
Basta um olhar mais atento ao espelho para notar pequenas manchas que surgem no rosto, no colo ou em outras partes do corpo. Queixas frequentes nos consultórios dermatológicos, elas podem refletir diferentes processos da pele, como danos solares, inflamações ou alterações hormonais. Em muitos casos, também alteram a aparência e impactam a autoestima.
Entre os quadros mais comuns estão o melasma, as manchas solares, as de envelhecimento e a hiperpigmentação pós-inflamatória (HPI), que pode surgir após acne, irritações na pele ou queimaduras. Embora tenham origens diferentes, todas resultam de alterações na produção de melanina, o pigmento responsável pela cor da pele.
Os avanços nos cuidados com a pele, tanto em rotinas de skincare quanto em procedimentos estéticos, ampliaram as alternativas para remover ou amenizar muitas dessas manchas. A dermatologista Fernanda Musa, no entanto, destaca que a escolha do tratamento exige cautela:
— É algo bem complexo. Por isso, é bem importante a avaliação do dermatologista com o dermatoscópio (aparelho utilizado para examinar lesões de pele). Assim, conseguimos identificar qual o tipo de mancha que o paciente tem. Com o diagnóstico correto, podemos pensar se precisa de um clareador, de algum procedimento ou se só um bom protetor solar já resolve.
Tipos de manchas na pele
A exposição excessiva ao sol é um dos principais fatores responsáveis por essas lesões. Segundo a dermatologista Gabriela Maldonado, esse hábito estimula os melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina – o pigmento que dá cor à pele.
A melanina funciona como uma defesa natural contra a radiação ultravioleta. Quando a pele recebe sol em excesso, essas células passam a produzir mais pigmento como forma de proteção, o que pode levar ao surgimento de manchas.
— Dentro das manchas solares, há diferentes tipos. As sardas, por exemplo, costumam estar relacionadas a uma tendência genética da pessoa. Já o melasma é uma doença inflamatória, que envolve um processo inflamatório na pele, com formação de vasos naquela região, além de ter influência hormonal — acrescenta.

Há, ainda, as chamadas manchas de idade, também conhecidas como melanoses. De coloração castanha e benignas, costumam aparecer em áreas como rosto, colo e braços. Apesar do nome, estão relacionadas principalmente à exposição solar acumulada ao longo da vida — e não apenas ao envelhecimento.
— A paciente diz que são manchas de idade, mas, quando olhamos a barriga dela, não tem nada. A barriga tem a mesma idade do rosto, mas não apresenta essas marcas porque é uma área que costuma ficar coberta. Então, trata-se de uma mancha solar. O fator do envelhecimento aparece porque a pessoa tem mais anos de exposição, e isso acaba acumulando essas alterações ao longo da vida — afirma Gabriela.
As verdadeiras manchas senis são as ceratoses seborreicas, explica Fernanda. São lesões benignas que se formam a partir da proliferação de células da camada mais superficial da pele, geralmente associada ao envelhecimento e à predisposição genética.
Já a HPI é uma alteração da pele que surge após algum processo inflamatório, como acne, alergias, irritações ou pequenas lesões. A inflamação estimula os melanócitos a produzirem mais melanina, o que pode deixar manchas mais escuras na área afetada. Essas marcas podem permanecer na pele por semanas ou meses, especialmente se houver exposição solar, garante a médica.
— As manchas de acne entram na categoria de hiperpigmentação pós-inflamatória. É uma lesão que inflamou demais, que é a acne em si, e acaba fazendo essa mancha meio escurecida, meio acinzentada. Ou, às vezes, vemos alguns problemas de laser, de procedimentos estéticos. A pessoa faz um laser mais forte e fica com aquelas manchas quadradinhas no rosto — exemplifica Fernanda.
Opções de tratamento caseiras e de consultório
Para remover ou amenizar a aparência das manchas, os tratamentos podem envolver diferentes abordagens, que vão desde cuidados feitos em casa até procedimentos realizados em consultório. Entre eles estão o uso de cremes e ativos que ajudam a clarear ou uniformizar o tom da pele, além de técnicas dermatológicas como peelings químicos, lasers e, em alguns casos, a remoção de lesões.
A escolha do método mais adequado depende do tipo de mancha, da causa e das características da pele de cada pessoa. Quando há suspeita de câncer de pele, a remoção cirúrgica da lesão, seguida de biópsia, pode ser a opção mais indicada. Fernanda pontua que, em alguns casos de ceratose seborreica, a solução é realizar a curetagem, procedimento que utiliza um instrumento chamado cureta para remover a lesão.
— Normalmente, quando falamos em manchas, as pessoas já pensam direto em cremes clareadores. Mas, na verdade, não funciona para tudo. Manchas causadas por procedimentos ou pelo melasma, por exemplo, melhoram com o uso de protetor solar. Além disso, ele evita a piora da hiperpigmentação pós-inflamatória e também previne o câncer de pele, então é muito necessário — alerta.
Fernanda explica que, ao bloquear ou reduzir a ação da radiação ultravioleta, o protetor evita que os melanócitos sejam estimulados novamente. Com isso, impede que a mancha escureça e permite que os tratamentos e o processo natural de renovação da pele auxiliem a clareá-la ao longo do tempo.
No consultório dermatológico, procedimentos como laser, peeling e microagulhamento ajudam a melhorar a estrutura da pele, segundo Gabriela. De acordo com a especialista, essas técnicas favorecem a renovação celular e a descamação controlada da pele, contribuindo para melhorar o ambiente cutâneo e, consequentemente, a uniformidade da cor.
— O laser pode ajudar em muitos tipos de mancha, mas é preciso ter cuidado com o melasma, porque ele é sensível à luz e tem caráter inflamatório. Normalmente, o laser não é a primeira opção. Para melasma e melanose, por exemplo, o peeling pode ser uma boa alternativa — avalia a dermatologista.
Quando indicados, os cremes clareadores podem ser bons aliados no tratamento dessas lesões em casa. São combinações de substâncias, como ácido retinoico, hidroquinona e tiamidol, que, quando associadas, ajudam a reduzir a produção de melanina e a acelerar a renovação celular, contribuindo para suavizar as manchas.
Embora esses produtos sejam vendidos em farmácias e lojas de cosméticos, as especialistas reforçam que o ideal é ter acompanhamento médico. De forma simples, elas destacam que nem todos os tratamentos funcionam para todos os tipos de manchas. A avaliação dermatológica é importante para identificar a lesão e definir quais opções são mais indicadas em cada caso.

