
Quando se fala em cozinha contemporânea, é comum pensar na valorização de ingredientes regionais, na criatividade e na fusão entre técnicas tradicionais e modernas. Mais do que seguir uma escola específica, esse estilo de cozinha é tão famoso por reunir referências de diferentes culturas e permitir que os chefs explorem insumos, métodos de preparo e combinações pouco convencionais para criar pratos autorais.
Em um momento em que o setor de alimentação fora de casa segue em crescimento no Brasil — impulsionado pela busca dos consumidores por experiências cada vez mais marcantes à mesa —, menus que apostam nessa mistura de influências vêm conquistando espaço nos restaurantes brasileiros.
É justamente essa proposta que aparece no Zoma Bar. Antes mesmo de provar o primeiro prato, quem chega até o local entende que a experiência começa já na calçada com mesas expostas e pessoas conversando com uma cerveja na mão. No ambiente interno, contudo, a história é outra. A luz baixa, o clima intimista e a trilha sonora que transita entre o hip hop, o R&B e o indie pop criam o cenário ideal tanto para um encontro a dois quanto para uma noite descontraída entre amigos
Na cozinha, o ritmo não é tão diferente. O menu desenvolvido pelo chef Fabrizio Scorza traz a mistura de suas experiências pelo Brasil, Europa, Austrália e Uruguai. A essa veia criativa soma-se a precisão técnica do chef Vitor Azevedo — que traz a bagagem de suas passagens pelo Asiana e Tanga —, resultando em reinterpretações contemporâneas certeiras.
Do gochujang ao tartare de matambrito
Depois de uma terça-feira cheia de trabalho, tudo o que precisávamos era exatamente o que encontramos na casa: drinques autorais que nos tiravam risadinhas (graças aos nomes batizados) e uma cozinha asiática contemporânea capaz de transformar o jantar em um programa que faz qualquer dia de semana parecer com uma sexta-feira à noite.
Entre tudo o que passou pela mesa, alguns pratos simplesmente não podem ficar de fora do pedido. O Gochujang Karaage (R$ 55), por exemplo, talvez tenha sido o meu favorito da noite. O frango chega absurdamente crocante, envolvido por um molho coreano agridoce que entrega a picância na medida certa — daquelas que fazem você querer imediatamente o próximo pedaço.
Outro acerto absoluto foi a bruschetta de matambrito (R$ 57). Matambrito já é uma escolha certeira na churrasqueira, mas confesso que nunca tinha experimentado a carne transformada em um ragu servido sobre torradas crocantes e finalizado com vinagrete quente. Funciona muito melhor do que eu imaginava e se tornou um dos meus favoritos.
O tartare (R$ 65) também merece destaque. Servido sobre crispy de arroz japonês e finalizado com aioli de sriracha, reúne textura, frescor e intensidade em poucas mordidas. Já o Korean BBQ (R$ 42), um espetinho de carne grelhada com molho asiático, é daqueles pedidos aparentemente simples que acabam surpreendendo. Pedimos um espetinho para cada e não podíamos ter saído de lá sem provar.
Carta autoral de drinques

A carta de drinques segue a mesma personalidade da cozinha. Os nomes brincam com pequenos "erros" — ou desvios de rota — e demonstram, mais uma vez, o quanto a equipe é capaz de ousar. O Desvio Claro (R$ 43), servido primeiro (e que mais tarde eu descobriria se tornaria o meu xodó) é desenvolvido com cachaça, licor de baru, cordial de caju com gengibre e limão-tahiti. Tem todo o jeito de que vai se tornar um dos protagonistas dos pedidos.
Já o Quase Inocente (R$ 43), preparado com whisky, Averna, Aperol, cordial de goiaba com pimenta e limão-tahiti, entrega um dulçor mais evidente. Se eu pudesse dar uma dica, seria: prove um gole logo depois de um prato mais apimentado. A goiaba com pimenta aparece de um jeito completamente diferente e muda toda a experiência.
Abram espaço para o bao

Sim, ainda tem mais. Para fechar a noite, chegaram à mesa duas opções perfeitas para dividir. O bao de camarão (R$ 66), cozido no vapor e recheado com camarão empanado, picles de vegetais, maionese de raiz-forte e molho oriental. Ele entrega exatamente o conforto que se espera de um bom bao, já que o pão macio, recheio crocante e sabores equilibrados.
O Katsu Toastburger (R$ 62) também chamou atenção. A apresentação lembra um sanduíche japonês (sando), mas reúne blend de carne, cheddar e crispy de cebola em uma combinação que consegue ser divertida e extremamente saborosa.
Veredito final
Talvez o maior mérito do Zoma seja justamente esse: fazer com que uma terça-feira comum termine parecendo uma pequena viagem. Da rua movimentada do Moinhos de Vento até a última mordida do bao, tudo ali convida a tirar um momento para apreciar uma boa conversa e se divertir. A comida e os drinques surpreendem, além de o ambiente fazer você se perder no tempo.
Serviço
Endereço: Rua Barão de Santo Angelo, 497, no Moinho Vento
Horário de funcionamento: De terça a quinta, das 17h30 às 00h30. Na
sexta e sabádo, das 17h30 à 1h.
@zoma.poa



