
Nas últimas décadas, o design mobiliário brasileiro vem conquistando um protagonismo cada vez mais evidente, tanto no mercado nacional quanto no cenário internacional. Impulsionado por uma combinação singular de criatividade, domínio técnico e valorização de materiais locais, o país vive um momento de forte reconhecimento do design autoral, aquele que carrega identidade, narrativa e assinatura própria. Em meio a um movimento global que busca originalidade, sustentabilidade e produção com propósito, peças criadas por designers brasileiros ganham destaque por traduzirem a diversidade cultural do país em formas, texturas e soluções inovadoras para o morar contemporâneo.
Esse cenário também reflete uma mudança de percepção do público e do mercado. Mais do que objetos funcionais, o mobiliário passa a ser entendido como expressão cultural, investimento e obra de arte aplicada ao cotidiano. A valorização de processos artesanais aliados à prahecisão industrial, bem como a busca por peças atemporais e de produção consciente, reforça a relevância do design nacional e estimula o surgimento de galerias e espaços dedicados exclusivamente à curadoria de criações brasileiras.
É dentro desse contexto de valorização do design autoral e da potência criativa do país, que surge a nova fase da Casa de Alessa. A loja de mobiliário, conduzida pelas sócias-fundadoras Claudete Tavares, Janaina Tavares e Ulyana Capucci, consolida mais de dez anos de trajetória com a inauguração de uma nova sede. Localizada na Avenida Carlos Gomes, 437, no bairro Mont’Serrat, em Porto Alegre, a galeria tem cerca de 2 mil metros quadrados e pretende reunir o maior acervo de design exclusivamente brasileiro do Estado.
– A nova sede atua como um manifesto de brasilidade que dá escala à produção nacional, elevando o design brasileiro ao status de arte e também de ativo de investimento. É a prova de que o país produz mobiliário de classe mundial, capaz de competir tecnicamente com qualquer escola internacional, sem perder nossa singularidade e inteligência criativa – ressalta a sócia-fundadora da Casa de Alessa, Claudete Tavares.
Design em destaque
O projeto da nova loja da Casa de Alessa é assinado pela AT Arquitetura e parte do conceito de um “cubo branco”. Na prática, a edificação foi pensada para trabalhar com luz natural, que entra em todos os ambientes filtrada pelos painéis arquitetônicos translúcidos da fachada. Internamente, o showroom foi concebido para ser uma base branca, dando protagonismo ao mobiliário.
– Essa arquitetura neutra e atemporal atua apenas como pano de fundo, eliminando interferências visuais para que o design brasileiro brilhe de forma absoluta. A fachada banha as peças com luz natural protegida, e a ausência de paredes fixas permite que as peças sejam expostas em livings completos, convidando o visitante a uma descoberta tátil e visual que exalta a beleza, os materiais e o esforço técnico invisível de cada criação – explica Claudete.
Curadoria de ponta
Na nova sede, a Casa de Alessa reúne alguns dos principais nomes do design brasileiro, com um acervo ainda mais amplo que contempla profissionais consagrados e novos talentos. Entre eles, estão:
- Alva Design;
- Ricardo Fasanello;
- Guto Indio da Costa;
- Mula Preta;
- Roberta Banqueri;
- Arthur Casas;
- Wentz Design;
- Zanini de Zanine.
Em relação à organização do mobiliário, a nova loja segue uma lógica de ambientes. Em todos os andares, o público encontrará espaços com composições completas, áreas dedicadas a designers específicos e ambientes de curadoria mista.

Embora mantenha o mobiliário como eixo central, a Casa de Alessa também passará a trabalhar com algumas categorias complementares. A nova sede permitirá expandir a presença de luminárias e objetos de decoração, atendendo a uma demanda recorrente de arquitetos e designers de interiores que acompanham a marca.
Outro diferencial é que a seleção de peças não será fixa nem hierarquizada. A galeria contará com espaços expositivos dinâmicos, que se transformarão ao longo do ano para apresentar diferentes narrativas, coleções e recortes curatoriais, acompanhando o momento da marca, dos designers e do mercado.
– O processo de escolha parte de uma escuta ativa e contínua, que busca separar o efêmero do essencial. Nossa curadoria não segue tendências. Procuramos peças atemporais, avaliando a excelência construtiva, a inteligência da função, o uso de matérias-primas nobres e a verdadeira união entre o saber artesanal e a precisão industrial – afirma a executiva.

Um espaço de experiências
Mais do que uma loja tradicional, a nova Casa de Alessa visa transcender a função comercial para operar como um polo cultural de encontro, conteúdo e experiência. O rooftop, por exemplo, foi concebido para ser um espaço de trocas de conhecimento entre profissionais. A marca ainda se concentra em espaços dedicados à literatura de arte e moda e na expansão do ecossistema para conteúdos audiovisuais, como séries no YouTube e no Spotify.
– Impulsionadas por uma projeção de crescimento de 150% no próximo triênio, planejamos expandir nosso portfólio em categorias complementares. Entre os próximos passos estão intensificar os encontros educativos e reflexivos e ampliar nossa relevância em projetos corporativos e residenciais de alto padrão. Nosso objetivo é continuar educando o olhar do mercado, fomentando um ecossistema ético e mostrando que investir na permanência e na sustentabilidade do design original é a escolha mais rica para o futuro do morar – conclui Claudete.





