
Ser dona de si nunca foi apenas uma música para IZA: é, também, uma forma de existir. Aos 35 anos, a cantora carioca exibe uma trajetória sólida, com inúmeros hits e projetos de sucesso, enquanto vive uma nova fase que combina maternidade, maturidade e diferentes caminhos sonoros.
Depois de explorar um pop dançante em Dona de Mim (2018) e um afrobeat empoderador em Afrohit (2023), IZA agora se joga no reggae, que será a base de um novo disco previsto para este ano. O projeto já deu seus primeiros sinais com os singles Caos e Sal, Tão Bonito e Eu e Você, que estarão no repertório do show Caos e Sal, marcado para 7 de março, no Auditório Araújo Vianna, em Porto Alegre. Ingressos no Sympla.
— Esse show, para mim, tem uma cara de novidade. Temos músicas e coisas novas para mostrar. Estou muito feliz de voltar para Porto Alegre, é um lugar em que sou muito feliz fazendo show. O Araújo Vianna é uma casa muito especial, por onde passaram grandes artistas, e me sinto muito acolhida toda vez que volto — afirma a carioca.
Entrevistas
A última passagem da artista pela Capital ocorreu em 2023. No ano seguinte, ela deu à luz Nala, sua primeira filha.
— Estou retomando essa agenda agora por uma questão de estar me adaptando ainda a essa nova realidade, que é uma realidade muito especial. Tenho certeza de que ela (Nala) vai ser uma entusiasta da estrada e vai sempre gostar muito de me acompanhar — projeta.
A relação de Nala com a música acompanha o desenvolvimento da pequena. IZA anunciou a gravidez cantando em uma live no Instagram celebrando seu "mini talismã", em referência a um de seus principais sucessos, e subiu ao palco do Rock in Rio com oito meses de gestação.
De volta às origens
Enquanto vive a retomada aos palcos, IZA também celebra um reencontro com suas origens e com a Marquês de Sapucaí. Após três anos afastada, a cantora reassumiu o posto de rainha de bateria da Imperatriz Leopoldinense, escola de Ramos, bairro onde cresceu.
— Estar com a Imperatriz faz com que me reconecte com a minha raiz e com várias coisas especiais da minha infância e da minha adolescência. Me sinto muito feliz e muito abraçada pela comunidade, e essa sinergia, essa vontade de dar certo e essa familiaridade que nós temos não têm preço — comentou ela, que já havia ocupado o posto entre 2020 e 2022.
Na avenida, a Imperatriz conquistou o quinto lugar no Carnaval do Rio de Janeiro com uma homenagem a Ney Matogrosso. A fantasia de IZA, segundo a agremiação, foi inspirada no disco Pecado, lançado em 1977.
IZA construiu, em poucos anos, uma trajetória marcada por projetos de grande alcance. Já ocupou uma das cadeiras de técnica do The Voice Kids, em 2019, e dublou a personagem Nala na versão brasileira do remake O Rei Leão, por exemplo.
Com forte presença nas redes sociais e atuação como embaixadora de grandes marcas, a cantora se consolidou como uma artista influente para além do cenário nacional. Em 2021, ela foi citada pela revista Time como uma das lideranças da próxima geração ao lado de nomes como o ator Timothée Chalamet, sendo destacada como uma popstar que usa o microfone para combater o racismo.
Comportamento
Esse alcance também chamou a atenção de artistas internacionais como Sam Smith, com quem lançou Lay Me Down, e do produtor Maejor em Let Me Be The One e Evapora. No Brasil, soma encontros marcantes, como no projeto Lud Session com Ludmilla, Eu Só Preciso Ser com Sandy, além dos sucessos como Ginga, com Rincon Sapiência, e Pesadão, com Marcelo Falcão.
Em entrevista a Donna, IZA reflete sobre a trajetória profissional – que começou como editora de vídeo, função que exerceu após se formar em Publicidade e Propaganda e que a incentivou a publicar covers no YouTube – e a nova fase da vida pessoal, marcada pela maternidade e por novos projetos.
