
Celulite, vasinhos aparentes, gordura localizada e flacidez costumam estar entre as queixas mais comuns de mulheres insatisfeitas com a aparência das pernas. Consultórios médicos e clínicas estéticas oferecem uma série de tratamentos para melhorar a saúde e o visual da região inferior do corpo. Como o leque é amplo, especialistas recomendam uma avaliação cuidadosa para escolher o procedimento mais adequado.
Algumas intervenções, como cirurgias de varizes e de lipedema, têm indicação médica clara e são realizadas para aliviar sintomas, melhorar a circulação e promover qualidade de vida. Outras abordagens, como procedimentos voltados à melhora da textura da pele, da firmeza, do contorno ou da redução de gordura localizada, não tratam doenças e têm finalidade estética, exigindo alinhamento de expectativas.
— Aqui, no consultório, de cada 10 pacientes mulheres, nove se queixam de varizes. É o que mais atendo. O lipedema é uma doença mais nova, por assim dizer, e tem aparecido bastante no consultório, principalmente pela parte estética, mas a pessoa também pode ter hematomas espontâneos e sentir dor, ficar com a pele sensível ao toque — afirma Ledwyng David Gonzalez, cirurgião vascular do Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade Católica de Rio Grande do Sul (PUCRS).
Por saúde
Varizes nas pernas são veias dilatadas e tortuosas que surgem quando as válvulas responsáveis por fazer o sangue retornar ao coração não funcionam adequadamente, provocando acúmulo de sangue, dor, inchaço e sensação de peso. O tratamento varia conforme o grau do problema e pode incluir mudanças de hábitos, uso de meias de compressão, medicamentos para aliviar sintomas, procedimentos minimamente invasivos, como escleroterapia e laser, ou cirurgias em casos mais avançados.
Gonzales explica que alguns tratamentos, especialmente os indicados para quadros considerados mais graves, costumam ser cobertos pelos planos de saúde. Já os procedimentos como a escleroterapia – técnica em que uma substância é aplicada diretamente na veia doente para fechá-la –, além de laser ou radiofrequência, precisam ser pagos pelo paciente. Em alguns casos, a sessão pode chegar a R$ 600.
— Dependendo do paciente, precisa fazer mais de uma sessão. Além do procedimento, a pessoa precisa se exercitar, controlar o peso e usar meias de compressão. Uma vez por ano, seguimos fazendo o tratamento, porque novos vasinhos podem ter o mesmo problema e ficar evidentes e incomodar novamente. Mas as técnicas costumam ter resultado duradouro e permitir que a gente trate mais vasos ao mesmo tempo, sem tanta dor — acrescenta o especialista.
O lipedema é uma doença crônica caracterizada pelo acúmulo desproporcional de gordura nas pernas, geralmente acompanhado de dor, inchaço e sensibilidade ao toque. Para o manejo dos sintomas, as opções incluem medidas clínicas, como acompanhamento médico, uso de meias de compressão e controle dos sintomas. Em casos selecionados, no entanto, há indicação cirúrgica, afirma Gonzalez:
— É uma condição muito comum em mulheres. O procedimento é bem parecido com a lipoaspiração, só que são usadas cânulas mais finas para tirar essa gordurinha que está acumulada em lugares que não deveria e que causa essa inflamação. Mas, por ser uma doença específica, o tratamento é mais complexo, requer um acompanhamento multidisciplinar com endocrinologista, cirurgião vascular, fisioterapeuta e nutricionista, por exemplo — alerta.
Por estética
Também existem opções voltadas a quem deseja cuidar da aparência das pernas. Com o passar do tempo, muitas mulheres relatam mudanças como flacidez, irregularidades na pele, perda de contorno e excesso de gordura. Segundo a fisioterapeuta dermatofuncional Cristiane Lupinacci, esses fatores estão ligados ao envelhecimento natural, às variações hormonais e ao estilo de vida, podendo impactar a autoestima.
— A celulite é uma das principais queixas que recebo. A maioria das clientes que atendo têm mais de 50 anos, então elas falam do envelhecimento das pernas, que percebem muita flacidez na parte interna da coxa. Podemos usar a radiofrequência (procedimento que causa um processo inflamatório no tecido para estimular a firmeza) ou a corrente russa (estimulação muscular por corrente elétrica) — explica a especialista, que atua em uma clínica estética em Porto Alegre.
Ela cita outros procedimentos comuns, como o vibrocell, aparelho que realiza uma massagem mecânica na pele e, associado a cremes ativadores, ajuda a reduzir o aspecto de casca de laranja causado pela celulite. Para a mesma queixa, há ainda o ultrassom cavitacional que, segundo Cristiane, contribui para a diminuição da celulite, da gordura localizada e da flacidez.
Outra opção, chamada de carboxiterapia, consiste na aplicação de gás carbônico sob a pele para melhorar a oxigenação dos tecidos e reduzir gordura localizada, flacidez e até mesmo a aparência de estrias. A especialista afirma que também é possível tratar algumas queixas com o auxílio de massagens, como a drenagem linfática ou a modeladora.
Na Capital, sessões desses tratamentos podem ser encontradas a partir de R$ 170. Cristiane explica que o caso de cada paciente deve ser cuidadosamente analisado antes da definição do protocolo ideal:
— Às vezes, precisa de duas sessões, em outros casos, precisa mais. Para a maioria, recomendamos 10 sessões, porque a pessoa começa a notar resultados, acaba gostando, mantém o cuidado ao longo do ano e sente essa sensação de bem-estar e autocuidado. Mas é um trabalho coletivo. Não adianta fazer os procedimentos estéticos e continuar sendo sedentária e seguindo uma dieta totalmente desregrada. Tudo isso precisa ser levado em consideração.
Ambos os especialistas reforçam que, antes de qualquer procedimento estético ou cirúrgico, é fundamental passar por uma avaliação médica para identificar possíveis contraindicações e garantir a segurança dos tratamentos.

