Ainda que seja reconhecidamente importante, a amamentação pode gerar muitas dúvidas e angústias nas mães: é verdade que amamentar faz os seios caírem? Existe leite fraco? Estresse e nervosismo podem fazer o leite "secar"?
A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que o aleitamento materno é uma das formas mais eficazes de garantir a saúde e a sobrevivência infantil.
Além de ser o alimento mais completo que um recém-nascido pode receber, o leite materno pode ser oferecido de forma exclusiva até os seis meses, sem a necessidade de água, chás ou outros alimentos.
A amamentação também fortalece o vínculo entre mãe e bebê e gera benefícios para cada um. No caso da mulher, por exemplo, pode contribuir para a saúde psíquica e proteger contra o câncer de mama, de ovários e do colo do útero.
Para o bebê, o leite materno fortalece o sistema imunológico, reduz a chance de obesidade e contribui para o desenvolvimento cognitivo.
No Agosto Dourado, campanha que busca promover apoio e conscientização à amamentação, Zero Hora conversou com a consultora em lactação e nutricionista materno infantil Ana Terrazzan e esclarece mitos sobre o assunto.
Saiba o que é mito e o que é verdade sobre amamentação:
- É normal sentir dor ao amamentar
- Há uma frequência padrãeo em que o bebê deve mamar
- O leite materno pode ser “fraco” e não alimentar o suficiente
- O leite muda se o bebê está doente
- É preciso oferecer os dois seios em toda mamada
- Amamentar faz os seios "caírem"
- Chupeta e mamadeira podem atrapalhar a amamentação
- Estresse e nervosismo podem impactar a produção de leite
- Bebês amamentados por mais tempo são “mais inteligentes”
- Passar bucha ajuda a preparar o peito para a amamentação
- Pegar sol nos seios é benéfico

É normal sentir dor ao amamentar
Mito. Com a sucção, a pele dos seios é submetida a atrito frequente. Portanto, segundo a consultora Ana Terrazzan, algum nível de desconforto é normal, principalmente na fase de adaptação ou no início da mamada — o que é diferente de sentir dor.
Quando amamentar é dolorido, na maior parte dos casos é um indício de que algo precisa ser reavaliado — como a posição da pega ou a abertura da boca do bebê.
Ana destaca ainda que eventuais lesões também não podem ser normalizadas.
O bebê precisa mamar em intervalos fixos
Mito. É esperado que a amamentação possa ocorrer em livre demanda, observando os sinais de fome e saciedade. Dessa forma, o próprio bebê pode se regular.
— A expectativa é de que o bebê consiga manter mamadas efetivas e que fique um intervalo razoável em pausa — explica Ana.
Para recém-nascidos, o ideal é de oito a 12 mamadas em 24 horas. Entretanto, os indicativos mais efetivos de que o bebê está se alimentando bem são ganho de peso e frequência de fezes e urina.
O leite materno pode ser “fraco” e não alimentar o suficiente
Mito. O leite materno tem variações de acordo com as necessidades do bebê, ao longo do dia e da mamada. Entretanto, mantém o seu valor nutricional — suprindo de forma completa a alimentação e a hidratação.
A confusão pode acontecer pela sua digestão rápida — que é um funcionamento natural.
— Muitas vezes as pessoas comparam o leite materno com fórmula infantil, entendendo que a fórmula deixa o bebê mais saciado, mas, na verdade, a fórmula é de menor digestibilidade — esclarece a consultora.
O leite muda se o bebê está doente
Verdade. Quando o bebê está doente, o corpo da mãe entende que precisa favorecer a produção de células de defesa e anticorpos para que o filho se recupere mais rápido.
— Existe uma sinergia entre o organismo do bebê e o da mãe, e o leite materno vai mudando a sua composição a depender do momento e da necessidade da criança — afirma Ana.
É preciso oferecer os dois seios em toda mamada
Mito. Não é uma regra, mas uma recomendação, salienta a consultora.
Mamar bem nas duas mamas é importante para manter o estímulo para a produção de leite, além de suprir a necessidade de volume esperado para a saciedade do bebê.
Amamentar faz os seios "caírem"
Mito. O ato de amamentar, por si só, não faz os seios "caírem", destaca Ana.
Durante a gestação, os seios têm tendência a aumentar em preparação para a produção de leite. Tecidos que expandem e involuem podem, sim, apresentar flacidez, mas essa não é uma regra para todas as mulheres, pois depende de fatores como peso, idade e genética.
Chupeta e mamadeira podem atrapalhar a amamentação
Verdade. Chupeta e mamadeira podem impactar na amamentação, causando confusão de bico e de fluxo no bebê.
Isso acontece porque a sucção no peito exige esforço que não se assemelha ao gerado pelos utensílios. Essa, inclusive, pode ser uma das causa de desmame precoce.
A consultora afirma ainda que, no caso da chupeta, a sucção constante pode causar cansaço e, consequentemente, diminuir o estímulo e a produção de leite.
Estresse e nervosismo podem impactar a produção de leite
Verdade. Segundo Ana Terrazan, grandes traumas podem interromper a produção de leite, que depende de fatores hormonais.
Em situações mais rotineiras, estresses e nervosismos intensos também podem impactar a lactação — mas, geralmente, isso ocorre de forma temporária.
Bebês amamentados por mais tempo são “mais inteligentes”
Verdade, de certa forma. O leite materno é considerado um bom incentivador para o sistema neurológico, destaca a consultora.
Estudos indicam associação entre maior duração da amamentação e melhores resultados em indicadores de desenvolvimento cognitivo.
Um deles, publicado pela revista The Lancet Global Health, realizado pela Universidade Federal de Pelotas (Ufpel), identificou que, quando adultos, bebês que tinham sido amamentados por mais tempo tinham maior desempenho em testes de inteligência.
O Ministério da Saúde também aponta que há evidências de que o aleitamento materno contribui para o desenvolvimento cognitivo.
Esse é também um dos benefícios da sugeridos pelo pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
"Crianças amamentadas têm melhor desempenho em testes de inteligência, são menos propensas a ter sobrepeso ou obesidade e menos propensas a desenvolver diabetes na vida adulta", aponta a OMS.
Passar bucha ajuda a preparar o peito para a amamentação
Mito. Segundo Ana, nenhum tipo de preparo da mama para a amamentação é indicado:
— O que previne as lesões é o bebê estar bem posicionado, conseguir fazer uma boa abertura de boca, fazer a pega adequada e, por consequência, a sucção adequada — destaca.
Pegar sol nos seios faz bem para amamentação
Mito.
— O sol por si só não vai ser a resolução dos problemas — afirma a consultora.
O que pode trazer benefícios é manter a mama arejada, a fim de prevenir fissuras e minimizar a chance de proliferação de fungos.
*Sob supervisão da editora Ana Müller

