
Torça ou não por Samira, é inegável que a participante do Big Brother Brasil 26 chama atenção pelos looks que resgatam a estética dos anos 2000. Entre minissaias, peças metalizadas, botas de cano longo e faixas na cabeça, a gaúcha de 25 anos já apostava nessa identidade visual antes mesmo de entrar na casa mais vigiada do Brasil.
Samira, porém, não está sozinha. O visual inspirado na virada do milênio voltou a ganhar força recentemente nas redes sociais em uma tendência conhecida como Y2K – sigla para year 2000. No TikTok, a hashtag já ultrapassa 4 milhões de publicações.
Segundo a professora Joeline Lopes, do curso de Moda da Universidade Feevale, o Y2K se adapta perfeitamente às redes porque comunica uma identidade em poucos segundos e, por isso, se dissemina com facilidade.
Além disso, a moda acompanha movimentos culturais mais amplos; em períodos de instabilidade, o consumo tende a buscar referências familiares, como ocorre com o Y2K.
— O retorno dessa estética acontece junto com remakes audiovisuais, revivals musicais e até filtros fotográficos inspirados na época. A nostalgia funciona como uma estratégia psicológica de segurança simbólica, e a roupa passa a materializar essa memória coletiva — explica a docente.
Nesse sentido, os looks de Samira vão além das passarelas: dialogam com a cultura pop e com o imaginário das celebridades que marcaram a década, como Britney Spears, Destiny's Child e Christina Aguilera. É quase a construção de uma “celebridade cotidiana”, inspirada nesses ícones midiáticos.
Para além da tendência
O estilo anos 2000 surgiu na virada do milênio, em paralelo à expansão da internet e à consolidação da cultura das celebridades. Visualmente, combina sensualidade e artificialidade: silhuetas reduzidas, corpo mais exposto, brilho, materiais sintéticos e logotipos evidentes. Tops curtos, minissaias, presilhas coloridas, bandanas, cintura baixa, strass e botas de cano alto são algumas das peças-chave da estética.
Fora da casa do BBB 26, a stylist e produtora de moda Desiree de Souza do Valle, 31 anos, também incorporou o estilo Y2K ao dia a dia. Inspirada em artistas femininas do hip hop, do R&B e em divas pop como Beyoncé e Jennifer Lopez, ela construiu um estilo próprio.
— Acho que a moda é cíclica, e a gente sempre vive esses movimentos de retomada de coisas que já vivemos. Eu era uma criança nos anos 2000. Então, o que me atraiu é ter vivido essa época e poder contar essa história de uma forma diferente agora, em outro lugar — destaca a stylist.
Apesar de trabalhar com moda, Desiree afirma não ser consumista. Muitas das peças que usa já estavam no guarda-roupa antes mesmo do retorno da tendência, grande parte garimpada em brechós.
— Eu amo viver nesse mundo porque dá uma puxada no freio do consumo exacerbado, em que todo mundo copia todo mundo, e faz a gente usar algo que é totalmente diferente, único e identitário — conclui.





