
Participar como jurado do 3º Concurso de Assado Ovino, durante a 24ª Expoutono, em Uruguaiana, foi uma daquelas experiências que ficam na memória. Não apenas pela gastronomia, mas pelo que o evento representa para a cultura da nossa fronteira.
Quem vive o pampa sabe que o fogo de chão vai muito além da comida. Ele reúne famílias, amigos, histórias e tradições que atravessam gerações. E foi exatamente isso que encontrei durante o concurso: gente apaixonada pelo que faz, defendendo sua forma de assar, sua técnica e principalmente sua identidade.
O evento, que aconteceu entre os dias 18 e 24 de maio, foi promovido pela Casa da Ovelha dentro da programação da Expoutono e reuniu equipes de diferentes lugares da região em torno da culinária ovina, valorizando um dos produtos mais fortes da nossa cultura campeira.
Tive a honra de dividir o corpo de jurados com grandes nomes ligados à gastronomia e ao assado: Dudu Ferreira, Tiago Leite, Welinton Galvani e Matias Garolera. Cada um trouxe seu olhar, sua experiência e sua paixão pelo fogo.
Critério de avaliação
Durante as avaliações, observamos critérios como sabor, preparo, apresentação e autenticidade dos pratos. Mas existe algo que vai além da técnica: a verdade de quem está cozinhando. Isso aparece no cuidado com o fogo, no ponto da carne e até na forma como cada equipe se organiza ao redor da churrasqueira.
Tradição que atravessa gerações
Uma das coisas que mais me marcou nesta edição foi o envolvimento das famílias. Era bonito ver pais, filhos e amigos trabalhando juntos, mantendo viva uma tradição tão importante para a Fronteira Oeste.
Reconhecimento da carne
Também percebi um crescimento muito forte na valorização da carne ovina. As equipes apresentaram preparos cada vez mais cuidadosos, respeitando o ingrediente e mostrando que o assado ovino tem espaço não só na tradição campeira, mas também na gastronomia contemporânea da nossa região.

A grande campeã geral do concurso foi a equipe JAPEJU, que também conquistou o primeiro lugar na categoria Paleta Água e Sal. Já na categoria Corte Livre, o destaque ficou com a Merino Novo Horizonte.
Confira o ranking da premiação
Paleta Água e Sal
1º lugar — JAPEJU
2º lugar — Merino Novo Horizonte
3º lugar — Ideal
Corte Livre
1º lugar — Merino Novo Horizonte
2º lugar — JAPEJU
3º lugar — Ideal
Classificação Geral
Campeã Geral — JAPEJU
Saio dessa experiência com ainda mais certeza de que a gastronomia da fronteira carrega algo muito especial. Aqui, cozinhar nunca é só cozinhar. É contar histórias através do fogo, preservar memória e celebrar o jeito campeiro de viver.
E enquanto existir gente reunida em volta de uma brasa acesa, a cultura do nosso pampa vai seguir viva.




