
Mergulhar na arte moderna e viver momentos de conexão. Essa foi a promessa que levou minha colega Eduarda e eu até a primeira edição do Maderna. Idealizado pela criadora de conteúdo e marketeira Maria Eduarda Zandonai, o evento itinerante propõe aproximar mulheres por meio de conversas informais, práticas manuais e boa gastronomia.
— Foi muito incrível e surpreendente perceber cada passo dado em direção a esse movimento. Pensar nas mulheres se conectando, nesses encontros que foram acontecendo de uma forma muito natural, espontânea e linda, sabe? É realmente muito gratificante essa sensação de que o que estava na minha cabeça está acontecendo — diz.
Quando questionada sobre a relação da gastronomia com o evento, Duda – como é conhecida – explicou que a proposta do Maderna é integrar corpo, mente e alma, unindo conhecimento, criatividade e bem-estar. Segundo ela, comer bem, beber bons rótulos e desfrutar de produtos de qualidade faz parte da experiência tanto quanto a prática artística.
— A ideia, quando eu sonhava sobre isso, sempre foi criar encontros em que as as mulheres pudessem se fortalecer, trocar e aproveitar o que a vida tem de melhor, também à mesa. Afinal, precisamos estar bem alimentadas e fortes para criar — destaca a influenciadora.
O cenário escolhido para a prática foi o restaurante Vila Finamor, na Praça da Alfândega. Com luz intimista, flores espalhadas e um espaço aberto com vista para um dos pontos mais simbólicos do Centro Histórico, a noite foi dedicada a explorar o lado artístico das participantes, tendo como inspiração a trajetória da pintora modernista Anita Malfatti.
A artista, considerada um dos nomes centrais do modernismo brasileiro, serviu como ponto de partida para a experiência criativa da noite. Sua história, marcada por ousadia estética e pela busca por novas formas de expressão após temporadas na Europa, guiou a proposta do encontro, que misturava conversa, pintura e contemplação — tudo conduzido de forma leve, sem perder de vista o principal objetivo do evento: criar conexões em torno da arte, da mesa e do compartilhar.

Primeiras impressões
Nossa primeira impressão já foi positiva. Assim que chegamos fomos recebidas pela anfitriã, que nos acolheu, como quem conduz uma amiga, que visita sua casa pela primeira vez. O caminho nos levou até o bar, que contava com drinques e refrigerantes. Para abrir os trabalhos, escolhemos a soda italiana de Pink Lemonade e Maçã Verde. Entre o vai e vem de mulheres que chegavam no local, fomos apresentadas a nossa mesa com outros quatro lugares já pré-determinados.
A abertura da noite ficou por conta da produtora cultural Kami Rosito, que contextualizou a trajetória de Anita Malfatti e sua importância para a arte moderna brasileira, destacando os episódios marcados pela incompreensão e as críticas duras. Tudo isso nos levou a história da pintora serviu como ponto de partida para a proposta do encontro: experimentar sem medo, testar possibilidades e se permitir criar.
A partir dessa introdução, a artista Ketherine Belli assumiu a condução da prática, convidando o grupo a entrar, de fato, no clima da imersão. O primeiro gesto foi simbólico — e necessário. Todas fomos convidadas a entregar nossos celulares, criando um momento de desconexão das telas e de atenção plena ao que acontecia ali, ao redor da mesa.
Arte e gastronomia se encontram
Com o material distribuído, começamos explorando o giz pastel oleoso, entendendo na prática suas texturas, intensidades e limites. Movimentos leves produziam efeitos delicados, enquanto a força mudava completamente o resultado, revelando que não havia certo ou errado, apenas possibilidades.
Na etapa seguinte, a proposta era trabalhar o abstrato: cores, formas, misturas e camadas surgiam sem regra definida, apenas com o convite de soltar a imaginação. O exercício final foi o mais pessoal. Cada participante deveria fazer um autorretrato livre, que não precisava ser fiel ao espelho — podia ter múltiplos olhos, cores improváveis ou elementos simbólicos, desde que representasse, de alguma forma, quem estava ali.
Alimento que fortalece
Entre um desenho e outro, a experiência também passava pela mesa. O buffet montado no salão reunia antepastos variados, com queijo colonial, gorgonzola, salame italiano, pães crocantes e babaganush, além de saladas com mix de folhas, tomate de búfala e salpicão.
Nos pratos principais, opções como entrecot ao molho de cogumelos com vinho, frango empanado picante, risoto de funghi e penne às natas, marcaram presença e transformaram a experiência em uma refeição completa, daquelas que dão ainda mais sentido às trocas.
Para encerrar, enquanto as conversas se misturavam aos últimos traços no papel, vieram as sobremesas com sabor de lar: pudim cremoso, sagu com creme de baunilha e fondue com frutas da estação. Entre brindes e risadas compartilhadas, a sensação era de que a proposta do Maderna se cumpria ali — menos sobre aprender a pintar e mais sobre explorar o desconhecido.
A próxima edição já está prevista para abril e deve levar o grupo para fora do restaurante. A ideia é realizar uma imersão em cerâmica em um sítio, mantendo o formato que mistura prática manual, aprendizado e boa comida — elemento que, segundo a organização, seguirá sendo parte essencial dos encontros.
Serviço
Endereço: Praça da Alfandega 01,no Centro Histórico, Vila Finamor
Horário de funcionamento: Nas segundas, das 11h às 15h. De terça a sexta, das 11h30 às 15h e das 18h às 22h.
@vilafinamor
Ingressos podem ser adquiridos pelo Instagram da influenciadora @mariaeduardazandonai


