
Menos exagero, mais critério e resultados que não denunciem o procedimento. Para 2026, especialistas acreditam que o foco de quem busca tratamentos estéticos continuará na valorização da beleza natural e de técnicas discretas, alinhadas ao conceito de quiet beauty. Além disso, a tendência indica um maior interesse por intervenções personalizadas que priorizem a saúde da pele e estímulos biológicos.
— A tendência de querer algo mais natural está mais em alta do que em 2025. Agora, para 2026, está em voga aquela beleza sem transformações drásticas, que tu sabes que tem alguma coisa por trás, mas não sabe dizer exatamente o que foi feito. A ideia desses procedimentos que vão ser mais procurados nos consultórios é fazer parecer que a pessoa nasceu linda daquela maneira — afirma a dermatologista Paula Klein.
Esse movimento reflete uma mudança clara no comportamento de quem procura procedimentos estéticos, aponta a médica. Resultados exagerados, padronizados ou facilmente identificáveis passaram a abrir espaço para uma revisão do que foi feito nos últimos anos, quando estavam em alta. Neste contexto, cresce a busca pela remoção de preenchedores e pelo ajuste ou refinamento de intervenções anteriores, em um esforço para recuperar traços individuais.
A lógica da naturalidade se espalha por todo o universo da estética. Vale para o rosto, para o cabelo, para o corpo e também para as cirurgias plásticas, que ganham novas técnicas para ampliar as possibilidades de tratamento. O relatório global da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS, na sigla em inglês), lançado no ano passado, indica crescimento tanto dos procedimentos cirúrgicos quanto dos não cirúrgicos.
O levantamento aponta, ainda, que a lipoaspiração segue como o procedimento cirúrgico mais realizado entre as mulheres, seguida por cirurgias de pálpebras e aumento mamário. Entre os homens, a blefaroplastia (para remover excesso de pele e flacidez) lidera, à frente de intervenções para ginecomastia (aumento do volume das mamas masculinas) e correção de cicatrizes. Entre os procedimentos não cirúrgicos, a toxina botulínica permanece como a técnica mais aplicada em ambos os gêneros, seguida pelos preenchimentos com ácido hialurônico.
Tendências para o rosto
Para o rosto, 2026 deve consolidar uma estética guiada pela sutileza e pela qualidade da pele. Desde o ano passado, Paula relata que percebeu um aumento na popularidade de procedimentos que estimulam o colágeno e melhoram a textura, a firmeza e o viço, com resultados progressivos e naturais, além de técnicas que reposicionam e sustentam os tecidos sem alterar os traços.

A toxina botulínica nunca sai de moda, garante a dermatologista. O que muda é a forma de aplicação. Neste ano, ela acredita que a procura será por um botox mais sutil. Ou seja, intervenções que não imobilizem completamente o rosto. Para obter esse resultado, fatores como a marca da toxina e os pontos onde é aplicada devem ser considerados, acrescenta a especialista.
— É bem frequente esse pedido no consultório: “não me deixa travada”. A tendência agora é um botox que não marque as linhas de expressão. A pessoa segue erguendo a sobrancelha ou mostrando que está brava ou feliz. A movimentação, principalmente ao redor dos olhos, continua acontecendo, mas sem deixar marcas de expressão na pele — explica Paula.
Os bioestimuladores de colágeno devem seguir em alta, uma vez que podem promover firmeza e rejuvenescimento sem mudanças bruscas na aparência. Aplicados em pontos estratégicos, essas substâncias injetáveis atuam estimulando a produção natural de colágeno pelo próprio organismo, melhorando gradualmente a sustentação, a textura e a qualidade da pele do rosto. O efeito é considerado progressivo e duradouro.
O microagulhamento associado a ativos regenerativos, como o PDRN e os exossomos, também ganha destaque por estimular a renovação da pele de forma controlada e biológica, afirma a médica especializada em estética Camila Romano. A técnica utiliza microagulhas para criar canais que facilitam a absorção dessas substâncias, potencializando a regeneração celular, a produção de colágeno e a melhora da textura e do viço do rosto.
Apesar da busca crescente pela remoção de preenchedores, eles seguem sendo indicados e procurados em intervenções pontuais, quando fazem sentido para necessidades específicas, garante Camila, que também é responsável por uma clínica procedimentos estéticos em Porto Alegre:
— Os preenchedores servem para repor volume e melhorar contornos faciais, tanto do queixo e da mandíbula, que os homens gostam de um formato mais quadrado para a harmonização facial. Para as mulheres, o preenchimento das maçãs do rosto, que é o top model look, como chamamos, na região do blush, de olheiras e, claro, dos lábios.
Além disso, a procura por peelings químicos e tecnologias a laser deve marcar 2026 como um ano ainda mais voltado à saúde da pele. Esses tratamentos ganham espaço por atuarem no controle de manchas, na uniformização do tom, na redução de poros e linhas finas, além de estimularem a renovação celular e produção de colágeno.

A lógica segue a mesma: tratar a pele na origem, fortalecer a qualidade e alcançar resultados visíveis sem recorrer a mudanças artificiais.
