
“A minha mãe é a grande cozinheira do século, e eu aprendi muito do que sei com ela.” Foi por meio da relação materna que Clarissa Brinkmann, chef de cozinha, professora de gastronomia e mãe de duas filhas, encontrou inspiração na gastronomia. Suas primeiras memórias envolvendo a alimentação surgiram ao lado da mãe, que, segundo ela, construiu todo o patrimônio da família a partir do trabalho na cozinha.
— A comida de mãe, para mim, é o que eu ensino hoje às minhas alunas. Para que elas não deixem de fazer pelos filhos. Essa comida representa muito mais do que alimento, representa colo, cuidado, amor, zelo e admiração — diz.
Com mais de 20 anos de experiência, a chef fundou a Mãe Moderna na Cozinha, plataforma com método próprio de ensino que busca auxiliar outras mães a tornar a dinâmica alimentar mais leve. Entre um mise en place e outro, suas aulas envolvem receitas, técnicas que ajudam no preparo dos alimentos desde a base e preparos pré-produzidos para garantir mais agilidade no cotidiano.
Início da trajetória
Foi o jornalista e crítico gastronômico Jay Rayner quem disse que “habilidades são importantes na cozinha, mas apetite e paladar são igualmente vitais”. A frase representa bem a relação da empresária com a culinária. Clarissa revela que a educação formal trouxe aprendizados imprescindíveis envolvendo técnica, proporção e compreensão teórica, fundamentais na sua trajetória profissional.
Em contrapartida, foi ao lado da mãe que aprendeu a arte de cozinhar. Foi ela quem transmitiu saberes ligados à ousadia no uso dos temperos, ao ritual de picar alho, tomate, cebola e pimentão e à importância de acertar o sal da comida.
A mesa sempre foi uma ferramenta gratuita que todas nós, mulheres, temos dentro de casa para unir a família, para manter as pessoas conectadas. Primeiro por razões óbvias, físicas, porque a gente come de frente um para o outro. A gente se vê e enxerga o outro, algo que, hoje, com a vida moderna, tem se perdido muito
CLARISSA BRINCKMANN
Ao se referir sobre o espaço que a gastronomia ocupa para maior conexão familiar.
Tempero de casa
Quando questionada sobre suas comidas favoritas, ela não titubeia: a comida da mãe segue sendo a resposta certa. É ali que ela encontra conforto. Pensando em criar essa mesma sensação em casa, a profissional recorre à sopa de capeletti e ao tradicional bauru nos dias mais caóticos.
— São pratos que têm significado para as minhas filhas e também para o meu marido. Pensando no que não pode faltar para a carne do bauru, por exemplo, eu diria que é aquela cebola bem frita, refogada e queimadinha. Compro uma peça de filé mignon, porciono do jeito que gostamos de comer e depois congelo. Ganho tempo e praticidade — explica.
Hoje, ao unir a experiência adquirida em cozinhas profissionais à vivência da maternidade, Clarissa transformou a própria trajetória em método. Por meio da plataforma Mãe Moderna na Cozinha, busca mostrar que cozinhar não precisa ser sinônimo de sobrecarga, mas pode voltar a ser um espaço de encontro, cuidado e construção de lembranças.
— A cozinha não deveria ser um lugar só de correria e estresse. Quando a gente organiza a cozinha, organiza também a vida e fortalece a conexão da família em volta da mesa — afirma




