Um romance lido há anos acabou batizando o restaurante que hoje ocupa um imóvel na Rua Dezenove de Fevereiro, em Botafogo, no Rio de Janeiro. No livro do escritor australiano D.B.C. Pierre, um chef realiza o sonho de abrir o próprio restaurante e o chama de Nimbus, nome de um tipo de nuvem. A ficção acompanhou o chef inglês Jimmy McLennan durante boa parte da carreira e, em dezembro de 2025, ganhou um paralelo na vida real, quando ele e a sommelière Ruth de Assis inauguraram o Nimbus, a primeira casa idealizada integralmente pelo casal após quase uma década vivendo na Austrália. O Destemperados foi conhecer a novidade.
A abertura do restaurante marcou o retorno dos dois ao Brasil. Jimmy vendeu sua participação em três restaurantes de Melbourne para investir no novo projeto ao lado de Ruth, que também construiu sua trajetória profissional na cidade australiana. O resultado é um restaurante de apenas 30 lugares, dedicado a um único menu degustação de nove etapas, renovado aproximadamente a cada três meses de acordo com a sazonalidade dos ingredientes.
— Jimmy já tinha outros três restaurantes na Austrália com alguns sócios e amigos, mas nunca tivemos um projeto que fosse realmente nosso. Como já queríamos retornar ao Brasil depois de tantos anos vivendo fora, viemos com o propósito de abrir o Nimbus. Ele vendeu sua participação nos restaurantes da Austrália e embarcamos nesse sonho juntos — afirma Ruth de Assis.
Início da trama

A história do casal começou há cerca de dez anos, em Melbourne, considerada uma das principais capitais gastronômicas da Austrália. Jimmy já acumulava experiência em cozinhas do Reino Unido quando se mudou para o país. Ruth, por sua vez, chegou à Austrália pouco depois e encontrou na hospitalidade e no universo dos vinhos uma nova profissão. Trabalhando em restaurantes multiculturais da cidade, os dois passaram a dividir a rotina entre salão e cozinha até decidirem desenvolver um projeto próprio.
A trajetória de McLennan reúne passagens por restaurantes como Aurora (1901 Andaz), em Londres, além do Choice Bar and Restaurant, Juniper, Ithaca Restaurant e Harvey Nichols Second Floor Restaurant, em Manchester. Em Melbourne, integrou as equipes do The Point, Taxi Dining Room (atual Taxi Kitchen), Bomba Bar and Rooftop e Nómada Food and Wine, além do premiado Daughter In Law, que possui unidades também em Melbourne, Adelaide e Byron Bay. Em 2019, tornou-se sócio de três restaurantes na cidade australiana antes de vender sua participação para retornar ao Brasil.
Essa bagagem internacional se traduz em uma cozinha contemporânea que reúne técnicas francesas e referências asiáticas, espanholas e indianas. Segundo o chef, porém, a identidade do Nimbus começa pelos ingredientes brasileiros.
Nossa comida não é tímida. Gostamos de construir camadas de sabor e explorar diferentes texturas. Uma simples cenoura passa por diversos processos até chegar ao prato final
EXPLICA O CHEF INGLÊS JIMMY MCLENNAN
Para isso, a cozinha trabalha prioritariamente com fornecedores locais. Os pescados chegam da costa do Rio de Janeiro e são aproveitados integralmente, como no consommé preparado a partir das aparas do próprio peixe. As hortaliças e os vegetais são fornecidos por produtores como Orgânicos da Fátima e Food Garden BR, enquanto o palmito vem do Sítio Uçá e o mel é produzido pela Meldoyá. A proposta é acompanhar a sazonalidade dos ingredientes, o que influencia diretamente as mudanças periódicas do menu.

O percurso gastronômico é dividido em nove momentos. A experiência começa com Aconchegue-se, sequência de pequenas preparações que apresenta a identidade da casa, incluindo pão artesanal com manteiga de cebola, ostra com limão e tomilho, couro de tomate com crème fraîche, folha de peixinho com ponzu, palmito com limão-taiti e macaron de beterraba, goiaba e parfait de fígado de frango.
Na sequência, entram em cena as etapas Antes do Fogo, com atum servido ao lado de aipo, maçã e chuchu, e Da Terra, que transforma a cenoura em protagonista ao combiná-la com iogurte de ovelha, samburá e jus. O menu segue com Dos Rios e Costas, dedicada aos pescados da costa fluminense, e Das Pastagens e Planícies, centrada na costela bovina acompanhada de folha de mostarda e nabo.
As sobremesas também fazem parte da narrativa proposta pelo chef. Primeiro surge Doce, que combina coco, mostarda Dijon e seriguela. Depois, Mais Doce reúne namelaka, avelã, café bianco e canela. A despedida acontece na etapa Antes de Ir, com madeleine, pâte de fruit, cachaça de jambu e um último macaron.
O menu degustação completo custa R$ 600 por pessoa. A harmonização elaborada por Ruth de Assis, composta por vinhos de diferentes nacionalidades selecionados para acompanhar cada prato, sai por R$ 420. Há também uma versão reduzida, com quatro etapas, por R$ 350 por pessoa, cuja harmonização custa R$ 230.
As reservas devem ser feitas antecipadamente para que a cozinha organize a produção conforme o número de clientes, adapte o serviço a eventuais restrições alimentares e reduza o desperdício de ingredientes.
Serviço
Endereço: Rua Dezenove de Fevereiro, 153 no bairro Botafogo no Rio de Janeiro
Horário de funcionamento: De terça a sábado, a partir das 19h.
@nimbus.restaurante