— Minhas pacientes estão buscando, cada vez mais, procedimentos com recuperação rápida, que deem para sair do consultório apenas com uma base ou um protetor solar com cor, como se não tivessem feito absolutamente nada. Elas não querem nada que as deixe dois ou três dias de repouso, com inchaço ou marcas. Querem fazer o procedimento e seguir trabalhando no mesmo dia, sem aparentar nada — acrescenta Paula.
Cirurgias plásticas na era da naturalidade
As cirurgias plásticas faciais seguem tendo um papel importante para quem busca corrigir aspectos estruturais do rosto ou mudanças que não respondem apenas a procedimentos minimamente invasivos. Intervenções como rinoplastia e ritidoplastia, popularmente conhecida como lifting facial, continuam sendo opções bastante procuradas.
Em 2026, porém, essas cirurgias também passam a dialogar mais com a questão da flacidez, surgindo como alternativa para casos em que a perda de sustentação exige abordagens mais profundas e duradouras, defende o chefe do Serviço de Cirurgia Plástica da Santa Casa de Porto Alegre, Rodrigo Fadanelli. Dentro dessa tendência, ele ressalta uma nova técnica que ganha força:
— É o uso difundido da gordura, submetida a alguns tratamentos especiais. Quando enxertada, não vai só dar volume, mas vai produzir uma melhora significativa da pele e do contorno, seja do rosto ou do corpo.
Fadanelli complementa que é um tratamento realizado em bloco cirúrgico, minimamente invasivo:
— Tem sido utilizado em cirurgias da face como coadjuvante para melhorar o resultado de outras intervenções, já que a gordura carrega junto células que têm capacidade de regeneração e de estimulação do colágeno.
Já no corpo, a tendência também aponta para resultados mais proporcionais. Técnicas como a lipoaspiração de alta definição, marcada por abdômens desenhados, perdem espaço para abordagens que priorizam contornos mais suaves e harmonia com o biotipo, ressalta o cirurgião plástico. O mesmo vale para as próteses de silicone, que passam a ser escolhidas em tamanhos menores e formatos mais compatíveis com a estrutura corporal de cada paciente.
Mas, para Fadanelli, o que irá marcar 2026 são as cirurgias voltadas à correção de queixas decorrentes de processos intensos de emagrecimento, como os decorrentes de cirurgias bariátricas ou com o uso de medicamentos agonistas do receptor GLP-1 (Ozempic, Mounjaro e Wegovy, etc.).
— Tanto a bariátrica quanto o uso dessas canetas emagrecedoras deixam consequências. Os pacientes têm buscado correção para problemas como flacidez de pele, tanto no rosto quanto no corpo. Também há procura por mastopexia com colocação de prótese, indicada quando há queda da mama — afirma o especialista.
Outras opções para o corpo
A preocupação com as sequelas do emagrecimento acelerado também se reflete no crescimento de soluções não cirúrgicas voltadas à melhora da flacidez e da qualidade da pele. Essas abordagens surgem como alternativas ou complementos às cirurgias, ampliando o leque de possibilidades para quem busca recuperar contorno e sustentação de forma progressiva e menos invasiva.
— Por conta dessas medicações, as pessoas emagrecem muito rápido. Então, usamos bastante o bioestimulador, que é o ácido polilático, junto ao preenchedor, o ácido hialurônico, em regiões como bumbum, braços, parte interna da coxa, abdômen e rosto.
Segundo Camila, os métodos servem para melhorar a flacidez e proporcionar um efeito lifting:
— É como se o procedimento desse uma coladinha na pele, para a região não ficar tão flácida. Também melhora queixas como o umbigo triste e a celulite, por exemplo.
Tecnologias como ultrassom, radiofrequência e lasers corporais também ganham espaço por ajudarem a estimular o colágeno, melhorar a textura e promover maior firmeza. Para a dermatologista Paula Klein, a remoção de tatuagens, que ganhou popularidade nos últimos anos, deve continuar sendo procurada:
— Isso nunca vai sair de moda, porque sempre vamos ter os arrependidos da adolescência. O bom é que hoje temos alternativas boas de remoção.
Preocupação com cabelo também é tendência
Os transplantes capilares seguem em trajetória de crescimento e devem continuar na lista de procedimentos mais procurados. Indicados tanto para homens quanto para mulheres, eles abrangem desde o couro cabeludo até áreas como as sobrancelhas, atendendo a queixas relacionadas à queda, afinamento ou falhas nos fios.
— Homens procuram porque é sinônimo de virilidade, para se sentirem mais homens, por causa da calvície. Para mulheres, é a questão da autoestima. Elas também podem apresentar alopecia androgenética feminina, que é a calvície feminina, e fazem para dar densidade na região onde elas dividem o cabelo ou nas entradas. Muitas mulheres têm a testa alongada e querem baixar um pouco a hairline, que é essa primeira linha do cabelo — explica Camila.
A especialista assegura que, atualmente, há técnicas que não requerem raspar todo o couro cabelo ou as sobrancelhas para realizar o transplante. A médica pontua, ainda, que, nesta área, a busca também é por resultados mais naturais.
— O que deixa o transplante assim, mais natural, é a definição da hairline, que é a primeira linha do cabelo. Eu faço a marcação, voltada para o que o paciente era no passado, e também peço para eles franzirem a testa para que dê para ver e respeitar a musculatura frontal — acrescenta.


