
Há quase duas décadas, um pedaço do Rio de Janeiro vive em Porto Alegre. Idealizado por Joice Gama, o Porto Carioca ocupa a calçada da Rua da República e está entre os bares mais boêmios da Cidade Baixa. Ao lado de outros locais famosos, quem vê de longe as mesinhas e as luzes que iluminam a rua, talvez não imagine a história construída ali ao longo dos anos.
Natural da Baixada Fluminense, Joy — como prefere ser chamada — chegou ao Rio Grande do Sul há 20 anos sem imaginar que criaria um espaço tão coletivo. O bar carrega um pouco de cada pessoa que passou por ali: os vizinhos que frequentam, as amizades que nasceram e a própria família da fundadora, que ajudou a construir o negócio.
— Desde que abrimos, as pessoas foram trazendo coisas. Eu fui aceitando. Um cliente me deu um quadro, outro trouxe uma coroa de orixá. Fui misturando a minha história com a história de quem vive o bar — relembra.

Além da irmã, que foi responsável por fazer os desenhos estampados nas paredes do restaurante, a proprietária contou com a ajuda de outros familiares. A mãe, Tânia, que passou a ajudar na rotina do bar resolveu aprofundar seus conhecimentos na cozinha. Segundo a fundadora, mesmo frequentando até a quarta série da escola, a matriarca fez tinha como desejo se formar em Gastronomia.
— Por ter estudado até a quarta série ela precisou fazer uma prova, comprovando que sabia ler e escrever para então conseguir fazer o curso na área. Ela me ajudou muito no dia a dia e saiu das aulas amando a cozinha. Depois disso, eu resolvi fazer a mesma formação e a partir disso virou mais uma chave na minha cabeça — explica.
Nas aulas, a empresária descobriu a importância de manter o padrão nas receitas, além de aprender sobre os custos que envolvem gerir um restaurante. Todas as lições refletiram no cardápio servido. Ao lado de uma colaboradora, que hoje já não faz mais parte do time, ela desenvolveu o petisco Roda de Samba – o clássico bolinho de feijão da casa (R$ 46). Se for pedir, lembre de informar se você deseja adicionar bacon ou calabresa às oito unidades. Junto com a caipirinha de cachaça, a comida vira música para os ouvidos de qualquer bon vivant que passa pelo reduto carioca.
E, falando em caipirinha (seja ela com vodka ou cachaça), vale mencionar que a casa conta com uma versão de amora (R$ 24). O drinque surpreende pelo equilíbrio entre dulçor e álcool — especialmente para quem já conhece as versões de maracujá, morango ou limão.

Para encerrar a noite não podíamos sair de lá sem provar o Moleque Mimado (R$ 68): batata frita com carne de panela e muçarela. A carne desmancha e a batata chega crocante e sequinha (exatamente como deve ser). No inverno, vale ir provar o creme de abóbora com bacon e o caldinho de feijão.
Serviço
Endereço: Rua da República, 188, no bairro Cidade Baixa
Horário de Funcionamento: De terça a quinta, das 17h às 00h. Nas sextas e sábados, das 17h às 2h. E aos domingos, das 17h às 00h
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