
Máscaras de compressão e adesivos faciais têm ganhado espaço nas redes sociais ao prometer efeitos de lifting e botox no rosto sem procedimentos estéticos. Especialistas alertam que essas soluções caseiras não apresentam eficácia comprovada e, embora os riscos sejam considerados baixos, podem provocar incômodo e frustração com os resultados.
Na internet, os produtos são anunciados como alternativas acessíveis para solucionar queixas comuns. De um lado estão os adesivos, que incluem desde versões desenvolvidas para uso facial até improvisações com fita crepe feitas em casa, aplicadas com a ideia de “puxar” o rosto. De outro, as máscaras de compressão facial envolvem o queixo e a região inferior do rosto, exercendo pressão contínua para tentar redefinir o contorno facial.
— Esses patches, como chamam os adesivos, podem ser de silicone ou ter hidratantes e ácidos. Até dão aquela grudadinha na pele e desamassam um pouco, tentando criar um efeito lifting, mas é temporário e superficial. As faixas também têm apenas um efeito mecânico, mas não vão trabalhar a estrutura da pele. Essas coisas não têm fundamento científico, são “frufrus” da indústria — avalia a dermatologista Rochelle Maciel.
Como os adesivos e máscaras para a pele funcionam?
De acordo com os anúncios desses produtos, ao fixar a pele, o adesivo limitaria a movimentação da região e impediria que expressões faciais involuntárias, que acontecem principalmente durante o sono, como franzir a testa ou apertar os olhos, causassem marcas permanentes. A ideia é tentar reduzir a formação das chamadas linhas de expressão dinâmicas.
Segundo a dermatologista Clarissa Barlem Hohmann, existem opções mais temporárias ainda, como adesivos quase invisíveis que podem ficar por baixo da maquiagem. Nesses casos, o intuito é esticar e firmar determinadas áreas do rosto para algum evento ou ocasião específica.
— O objetivo desses, e dos caseiros, é o mesmo: colar para não estimular o surgimento das rugas. Se bloquearmos a força daquele músculo, de uma forma suave e transitória, vai ter um efeito. Mas não é duradouro como o botox, por exemplo, que age na musculatura e reduz a contração que gera as linhas de expressão — acrescenta.
Já as faixas e máscaras de compressão facial atuariam ao envolver o rosto e o pescoço com pressão contínua, mantendo a região mais “elevada” e estável por determinado período. Essa compressão teria o objetivo de conter a flacidez e redistribuir temporariamente os tecidos, criando a aparência de uma mandíbula mais definida e de redução da papada.
A técnica ficou famosa após a marca Skims, da influenciadora norte-americana Kim Kardashian, lançar uma versão do produto e encorajar as consumidoras a usá-lo frequentemente para melhores resultados.
Por que essas técnicas são procuradas?
As queixas que motivam a busca por soluções rápidas surgem, em grande parte, como parte do processo natural de envelhecimento da pele. Com o passar do tempo, há redução na produção de colágeno e elastina, proteínas responsáveis pela firmeza e sustentação do rosto.
Clarissa acrescenta que essas mudanças podem fazer com que a pele fique mais fina, menos elástica e mais suscetível ao aparecimento de rugas e linhas de expressão, especialmente em áreas muito movimentadas, como colo, testa, olhos e boca:
— A partir dos 30 anos, todas as pessoas começam a perder mais colágeno. Se a pessoa não tem hábitos saudáveis, como tabagismo, etilismo (consumo de bebida alcoólica), ou até hábitos considerados excessivamente saudáveis, como praticar atividade física em excesso, pode ter uma perda maior. Então o estilo de vida influencia nessa sensação de flacidez e derretimento do rosto.
Além disso, com o passar do tempo, a gordura do rosto tende a se deslocar e a perder sustentação, deixando áreas como bochechas mais “vazias” e favorecendo o acúmulo na parte inferior da face. Esse desequilíbrio contribui para a formação da papada, ou queixo duplo, e para a perda da definição da mandíbula e do perfil.
Para tratar e melhorar a aparência desses incômodos faciais, a resposta costuma estar nos consultórios dermatológicos ou no uso de ativos de skincare. As dermatologistas ressaltam que, para algumas pessoas, os procedimentos estéticos recomendados são muito invasivos ou custosos e, por isso, as alternativas caseiras acabam sendo atrativas.
Riscos são baixos
O principal destaque das especialistas é que esses métodos não têm comprovação científica nem oferecem resultados duradouros. Segundo as médicas, os riscos também são considerados baixos e se concentram principalmente em reações cutâneas, como irritação, dermatite de contato ou alergias, geralmente associadas à cola das fitas ou ao uso prolongado.
— Me parece, também, afetar a qualidade de vida. Não consigo me imaginar ter essas fitas e máscaras colando e apertando meu rosto enquanto durmo. Para quem tem acesso, é mais prático fazer procedimentos estéticos uma ou duas vezes por ano ao invés de ficar todos os dias sofrendo — confessa Rochelle.



