Com a chegada das temperaturas mais frias, a gastronomia também muda. É a época em que pensamos mais em sopas e cremes como opção para o jantar. Nesse climinha, em busca de conforto, aproveito para deixar o caldo fervendo com legumes enquanto finalizo o trabalho.
Eu sou da teoria de que, quanto mais a sopa ferve, melhor ela fica. Aliado a isso, preparar o brodo é um ritual dos dias frios, e tê-lo pronto quando chegamos em casa, depois de um dia encarangado, é literalmente receber um abraço. A cada colherada quentinha, o corpo vai relaxando e se espichando graças ao conforto que sopas e cremes proporcionam. E o vinho acompanha tudo isso, ajudando até a voltarmos à postura, sem ficarmos encolhidos de frio.
Sou uma grande fã, é importante dizer, mas tenho meus motivos. Acredito que as sopas e cremes são saborosos e, geralmente, não têm tanta gordura. Normalmente, contam apenas com a gordura natural da carne ou do frango utilizados no preparo do brodo e, às vezes, recebem um fio de azeite na finalização para incrementar o sabor. Por isso, quando pensamos em harmonização, não se trata de uma combinação muito complexa.
Separamos cinco sopas e cremes tradicionais que costumamos preparar em casa, acompanhados de sugestões de vinhos para tornar a noite fria e o caldo quente ainda mais especiais.
Sopa de capeletti
Um clássico da Serra Gaúcha, preparado com caldo de frango ou carne e massa recheada em formato de chapéu. No recheio, além da carne, costumam aparecer queijo, tempero-verde e noz-moscada.
Aqui gosto de harmonizar regionalmente. Um bom vinho Bordô ou Isabel alegra qualquer mesa. Outra excelente sugestão é um Merlot sem passagem por madeira, que também acompanha muito bem o prato.
Sopa de legumes com frango
Também conhecida como sopão, a comida leva ingredientes como cabotiá, cenoura, chuchu, batata, vagem, couve e outras variações. O caldo pode começar com uma galinha caipira, que acrescenta ainda mais sabor. Na hora de servir, basta desfiar o frango sobre a sopa, finalizar com tempero-verde e acompanhar com um pedaço de pão quentinho. Os problemas acabam ali.
Na taça, tanto um vinho branco quanto um tinto funcionam bem. Se optar pelo branco, apenas evite servi-lo muito gelado para que o contraste com a temperatura da sopa não fique agressivo ao paladar.
Creme de ervilha
Enquanto a ervilha seca cozinha com cebola e louro, prepare o acompanhamento: bacon bem dourado, croûtons e um fio de azeite na finalização. Aqui já temos um prato com mais gordura, tanto pelo bacon quanto pelo azeite.
Por isso, podemos escolher um vinho um pouco mais estruturado. A untuosidade do prato pede uma dose maior de taninos para equilibrar a combinação. Vale apostar em uma variedade naturalmente mais tânica, mas sem necessidade de passagem por madeira. Uma boa opção é um vinho fermentado em tanque de concreto.
Creme de moranga com camarões salteados
Essa versão lembra um pouco os sabores da culinária tailandesa, com brotos de feijão e camarões salteados levemente apimentados. Provei recentemente esse prato no Press Bar Restaurante como uma opção para o inverno e achei uma delícia. Aqueceu o corpo e entregou muito sabor. Para acompanhar, escolhi o vinho branco servido em taça pela casa: um Verdejo espanhol, com aromas frutados na mesma intensidade dos sabores do prato, corpo médio e teor alcoólico suficiente para equilibrar a leve picância.
Caldo Verde
O clássico português leva batata, chouriço e couve cortada bem fininha. A batata traz cremosidade, enquanto o chouriço entrega defumação e gordura. A couve finaliza o prato com frescor e um toque de crocância.
Aqui já podemos pensar em um vinho tinto de corpo médio, com boa acidez para equilibrar a gordura do chouriço. Para entrar de vez no clima português, vale apostar também em um vinho do país, como um Vinho Verde tinto produzido no norte de Portugal.




