
O swing, prática sexual consensual que envolve a troca de parceiros entre casais ou interações com pessoas solo, tem conquistado cada vez mais adeptos e despertado a curiosidade de quem busca novas experiências. Celebrado em 10 de agosto, o Dia do Swing marca o crescimento do universo liberal, impulsionado por comunidades online e pelo debate mais aberto sobre sexualidade e desejos.
Apelidado de Censo dos Fetiches, o levantamento de 2024 do Sexlog, rede social de swing, apontou que 53,1% dos 20 mil entrevistados têm vontade de participar da troca de casais, enquanto 43,2% já realizaram a fantasia ao menos uma vez. A psicóloga e terapeuta sexual Tatiana Brzostek defende que a prática é mais comum do que parece:
— Faz parte da sexualidade de muitos casais e de muitas pessoas. Os seres humanos querem diversificar e, na vida sexual, não é diferente. Os praticantes só não costumam sair por aí dizendo que fazem.
Para os influenciadores digitais Renata Nunes da Silva, 29 anos, e Cezar Augusto Xavier Mariano, 35, entretanto, a adesão à prática não é segredo. Casados há 12 anos, os dois fazem parte do universo liberal há quase uma década e contam sobre essas vivências com orgulho. O casal começou com o desejo em comum e, gradualmente, foram evoluindo as conversas e as experiências.
— Quando iniciamos no meio liberal, éramos muito ciumentos um com o outro. Eu tinha medo de prejudicar o nosso relacionamento e de as outras pessoas descobrirem. Depois que começamos, abolimos o ciúme das nossas vidas. Criamos uma sintonia e uma amizade muito maior. Hoje em dia, temos muito mais diálogo, conversamos sobre tudo, temos essa segurança um no outro — relata a jovem.
Quem pratica swing?
De acordo com dados do Ysos, aplicativo lançado pelo Sexlog, o swing no Brasil está longe de ter um perfil específico. Casais formam a maioria dos adeptos (45%), seguidos por homens (38%) e mulheres (14%) que buscam novas experiências. As preferências mais comuns incluem interações entre casais "ele/ela", encontros apenas com mulheres ou só com homens.
Na faixa etária, a maioria (37,4%) está entre 25 e 34 anos, seguidos por usuários de 35 a 44 anos (28,6%). Apesar de menos expressivos, jovens de 18 a 24 anos (10,5%) e pessoas acima de 55 anos (7,5%) também mostram interesse no swing.

— O casal padrão, os mais comuns no meio liberal, é aquele que já está casado há bastante tempo ou já está no segundo relacionamento, já tem os filhos criados, adolescentes ou que já são independentes. E agora, atingindo um grau de maturidade e intimidade maior, eles perceberam que chegaram em um momento que dá para explorar novos desejos sem abalar a relação e só fortalecer a cumplicidade entre os dois — avalia a CMO do Sexlog e do Ysos, Mayumi Sato.
O aplicativo e a plataforma contam com milhões de usuários de todo o país. No Rio Grande do Sul, as cidades com mais adeptos do swing são Porto Alegre, Caxias do Sul, na Serra, e Canoas, na Região Metropolitana. Além das capitais, outras cidades menores, como Londrina (PR), Manacapuru (AM), Blumenau (SC) e Parauapebas (PA) também fazem parte do ranking nacional.
Como funciona a prática?
O swing envolve a troca de parceiros entre casais ou a interação com pessoas solteiras, podendo ocorrer em encontros privados, festas organizadas ou casas especializadas. A dinâmica é definida previamente entre os envolvidos, com regras claras e respeito aos limites de cada participante, priorizando o diálogo e o consentimento.
— Tem casal que só vai ter relações com o parceiro original, mas no mesmo ambiente em que outros casais, sem fazer trocas. Tem casal que vai estabelecer que o limite é só dar uns beijinhos ou uns amassos, sem a relação sexual em si. Essa é uma troca mais soft, mas não deixa de ser swing. Outros casais gostam de fazer a troca completa, que chamamos de full swap. Tem quem goste de só ter uma das pessoas envolvidas enquanto a outra observa. São várias nuances — explica Mayumi.
Antes restritos a festas liberais e casas de swing, os encontros entre adeptos da prática ganharam novos formatos com o avanço da tecnologia. Aplicativos e sites especializados permitem que pessoas com interesses semelhantes se conheçam, conversem e combinem encontros de forma mais prática e segura.
— Quando iniciamos no meio liberal, morávamos em uma cidade onde não tinha baladas liberais, não tinha casa de swing próximo. Então dependíamos apenas dos aplicativos. Hoje em dia, moramos próximo das casas de swing, então é um pouco mais fácil. Mas às vezes optamos pelos aplicativos também — relata Renata, praticante de swing há 10 anos.
Prática exige diálogo
Para iniciar no swing de forma saudável, Tatiana recomenda que o casal converse abertamente e estabeleça regras claras antes de qualquer experiência. Definir limites, combinar o que é permitido, discutir o uso de preservativo e manter os exames em dia são cuidados que ajudam a evitar conflitos.
De acordo com a sexóloga, as combinações variam conforme o casal. Alguns preferem o full swap, quando há troca completa de parceiros, enquanto outros optam pelo soft swap, quando não tem sexo. Há quem queira aprovar os parceiros com antecedência ou participar das conversas antes do encontro, enquanto outros dão liberdade total para que a interação aconteça de forma mais espontânea.
— Quando é saudável, eu vejo que são casais que conseguem conversar, que têm controle do ciúme e que aproveitam muito. O que não é saudável é quando uma pessoa quer muito e a outra vai por influência, e aí gera um sofrimento ou dependência. Ou quando o casal não conversou sobre, foi no "oba-oba" de uma festa ou da bebida, não tinha regras e limites e aí entraram muitos problemas na relação — exemplifica a especialista.
Como iniciar?
Muitas pessoas têm curiosidade de experimentar o swing, mas não sabem por onde começar. As especialistas sugerem conversar com o parceiro, definir limites claros e testar aos poucos, seja visitando uma casa de swing para observar o ambiente, explorando aplicativos e trocando mensagens com outros adeptos até se sentir mais à vontade para marcar um encontro e experimentar.




