
A cultura do bar de tapas, os ingredientes de qualidade, o tempero irresistível e o acolhimento do chef Julio Cefis são alguns dos motivos que fazem qualquer um desejar voltar ao Sardiña Tapas y Vinos assim que cruza a porta.
Na rua Bento Figueiredo, no Bom Fim, a placa vermelha com duas sardinhas anuncia: ali tem gastronomia autêntica e com identidade. Ao passar por lá, entre.
Raízes espanholas
“Ainda não tive o prazer de viajar à Espanha, mas está na lista de desejos.” Essa foi a minha resposta ao chef Julio quando perguntou a mim, à Milene e ao Patrick — colegas do Destemps e companhias da noite — se já visitamos o país que inspira o menu do Sardiña.
Cozinheiro há 22 anos, Julio nasceu na Argentina e viveu em Barcelona, reunindo bagagem técnica, vivência cultural e, sobretudo, um compromisso genuíno em espalhar a cultura do bar de tapas como espaço de encontro, troca e aproximação com o produto. Fala com brilho nos olhos sobre vinhos bem escolhidos, fornecedores próximos e uma experiência que transcende o prato.
Bar de tapas é, em essência, um bar de petiscos com alma espanhola. Ali, tapas não são excesso nem performance. Podem ser uma azeitona, um mexilhão, um pedaço de queijo. Pequenas porções que revelam origem, frescor e intenção. “O ingrediente mais caro é a consciência”, costuma dizer o chef.
A frase se traduz na prática. O menu muda com frequência, acompanha a sazonalidade e o que o mar entrega naquele momento. Por isso, não há cardápio fixo nem reservas. Vai chegar à mesa o que há de melhor na cozinha.

Siga o Destemperados no Instagram e fique por dentro das principais novidades de gastronomia da região.
Frescor, surpresa e honestidade
A bandeira da casa são os frutos do mar, mas o continente também aparece com força. Há opções vegetarianas e veganas, além de queijos, charcutaria, cogumelos e legumes, tudo feito ali, pensado para compartilhar. O cardápio se organiza entre tapas frias e quentes, mas o fio condutor é sempre o mesmo: produto bem tratado e sabor em primeiro plano.
Começamos pedindo algo que quem vai lá precisa provar: as Ostras frescas (R$ 63) — quatro unidades depuradas, servidas com limão, flor de sal e azeite de oliva extra virgem. O sabor marcou meu paladar e elevou a expectativa em relação às ostras in natura. A partir de agora sempre que voltar a comer ostras lembrarei do Sardiña. Frescas de verdade, vindas de Ribeirão da Ilha, limpas, iodadas na medida. Surpreendente.
Entre os antepastos, o Calamares baby en su salsa con panes (R$ 54) rapidamente se tornou unanimidade. Mini lulas cozidas com legumes, envoltas em um molho intenso, acompanhadas de pão. Todos se renderam e amaram.
Contraste que marca
Um dos pratos favoritos da noite foi o Damascos del Quimet (R$ 40), apresentado em quatro colheres com damasco, queijo de cabra, azeitonas e aliche. O aliche, peixe curado em sal e vinagre, tem sabor potente, textura firme e salinidade marcante – funciona quase como um tempero do mar. O contraste entre o doce da fruta, o salgado do peixe e a untuosidade do queijo elevou tudo. Memorável.
Também provamos o Montadito de gravlax de salmón (R$ 52), com base de pão brioche, fatias de salmão curado e creme cítrico. Fresco, equilibrado e sem erro. Já o Montadito de pimentón y aliche (R$ 42) foi, depois das ostras frescas, o prato campeão da noite para mim — e para a Milene também. Base de pão, toque de alho, pimentão assado e aliche. Repito: o salgadinho do peixe é uma coisa fora de sério. Se permita!
No ponto certo
Entre as versões quentes, as Ostras gratinadas (R$ 76) chegaram com quatro unidades ao béchamel, pápricas espanholas, parmesão, gruyère e crocante de jamón espanhol. Foi o prato favorito do Patrick e uma leitura mais reconfortante do ingrediente.
Os Mejillones al vino con crema (R$ 83) impressionaram pela estética e pelo sabor. Mexilhões cozidos no vinho, com cebola, alho e creme fresco, acompanhados de pão. O molho era dos deuses, ou seja, não sobrou nenhum pãozinho.
As Sardiñas fritas (R$ 41) merecem destaque absoluto. Par de sardinhas fritas, azeite temperado e limão: simples, bem executado e deliciosas. Não à toa levam o nome da casa. Peça sem medo de ser feliz.
Vieram ainda os Chipirones al limón (R$ 58), mini lulas fritas com molho cítrico. Leves, intensas e viciantes. E os Mejillones crocantes y salsa picante (R$ 58), mexilhões à milanesa, com limão e um molho picante que aquece sem esconder o sabor do mar.
A Ensaladilla clasica española (R$ 35), com batatas, maionese caseira, azeitonas, grissinis e sardinhas, trouxe uma leitura bem espanhola desse clássico. Diferente ao que estamos acostumados, mas bem saborosa.
Para acompanhar e encerrar
Para beber, escolhemos o espumante de rótulo próprio do Sardiña: leve, fresco, com boa acidez e fácil de degustar, pensado justamente para acompanhar os frutos do mar e o ritmo da casa. Escolha certeira.
Também aparece na carta o Tinto de Verano (R$ 29), clássico espanhol que mistura vinho tinto natural com soda de limão, laranja e vermute. Refrescante, leve, pouco alcoólico e extremamente popular nos bares de tapas, é o tipo de bebida que traduz bem o espírito despretensioso da experiência.
Para encerrar, a sobremesa foi a Torta basca (R$ 31), torta de queijo com raspas de cumaru. Raspamos o prato e isso diz tudo.

Um lugar para voltar
Sabe quando amamos algo e sentimos vontade de compartilhar com quem amamos? Saí de lá com esse compromisso. O Sardiñas se firma como um bar de tapas que amplia repertórios, cria memórias — principalmente entre aqueles que provam ingredientes pela primeira vez — e ajuda Porto Alegre a olhar para o mar com mais atenção e compromisso. Obrigada, chef Julio Cefis, por ter aberto um lugar honesto, acolhedor e autêntico. Vamos voltar.
Sardiñas Tapas y Vinos
Endereço: Rua Bento Figueiredo, 32, no bairro Bom Fim, em Porto Alegre.
Horário de funcionamento: de segunda a sábado, das 18h30min às 23h. Aos sábados, almoço das 12h às 14h.
Sem reservas.
@sardinatapas
Quer receber receitas e dicas gastronômicas em primeira mão? Entre no nosso Canal do WhatsApp, siga e ative as notificações.





