
A morte do príncipe Philip, marido da rainha Elizabeth II que faleceu nesta sexta-feira (9), aos 99 anos, deve impactar o clima na monarquia britânica. O falecimento do duque de Edimburgo ocorre em um momento delicado para a família real, logo após as revelações polêmicas feitas pelo príncipe Harry e sua esposa, a atriz Meghan Markle. A fatalidade, contudo, é vista por especialistas como uma possibilidade de apaziguar os ânimos nos bastidores da realeza britânica.
— Não tenho dúvida que causa uma comoção nacional a perda de uma figura tão presente em uma estrutura monárquica, que se estabelece pela previsibilidade. Afinal de contas, a família real tem um valor simbólico não só para os britânicos, como também para aqueles países que orbitam dentro da chamada comunidade. Em situações dessa natureza, em geral, digo que a morte sempre apaga muitas das rusgas familiares — opinou o doutor em Comunicação Renato de Almeida Vieira e Silva, especialista em assuntos da realeza britânica, em entrevista ao programa Timeline, da Rádio Gaúcha.
Autor do livro God Save the Queen - O imaginário da Realeza Britânica na Mídia, o especialista crê que a fatalidade pode favorecer uma reaproximação da família real com Meghan e Harry. Neto de Philip, Harry era bastante próximo do avô. A expectativa é de que o príncipe dissidente compareça às cerimônias pela morte do marido da monarca.
— A presença de Harry nas cerimônias fúnebres vai amenizar um pouco essas discussões de ordem familiar — projetou. — Ele tinha uma ligação muito forte com o avô. E vale lembrar que a rainha Elizabeth, no comunicado logo após a entrevista que Harry e Meghan deram à televisão americana, colocou que (os Sussex) são membros queridos da família real, apesar de não desempenharem papéis públicos dentro daquilo que é atribuído a cada um deles. Portanto, ele vai participar do enterro do avô. Não há nenhum impedimento para isso.
Conhecido por sua franqueza, por vezes considerada excessiva, e algumas declarações polêmicas, Philip ainda assim era uma figura simpática aos britânicos. Para o pesquisador, a consciência do Duque de Edimburgo quanto ao papel coadjuvante ocupado por ele na monarquia, em relação ao posto da esposa, foi fundamental para a manutenção da previsibilidade real.
— Ele aprendeu a lidar com seu papel e isso é muito importante. O sentido de dever dos dois (Philip e Elizabeth) foi o que garantiu essa estabilidade no próprio casamento. Até porque há de se levar em conta que as obrigações de um rei ou de uma rainha não são fáceis, é um papel muito solitário, muito exigido, e tem uma série de obrigações.
Philip, que há alguns anos tratava problemas de saúde ligados ao coração, ainda não teve a causa de sua morte revelada. A hipótese mais levantada é de que o falecimento tenha relação ao quadro clínico do príncipe.
— Normalmente, dentro da família real não se revela exatamente detalhes sobre a questão de tratamentos, estado de saúde, causa da morte. Isso já é bastante tradicional — explicou Vieira e Silva, relembrando o recente quadro clínico do Duque de Edimburgo:
— Ele passou por uma cirurgia bastante delicada, tanto que foi transferido de um hospital para outro cuja especialidade era justamente doenças do coração. E ele já tinha feito anteriormente o desentupimento das artérias. Então, é muito provável que, em função da idade muito avançada e de ele ter passado por vários procedimentos, ele tenha tido uma morte natural.





