
No verão, a desidratação volta a acender um alerta que muita gente ainda subestima. Especialistas destacam que a hidratação adequada vai além de matar a sede e chamam atenção para o fato de que algumas mulheres podem ser mais suscetíveis a apresentar sintomas do quadro, seja por características da fisiologia feminina, seja por hábitos que tendem a se intensificar nos dias mais quentes.
A condição surge quando o corpo perde mais líquidos do que consegue repor, comprometendo o funcionamento do organismo. Embora a sede seja um sinal conhecido, nem sempre aparece de forma imediata, o que pode atrasar a percepção do problema. Outros sintomas comuns incluem boca e pele secas, cansaço, dor de cabeça, tontura e diminuição do volume de urina, que costuma ficar mais escura.
— Por questões hormonais, fisiológicas e comportamentais, as mulheres acabam precisando dar um pouco mais de atenção a isso do que os homens — alerta Bruna Felizardo, nutricionista especializada em saúde feminina.
Por que mulheres podem ser mais suscetíveis?
Segundo Ana Julia Monteiro, médica especializada em ginecologia endócrina, fatores individuais influenciam diretamente a forma como o corpo equilibra líquidos. Idade, tipo de alimentação, nível de atividade física, condições de saúde e hábitos do dia a dia podem aumentar as perdas hídricas ou dificultar a reposição adequada, especialmente em períodos de calor intenso.
— Não é que todas as mulheres vão ser mais suscetíveis que todos os homens, mas algumas acabam sendo, principalmente porque têm mais gordura corporal do que eles. Tendo mais gordura, também temos menos água, então toleramos perdas de uma forma menos intensa do que os homens — explica.
Entre as que podem sofrer mais com a condição, a ginecologista cita as grávidas e lactantes, pois os processos de gerar um feto e produzir leite requerem muito líquido. Aquelas que fazem uso de medicamentos diuréticos ou hipotensores também podem precisar de cuidados redobrados com a hidratação. Ainda, sem fazer recortes de gênero, Ana Julia chama atenção para os idosos, que apresentam maior vulnerabilidade à desidratação do que os mais jovens.
Mulheres que não utilizam métodos contraceptivos hormonais (como a pílula ou alguns tipos de DIU, por exemplo) podem perceber variações ao longo do ciclo menstrual que influenciam o equilíbrio de líquidos no organismo. Após o fim da menstruação, com a elevação do estrogênio, o corpo tende a manter melhor esse equilíbrio, o que reduz a sensação de mal-estar típica da desidratação, explica a médica.
— O período do ciclo menstrual em que estamos mais suscetíveis a desidratar é justamente durante a menstruação, porque perdemos líquido junto com o sangue. Por já ter perda de líquido junto ao sangramento menstrual, a desidratação pode ocorrer com mais facilidade nesse período do que no meio do ciclo ou logo após o fim da menstruação — acrescenta.
Comportamentos também influenciam

Além de fatores fisiológicos, comportamentos e hábitos também podem aumentar as chances de episódios de desidratação, especialmente no verão. Entre as mulheres, rotinas intensas, maior exposição ao calor, roupas pouco adequadas ao clima quente e consumo insuficiente de água podem contribuir para que o problema passe despercebido e se manifeste com mais facilidade.
— Nesta época do ano, elas se expõem mais ao sol. Gostam de tomar banho de sol, se bronzear, na praia e na piscina. E, por mais que não sintam sede nesses momentos, o corpo necessita de um aporte maior de água. Não é raro que elas caiam naquela ilusão de que estão consumindo líquidos, como sucos e bebidas alcoólicas, e que, por isso, não há com o que se preocupar — pontua a nutricionista Bruna.
A especialista salienta que nem todo líquido tem o mesmo efeito na hidratação do organismo. Bebidas com cafeína, álcool, chás de efeito diurético e sucos com alto teor de açúcar podem interferir no equilíbrio hídrico, seja por estimular a eliminação de líquidos ou por dificultar a absorção. Em excesso, essas opções aumentam o risco de desidratação, especialmente no verão, quando as perdas de água pelo corpo já são maiores.
Para Ana Julia, aspectos sociais e ambientais também podem impactar negativamente a hidratação das mulheres:
— A sociedade, como um todo, espera que as mulheres tenham menos partes do corpo expostas. Quando um homem está com calor, ele tira a camiseta, na rua mesmo. A mulher não. Então as vestimentas também podem influenciar que as mulheres sejam mais suscetíveis, porque elas precisam lidar com o calor e regular a temperatura corporal de uma forma diferente dos homens.
Como evitar a desidratação
O principal conselho das especialistas é priorizar o consumo de água ao longo do dia. A nutricionista Bruna orienta, como referência, a ingestão de cerca de 35 ml a 50 ml por quilo de peso corporal, ressaltando que essa quantidade pode variar de pessoa para pessoa e deve ser entendida como uma base.
Calcule a quantidade de água necessária
Coloque o seu peso na calculadora e veja o indicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Dicas para manter a hidratação em dia:
- Manter uma garrafa de água sempre por perto para facilitar a fortalecer o hábito
- Beber água ao longo do dia, mesmo sem sentir sede
- Estabelecer metas por período, como um litro pela manhã e outro à tarde
- Usar frutas para deixar a água mais palatável
- Apostar em uma alimentação equilibrada, com frutas e legumes, que também ajudam na hidratação
- Reduzir o consumo de ultraprocessados e alimentos com muito açúcar, que podem diminuir a percepção da sede
- Observar a cor da urina, que tende a ficar mais escura quando a hidratação está insuficiente



