dois painéis mostram a força feminina na indústria.
O Núcleo das Mulheres do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico (Simecs) promoveu a palestra "Indústria Delas". Com a mediação do presidente da entidade, Ubiratã Rezler, o momento reuniu interessados em discutir os caminhos para aumentar ainda mais a participação feminina na indústria. Com Clarissa Trombini (Tramontina), Paula Ioris (Governo do Estado) e Marcos Baptistucci (Randoncorp), o evento ainda contou com a palestra de Carina Oliveira (Stellantis).
Já o talk show “Liderança Feminina e o Futuro da Indústria” reuniu Carolina Chiao (CEO da Metalúrgica Fimac), Cristine Grings (CEO da Piccadilly) e Alessandra Gonzaga (mentora de mulheres), com mediação da jornalista do Grupo RBS, Kelly Mattos. O encontro debateu os caminhos que ampliam a participação de mulheres em papéis de lideranças das indústrias.
Para a representante do Comitê de Lideranças Femininas da Fiergs (Colife), Carla Carnevalli Gomes, a presença feminina no setor faz com que a indústria seja cada vez mais inovadora e inspiradora. Para mulheres que estão começando agora e buscam uma forma de se colocar nesse mercado, Carla recomenda aproveitar todas as oportunidades.
— Nosso maior desafio é dar o primeiro passo, porque as portas estão se abrindo cada vez mais para nós. Precisamos aproveitar mais espaços, em especial esses, como a Mercopar, onde existe a possibilidade de troca de experiências e conexões.
O futuro é com elas
Além da participação em painéis, as mulheres também estavam entre as expositoras, apresentando soluções e fazendo novos negócios. Uma delas é Carolina Chiao, que assumiu os negócios da família após retornar de um doutorado na Alemanha. A CEO da Metalúrgica Fimac — empresa especializada em peças usinadas, forjadas e fundidas para montadoras do ramo agrícola, rodoviário e automotivo — lembra que no começo da sua jornada de liderança muitas pessoas questionaram sua posição.
— O que entendi é que a estratégia principal era começar a plantar sementes da cultura que desejávamos ter na empresa. E, fundamentalmente, era preciso entender que a autenticidade — o que eu sou, a minha essência — é algo que deve ser valorizado, mesmo que digam o contrário. Não é sobre o que os outros falam. É sobre entender e reconhecer a nossa força. A minha força, por exemplo, veio de compreender quem eu era, o que eu queria e onde eu queria chegar.
Ela acredita que ser mulher na indústria é trazer equilíbrio. Entre todas as características que podem ser creditadas às lideranças femininas, Carolina destaca que a colaboração e um olhar atento são aquelas que mais fazem a diferença.
— Precisamos olhar mais para as pessoas e entender que são elas quem estão operando uma máquina, vendendo uma peça. Se entendermos as pessoas, conseguimos entender o cerne do problema também.
Para mulheres que estão entrando agora no setor industrial, ela aconselha.
— Seja você mesma. Acredite no seu potencial e não se deixe levar por comentários — completa.





