
Na terça-feira (12), Bento Gonçalves, abriu as portas da Fundaparque, para receber um dos eventos mais expressivos relacionados ao mercado de vinho da América Latina. A Wine South America (WSA), que acontece até quinta-feira (14), traz para a capital do vinho mais de 400 marcas expositoras. Entre os mais de 20 países presentes, estão a Alemanha e Nova Zelândia, que estreiam na WSA, enquanto Itália e Portugal praticamente dobram sua participação.
Se tratando da Itália, isso não é uma surpresa, uma vez que o país segue como o maior produtor de vinhos do mundo. Com uma diversidade de terroirs, a nação conhecida pelas regiões repletas de montanhas e colinas, produziu 47,4 milhões de hectolitros de vinho em 2025 – o que equivale a 21,5% da produção mundial. Nesse ano, 32 empresas provenientes de 14 regiões da Itália expõe seus produtos na feira.
— A importante presença de empresas italianas na edição de 2026 da Wine South America, logo após a entrada em vigor do Acordo entre a União Europeia e o Mercosul, em número superior inclusive ao da edição do ano passado, que inaugurei junto ao Governador , confirma, também para o setor vitivinícola, a relevância que o Brasil possui no quadro do Plano de Ação para a exportação italiana nos mercados emergentes — explica o embaixador da Itália no Brasil, Alessandro Cortese.
Bolhas e Brancos da Itália
O país possui praticamente todos os tipos de vinhos, mas no primeiro dia de evento acompanhamos uma masterclass com dez rótulos conduzida pelo professor e consultor de vinhos Marcelo Vargas a respeito dos vinhos brancos. Ali, conhecemos as principais diferenças entre os territórios italianos — Norte, Centro e Sul — e entendemos por que os rótulos do país vivem um momento de renovação.
Muito além da ideia de que vinho branco precisa ser apenas leve e refrescante, a nova geração aposta em acidez vibrante, textura, mineralidade e identidade regional. Em outras palavras, é como se cada taça tentasse traduzir o território de onde veio. Segundo o especialista, é justamente essa diversidade de solos, climas e altitudes que faz da Itália um dos países mais interessantes para quem aprecia a bebida.
— No Norte da Itália, aparecem rótulos mais minerais, elegantes e tensos, geralmente produzidos em regiões montanhosas e de clima mais frio. Já no Centro, os vinhos costumam trazer notas cítricas, ervas e até um leve toque amendoado no final. Enquanto isso, no Sul e nas áreas vulcânicas, surgem brancos mais intensos e salinos, mas que ainda preservam frescor, mesmo em regiões mais quentes — explica o consultor.

Para quem ainda acha que vinho branco funciona apenas como aperitivo, a aula mostrou justamente o contrário. Hoje, muitos desses rótulos são pensados para ir à mesa e acompanhar diferentes pratos, de frutos do mar a massas mais untuosas e queijos leves. É um estilo de vinho cada vez mais gastronômico, versátil e fácil de beber — especialmente para quem está começando a se aventurar nesse universo.




