Com a consultoria do enólogo argentino Adolfo Lona, referência na produção de espumantes no Brasil, a Vinícola TERRABENTA, no município de Paraíba do Sul (RJ), abrirá suas portas ao público em setembro. Será o primeiro empreendimento baseado na técnica da dupla poda assessorado por Lona, que acompanha tanto o desenvolvimento dos vinhedos quanto a elaboração dos rótulos. A abertura para visitação ocorre durante a segunda safra da propriedade e amplia a oferta de experiências ligadas ao vinho no estado do Rio de Janeiro.

Instalada a cerca de 120 quilômetros da capital fluminense, a vinícola terá uma estrutura de enoturismo com 2 mil metros quadrados, distribuídos por três pavimentos. O espaço receberá degustações e visitas guiadas, aproximando o público do cultivo das uvas e das diferentes etapas da produção. Toda a primeira safra da TERRABENTA será reservada exclusivamente aos visitantes.
União dos gaúchos
Radicado há mais de 50 anos no Rio Grande do Sul, Lona construiu a carreira na elaboração de vinhos e, principalmente, de espumantes, além de prestar consultoria a produtores. Na TERRABENTA, ele supervisiona o projeto em viagens frequentes a Paraíba do Sul. A operação local também conta com a enóloga gaúcha Gabriela Beber, que se mudou para a Região Serrana fluminense em 2024.
A participação de Lona acrescenta ao projeto a experiência de um profissional com trajetória consolidada na vitivinicultura brasileira. Ao mesmo tempo, a implantação de um receptivo voltado ao público ajuda a inserir Paraíba do Sul na formação de uma rota de vinhos fluminense, capaz de atrair visitantes e movimentar setores como hospedagem, gastronomia e comércio.
— Para mim, esta tem sido uma experiência maravilhosa. Aos 54 anos de enologia, tudo aqui representa uma novidade. E, quando você é um profissional que gosta de desafios, não existe nada melhor do que estar em constante aprendizado, trocando ideias e descobrindo tudo o que este novo modelo pode proporcionar — revela Lona.
Nascimento da vinícola
Fundada pelos médicos Marcia Marinho e Renato Manso, a TERRABENTA começou a plantar uvas em 2022. Atualmente, são 20 mil mudas cultivadas em cinco hectares. Syrah e Cabernet Franc são as variedades predominantes, com quase 8 mil plantas somadas, enquanto outras sete castas permanecem em desenvolvimento.
A propriedade utiliza a dupla poda, técnica que modifica o ciclo da videira para transferir a colheita do verão para o inverno, quando há menor incidência de chuvas. A primeira vindima ocorreu em 2025, com Tempranillo, Syrah, Cabernet Franc, Malbec e Marselan.
— A primeira colheita da Terrabenta revelou o potencial vitivinícola desta região. Foi uma grata surpresa, porque, quando decidimos colher, poderíamos ter optado por não fazer isso, já que as videiras ainda eram muito jovens. O resultado foi uma uva que, mesmo sendo de uma primeira safra, apresentou uma qualidade muito boa e isso nos deixou esperançosos para a colheita deste ano. Pensamos que, se a uva já estava boa no primeiro ano, no segundo seria ainda melhor, porque o vinhedo estaria mais maduro. E foi exatamente o que aconteceu — avalia Beber.

Os vinhos são elaborados na própria fazenda desde a primeira colheita. A estrutura tem capacidade para alcançar 100 mil litros e inclui prensa pneumática, maceradores rotativos, barricas de carvalho francês com capacidade conjunta para 7 mil litros e foudres que comportam até 9 mil litros.
A vinícola ocupa parte de uma propriedade de 65 hectares, onde também foram plantadas mais de 49 mil mudas de espécies nativas da Mata Atlântica. O trabalho de reflorestamento é realizado paralelamente à expansão dos vinhedos e à implantação da estrutura turística.
Com a segunda colheita concluída em julho passado e a abertura prevista para setembro, a TERRABENTA passa a reunir vinhedos, produção própria e recepção de visitantes no mesmo endereço. A combinação contribui para colocar o município de Paraíba do Sul no mapa dos vinhos de inverno e acrescenta um novo destino ao enoturismo fluminense.


