
Existe um imaginário que atravessa muita gente: abandonar a correria da cidade para viver no interior, cultivar a própria horta, fazer pão em casa, produzir queijos, geleias e cozinhar a partir do que a natureza oferece. Enquanto esse plano não sai do papel, há lugares que permitem experimentar um pouco dessa atmosfera. Um deles é o Narbona, restaurante uruguaio recém-inaugurado em Porto Alegre.

A casa nasce da história de Catalina e Eduardo "Pacha" Cantón, responsáveis por transformar a Fazenda Carmelo, no Uruguai, em referência na produção artesanal de alimentos e vinhos. Mais do que abrir um restaurante, a proposta é transportar parte desse universo para a capital gaúcha.
O conceito aparece em praticamente todos os detalhes do cardápio. Muitos dos ingredientes são produzidos pela própria fazenda: queijos, manteiga, doce de leite, geleias, mel, massas e até o setor da vitivinícola fazem parte de uma cadeia que privilegia processos artesanais e uma produção conectada ao campo. O resultado é uma cozinha que valoriza a simplicidade dos ingredientes e deixa que eles falem por si.
Na nossa visita, começamos pelas entradas — e foi difícil pensar em seguir para os pratos principais. O carpaccio de filé mignon (R$69), servido com azeite de oliva, limão, rúcula e lascas de parmesão, conquistou praticamente toda a mesa. As lâminas finíssimas da carne chegam extremamente frescas, equilibrando acidez e untuosidade em uma combinação delicada.
A burrata (R$ 89) também merece destaque. Servida com presunto cru, tomate confitado, rúcula e finalizada com azeite extravirgem, ela acompanha a focaccia tostada e entrega exatamente aquilo que se espera de uma boa burrata: cremosidade, leveza e um convite para que nenhum pedaço de pão fique sem passar pelo prato.
Mas, calma. Era apenas o começo.
Entre as sugestões da casa, o entrecot uruguaio (R$ 249) confirmou a fama da carne produzida no país vizinho. Preparado no ponto malpassado, chegou à mesa extremamente macio, suculento e com sabor intenso, mostrando por que os cortes uruguaios são protagonistas da experiência. O salmão (R$ 129) (que era o peixe fresco do dia) também surpreendeu. Servido com legumes, a iguaria apresentava um delicado toque defumado, mantendo a textura úmida e quase desmanchando a cada garfada.

Para encerrar, vieram duas sobremesas que dialogam diretamente com a identidade da casa. A tradicional torta vasca (R$ 36), de interior cremoso e exterior caramelizado, dividiu espaço com uma panqueca recheada de doce de leite artesanal (R$ 39) produzido pela Fazenda Carmelo — uma despedida à altura de um almoço que, sinceramente, poderia durar mais algumas horas.
O Narbona talvez não faça ninguém largar a cidade para viver no campo. Mas consegue algo igualmente interessante: transportar, por algumas horas, a sensação de uma mesa abastecida por ingredientes produzidos com tempo, cuidado e respeito aos processos. E, quando a conta chega, a única certeza é a vontade de voltar para descobrir o restante do cardápio.
Serviço
Endereço: Av. Carlos Gomes, 707 — Bourbon Carlos Gomes — Bela Vista
Horário de funcionamento: De segunda a domingo, das 10h às 22h.
*Almoço executivo servido de segunda a quinta, das 12h às 15h, exceto em feriados.
@narbona.br





