
Entrar na Gelateria Quati, no Bom Fim, é aceitar um convite à curiosidade. Nada ali é óbvio — e isso começa antes mesmo da primeira colherada.
Com uma década de trajetória e mais de 500 sabores já criados, a casa funciona como um pequeno laboratório de gelatos autorais, onde técnica italiana, matéria-prima local e repertório brasileiro se encontram de forma surpreendente. O cardápio é rotativo, com sabores que aparecem e desaparecem, e outros que se tornaram pilares — caso do Bolo de cenoura, do Cheesecake, do Doce de leite e do Frutas vermelhas.
Fui conhecer a Quati ao lado da minha colega do Destemps, a Isadora Ritter, e, desde o balcão, ficou claro: aqui, cada sabor carrega uma história. Os gelatos levam cerca de dois dias para ficarem prontos, são todos sem glúten e há opções sem açúcar e veganas.
A proposta é experimental, inclusiva e afetiva. Aliás, crianças de até seis anos ganham o primeiro gelato como cortesia, porque, como defende o cozinheiro Fernando, a memória do sabor também constrói boas infâncias.
Gelato em Porto Alegre

A Quati se define como genuinamente brasileira: usa técnicas e equipamentos italianos, mas aposta em fornecedores locais, saberes regionais e ingredientes de origem. O leite vem da Fazenda Trevisan, o doce de leite é produzido por uma cooperativa do Sul do Estado, e frutas como butiá, guabiroba e bergamota aparecem com protagonismo.
Há ainda sabores que conversam com a imigração, o território indígena e a botânica local. É o caso do Guaco com mel de abelha sem ferrão, uma das novidades que deve virar taça.
Toda quarta-feira surge um sabor novo, muitas vezes feito em edição única. Há criações que aparecem apenas uma vez no ano, como o gelato celebrativo da captura de Mussolini, e outras que brincam com sensações, caso da Monta-russa: começa refrescante, com pitaya, limão e hortelã, e termina intensa, com geleia de pimenta amarela. A lógica é clara: cada gelato é único, do conceito à execução.
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Do balcão à colher: provar é parte da experiência
No dia da visita, Isadora foi fiel ao seu lado formiga e escolheu dois sabores doces: o famoso Bolo de cenoura — diferente, marcante e com fama de superar o de muita avó, boatos — e o Café branco, que remete diretamente à bebida. Eu segui por caminhos mais leves e refrescantes: o Trópico de Capricórnio, feito com abacaxi, melão e hortelã, fiquei apaixonada — juro —, seguido pelo Frutas vermelhas, que também me conquistou demais.
No balcão, ainda provamos Butiá, Bergamota e o Guaco com mel de abelha sem ferrão, preparado especialmente para nos surpreender — e surpreendeu. E a vontade era de levar uns potes para casa.
Na Quati, o conselho é simples: vá de mente aberta. O cardápio muda, os sabores provocam e é bem provável que, entre uma prova e outra, tu descubra ali o teu novo gelato favorito — sei bem, porque eu saí.
Preços da Quati Gelateria

1 bola (R$ 16)
2 bolas (R$ 24)
3 bolas (R$ 32)
Afogatto (R$ 23)
Para levar (500ml - R$62)
Torta (780ml - R$ 95)
Quati Gelateria Artesanal
Endereço: Rua Garibaldi, 1.333, no bairro Bom Fim, em Porto Alegre.
Horário de funcionamento: de terça à sexta, das 13h30min às 21h. Sábado e domingo, das 11h às 21h.
@quatigelateria

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