
Algumas mulheres gostam quando a marquinha de biquíni ou de fita aparece nos looks que mostram a parte de cima do corpo. Outras valorizam a pele dourada em um tom contínuo, de um jeito natural. Independentemente da preferência, a busca pelo bronze no verão, tão marcada na cultura brasileira, convive com um alerta que ganha força entre médicos: a exposição à radiação ultravioleta (UV) faz mal. É nesse cenário que o bronzeamento a jato surge como uma alternativa cada vez mais procurada.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), não existe bronzeamento saudável. Tanto tomar banho de sol, quanto utilizar cabines artificiais que emitem radiação UV (proibidas no Brasil desde 2009, mas ainda encontradas), pode causar queimaduras solares, envelhecimento precoce e aumentar o risco de desenvolver câncer da pele. O jet bronze, como é chamado em alguns salões, não entra na lista dos procedimentos não recomendados.
— Os autobronzeadores ou produtos de bronzeamento a jato não têm radiação, que é o que prejudica e danifica o DNA, pode gerar câncer de pele, causar manchas e rugas. É um produto, uma loção que contém uma substância chamada di-hidroxiacetona (DHA). A camada mais superficial da pele, formada por queratina, reage com esse derivado da acetona e fica com a cor marronzinha. É uma reação química — explica a dermatologista Nathália Costaguta Matas Solés.
A substância é um açúcar derivado de fontes vegetais, como beterraba, cana-de-açúcar e glicerol. Segundo a médica, a DHA é considerada segura quando utilizada de forma correta. Nathália reforça que o produto não é indicado para pessoas alérgicas ao composto e para gestantes, que devem evitar loções capazes de provocar reações químicas.
Como funciona o bronzeamento a jato?
O método consiste na pulverização de uma loção tonalizante sobre a pele. Loni Fabricio, que oferece o serviço de bronzeamento a jato em Porto Alegre há mais de 20 anos, explica que o produto é aplicado com a ajuda de uma máquina estilo spray, de forma uniforme, sobre todo o corpo. A técnica cria uma névoa fina que cobre a pele por completo, garantindo um tom homogêneo e ajustado à intensidade desejada.
— É essencial que o serviço seja personalizado. Faço uma avaliação na pele antes, para ver qual o melhor tom de bronze, se é o médio ou o escuro, e converso com a pessoa para entender os objetivos dela. Demora uns quatro minutos para aplicar e 15 minutos para secar. Enquanto seca, explico para a pessoa como cuidar da pele durante esse período para durar mais — relata a profissional.

Alguns produtos, como o utilizado por Loni, contam com ativos hidratantes ou nutritivos, como vitaminas, ácido hialurônico, pantenol e extratos vegetais, para melhorar a sensação na pele e reduzir o ressecamento que pode ocorrer após a aplicação da DHA. A dermatologista Nathália acrescenta que esses componentes podem prolongar o bronze, já que mantêm a pele mais hidratada.
O jet bronze costuma durar de cinco a 10 dias, dependendo do tipo de produto utilizado, da preparação da pele e dos cuidados adotados depois. Na Capital, os valores de uma sessão variam entre R$ 130 e R$ 300, e alguns espaços oferecem descontos para clientes que realizam o procedimento com frequência.
— Pode fazer várias vezes por mês, não tem problema. Claro, como toda substância química, pode um dia a pele reagir e não querer mais contato, gerando uma reação alérgica. Mas se a pessoa não tiver alergia ou não for gestante, não tem contraindicações — garante a médica Nathália.
Como cuidar do jet bronze
- Esfolie a pele em casa no dia anterior ou poucas horas antes do procedimento
- Evite usar hidratantes, óleos, perfumes ou desodorantes no dia do bronze, pois podem criar barreiras na pele
- Use roupas leves, escuras e soltas para não manchar o tecido e evitar atrito
- Aguarde o tempo indicado pelo profissional antes de tomar banho, suar ou entrar em contato com água
- Hidrate diariamente após o primeiro banho, conforme a orientação do profissional, para prolongar a duração do tom
- Evite esfoliação, depilação ou produtos abrasivos enquanto o bronze estiver ativo
- Redobre o cuidado com piscina, mar e banhos muito quentes, que aceleram a perda da intensidade da cor
Preocupação com a saúde pode explicar busca pelo procedimento
Há mais de duas décadas, Loni teve câncer de pele devido à exposição à radiação ultravioleta. O cirurgião que a acompanhava foi direto: nada de banho de sol e, muito menos, de máquinas de bronzeamento. Na época, o jet bronze ainda não era comum na Capital. A empreendedora viajou, fez capacitações, participou de congressos e trouxe para Porto Alegre um produto importado.
— No começo, aplicava só na família e nas amigas. Até para aprender bem, porque, naquela época, não tinha cursos, só os treinamentos com os fornecedores dos produtos. Quando vi, meu estúdio estava cheio. E isso continuou, até hoje tenho bastante procura, principalmente de quem segue a filosofia de cuidar da pele — afirma.
Para a profissional, o bronzeamento a jato nunca deixou a rotina dos porto-alegrenses. Ela observa, porém, um aumento na procura nos últimos anos, tanto pela maior adesão de homens ao procedimento quanto pelo fato de muitas pessoas terem abandonado de vez as opções de bronzeamento consideradas danosas.
— As pessoas estão mais conscientes em relação à saúde, entendem melhor os riscos e querem alternativas — avalia.





