
Na última terça-feira de março (31), tive novamente a sensação “de primeira vez”. Quem trabalha com gastronomia, por sorte, já está acostumado com esse sentimento – mas eu, felizmente, ainda me surpreendo. A primeira vez provando um novo ingrediente, descobrindo um restaurante recém-inaugurado, conhecendo uma referência na cozinha, compartilhando um prato com um desconhecido ou explorando rótulos com os quais, até então, tinha pouca familiaridade.
Naquele dia, em especial, foi a vez de participar, pela primeira vez, de uma visita guiada em um lugar que é praticamente um cartão-postal da Capital. E não parou por aí: também estava ali a oportunidade de provar uma linguiça artesanal de camarão e jundiá. Foram muitas primeiras vezes em poucas horas. O que parecia apenas um convite descomplicado para sair da rotina, aos poucos revelou uma experiência com camadas mais profundas.
Arte em uma noite intimista
Com vagas limitadas a 30 pessoas, a experiência batizada de “Uma Noite no Iberê” propõe um encontro intimista para apreciar a arquitetura do museu, as obras expostas e desfrutar de um menu desenvolvido em três tempos pelo chef Matheus Monteiro, enquanto a cada edição uma vinícola boutique é convidada para conduzir a harmonização dos pratos.
Antes do jantar, o grupo percorre a Fundação Iberê Camargo em uma visita guiada pelas exposições. À noite, o espaço ganha ainda mais força: a iluminação valoriza as curvas do prédio e transforma o passeio em uma experiência sensorial.
Após a visita, uma apresentação de música ao vivo marca a transição para o jantar. Já acomodados no Café Iberê, a expectativa cresce à medida que a experiência gastronômica começa a se desenhar.
Menu em três tempos
No primeiro ato, uma linguiça artesanal de camarão e jundiá chega a mesa. Servida com molho de moqueca, grãos orgânicos e ervilha-torta crioula, posso afirmar que esse foi meu prato favorito seja por seu caráter inusitado, mas também por seu sabor. O encontro delicado entre mar e terra foi servido com uma taça de vinho branco Alvarinho Barricado (R$ 209), da vinícola Altos Paraíso Vinhedos.
Segundo tempo
Um bacalhau com pimentões apareceu em seguida. Lentamente assado em azeite gaúcho, o prato traz uma musseline de castanha portuguesa com cumaru e vinagrete de butiá. Esse, em questão, trouxe leveza e suavidade ao paladar, além de maior profundidade para o segundo ato. Sua harmonização foi feita com o rótulo que veio direto de Camaquã, o Porteira Touriga Nacional (R$ 285).
Terceiro ato
Para encerrar, o toucinho do céu com caqui, bergamota e maracujá surge como uma sobremesa leve e luminosa, finalizada com crocante de ambrosia e gengibre. O Espumante Cayetana Brut Rosé (R$ 98) equilibra a doçura com acidez moderada e prolonga a experiência.
A apresentação convida à interação: em formato que remete a um jogo da velha, o prato propõe uma experiência lúdica e sensorial, reforçando o caráter autoral da noite.
A próxima edição de “Uma Noite no Iberê” está prevista para a última terça-feira de abril (28). As reservas podem ser feitas via WhatsApp ou Instagram do Café Iberê.
Data: terça-feira, 28 de abril
Local: Av. Padre Cacique, 2000, no bairro Cristal
Horário: 19h
Reservas podem ser feitas pelo WhatsApp: (51) 9 9902-5574 ou pelo Instagram no @cafeibere




