
Com a chegada do verão, cresce a busca por dietas ou exercícios que ajudar a perder peso em tempo recorde. Na internet, pesquisas sobre “suplementos para reduzir gordura abdominal” e propagandas de “como secar a barriga em poucos dias” chamam a atenção de quem está insatisfeito com o próprio corpo. Especialistas reforçam que não existem fórmulas milagrosas e que muitas das soluções oferecidas nas redes sociais carregam riscos desnecessários à saúde.
O desejo por uma barriga “chapada”, bastante comum, nasce da pressão estética e da falsa ideia de que existe um corpo ideal para aproveitar o verão. Alcançar esse tipo de resultado costuma exigir mudanças consistentes na alimentação e na rotina de exercícios físicos, algo que dificilmente se concretiza em poucos dias, pontua a nutricionista e especialista em emagrecimento Gabriela Soares.
— Essas promessas da internet até podem ajudar a pessoa a notar uma diferença, dependendo de quantos quilos ela quer perder. Em cinco ou 10 dias, a pessoa até consegue diminuir o peso na balança, porque muda a dieta e desincha, ou perde bastante líquido. Mas não perde gordura, porque não tem como perder gordura abdominal em poucos dias — salienta.
Para algumas pessoas, a simples redução do inchaço e de alguns quilos ligados à retenção de líquido já é suficiente para deixar a aparência da barriga mais satisfatória. A especialista pondera que, para outras, porém, alcançar mudanças perceptíveis exige um processo mais longo, com ajustes contínuos na alimentação e mais tempo de dedicação até que os resultados desejados realmente apareçam.
Dietas malucas podem ter efeito contrário
Os métodos mais populares divulgados na internet por influenciadores e leigos incluem cortar carboidratos de forma abrupta, substituir refeições por shakes de proteína ou adotar cardápios extremamente restritivos, que excluem grupos inteiros de alimentos. Por mais que as estratégias pareçam atalhos para os resultados rápidos, os riscos preocupam profissionais da área da saúde.
Gabriela esclarece que essas práticas podem provocar cansaço intenso, queda de desempenho físico, problemas cardiovasculares e deficiências nutricionais importantes, especialmente quando reduzem vitaminas e minerais essenciais. Além disso, a perda rápida de peso tende a ser insustentável, o que favorece o efeito rebote e leva muitas pessoas a recuperar o que foi perdido.

— A pessoa consegue fazer essas táticas, de cortar carboidrato ou priorizar líquidos, por poucos dias. Vai perder alguns quilos em sete dias e, depois, nos próximos sete, ganha tudo de volta. Vira um ciclo vicioso: passa o inverno todo colocando o pé na jaca, como dizem, e no verão faz dieta maluca para perder, correndo vários riscos. O emagrecimento não compensa quando é temporário. Tem que ter estratégias para que isso seja duradouro, faça parte do estilo de vida da pessoa — defende a nutricionista.
Algumas práticas citadas na internet, como reduzir o consumo de álcool, açúcar e de alimentos ultraprocessados, podem ser benéficas a longo prazo, já que esses itens não são recomendados para uma alimentação equilibrada. A especialista reforça, porém, que eliminar completamente esses ou outros alimentos da rotina tende a ser arriscado e pode provocar o efeito contrário do desejado, aumentando a chance de episódios de compulsão alimentar e de abandono precoce da dieta.
— As pessoas têm que lembrar que o “corpo de verão”, como gostam de chamar, tem que ser construído desde o inverno. Dez ou 15 dias antes do Natal e do Ano Novo não vão trazer resultados saudáveis e duradouros. Temos que pensar lá na frente, na saúde, não somente na aparência que queremos para agora — pondera.
Rotina de exercícios intensos exige cuidado
Para perder a barriga e garantir resultados seguros, a personal trainer e instrutora de pilates Daniele Machado afirma que a combinação entre alimentação equilibrada e exercícios físicos é o caminho mais eficaz. Segundo ela, não há benefício em adotar rotinas extremas, como séries exaustivas de abdominais ou treinos intensos sem preparo, já que esse tipo de prática sobrecarrega o corpo e pode causar lesões.
— Existe muito esse desespero de final de ano. Mas não é possível secar a pochete e melhorar a aparência do abdômen sem um planejamento adequado. Adotar uma rotina intensa de exercícios físicos do dia para a noite gera risco de lesões. A pessoa pode machucar o joelho, a coluna, romper um ligamento, desenvolver uma lombalgia, que são as dores na coluna sem diagnóstico específico. Além disso, pode aumentar a resistência à insulina e desenvolver esse efeito sanfona, dificultando o emagrecimento saudável no futuro — afirma a especialista.
O consenso entre as especialistas é que “o abdômen se constrói na cozinha e na academia”, por meio de um protocolo individualizado que combine uma dieta com restrição calórica adequada a cada pessoa e um treino compatível com a rotina e o condicionamento físico. Daniele reforça que esse processo é demorado e exige persistência para que os resultados apareçam de forma segura e sustentável.