Confira a entrevista com IZA
Como é a sua relação com o público gaúcho? Como você define essa troca e quais lembranças guarda da última vez que se apresentou por aqui?
A minha relação com o público gaúcho é muito especial, é uma relação duradoura. Tem pessoas que acompanham o meu trabalho desde a época em que eu fazia cover na internet, e isso não tem preço, né? É quase uma celebração de reencontro toda vez que volto para cantar.
A maternidade mudou a forma como você se enxerga e encara a vida e a carreira? Ela também trouxe novos estímulos criativos?
A maternidade com certeza mudou a forma como eu enxergo a minha carreira. Eu acho que antes, quando você vive por você e não tem essa obrigação, esse porto, as nossas decisões são diferentes. Então, a Nala me torna uma pessoa mais consciente e mais presente.
Você sente que o mercado ainda cobra das mães um “retorno rápido” à produtividade?
Eu acho que, na verdade, o mercado cobra mulheres em geral, uma cobrança que é totalmente diferente quando se trata dos homens, e é algo que eu já entendi que faz parte. Me sinto muito orgulhosa de cada vez mais entender que respeito meu ritmo, apesar de cobranças e expectativas.
Os singles Caos e Sal e Tão Bonito já são um prelúdio do seu próximo álbum? Pode dar algum spoiler sobre ele?
São um prelúdio do meu próximo álbum, sim. São músicas que estão vindo aí já para anunciar esse próximo trabalho, que é um trabalho em que eu mergulho mais profundamente no reggae, que é um estilo musical que faz parte da minha carreira há muito tempo.
Você começou a carreira publicando vídeos no YouTube. Quando olha para trás, como percebe a sua evolução artística e pessoal desde aquele início até hoje?
O que eu percebo de evolução na minha carreira é que eu me sinto uma mulher mais confiante. Por mais que a gente trabalhe para a gente, acho que quando você é artista, às vezes cai na bobeira de tentar agradar as pessoas, e isso se distancia da minha forma de criar.
A internet ainda é, na sua visão, uma das principais portas de entrada para novos talentos na música? Que conselhos daria para quem está começando agora?
Ah, eu acho que a internet, na verdade, é sim um portal, um lugar onde você consegue alcançar pessoas que talvez demoraria mais para alcançar, mas acredito muito que aquilo que acontece de verdade fora das redes acaba se tornando necessário.
O que quero dizer é que a gente tem mais é que se preocupar em se tornar relevante, duradouro e verdadeiro fora da internet. Depois as coisas acabam se complementando.
Em 2021, você foi eleita pela revista Time como uma das Líderes da Próxima Geração, pelo seu impacto racial e social na América Latina. Como você enxerga o papel da representatividade negra na música e na cultura hoje?
Enxergo esse papel da representatividade como algo muito especial e uma responsabilidade muito grande. Ao mesmo tempo em que eu quero realmente tornar pessoas mais felizes com o meu trabalho, também preciso entender que eu sou uma pessoa e não uma instituição de representatividade, e que uma mulher não tem a possibilidade de representar todas as pessoas.
Existe uma grande pressão para que mulheres estejam sempre impecáveis nos palcos e diante das câmeras. Como você lida com essa cobrança estética?
Essa cobrança existe e acho que é muito normal, porque cada vez mais as pessoas têm se tornado mais alienadas em relação àquilo que é real e àquilo que é verdadeiro. Acho que o mais importante é ser feliz e ser por inteiro, e isso é inegociável na minha rotina. Assim como os cuidados com o meu joelho também (risos), porque eu tive uma lesão em 2018, operei em 2019 e isso é uma coisa que eu preciso manter até hoje.
Acho que voltar para a Imperatriz (Leopoldinense) foi uma forma de me colocar nessa função de me reconectar com o meu corpo, que é algo que acaba se rompendo um pouco quando o seu corpo vira casa e alimento de uma criança. E isso eu tenho tentado fazer da melhor forma possível, do jeito mais tranquilo possível, para que eu me sinta sossegada e em paz.















