As temperaturas baixas e os dias cinzentos costumam aumentar o nosso apetite e, principalmente, a vontade de comer algo especial. Não que o almoço não tenha sido saboroso, nutritivo e delicioso, mas basta o frio chegar para despertar aquele desejo por um doce no meio da tarde. E o bom chocolate resolve tudo! Prático e fácil de encontrar, ele não requer preparo. Para as noites frias, e final de jantar, a festa está feita quando as barras aparecem à mesa. Além de saborosos, eles viram assunto: origem, percentual de cacau, se são bean-to-bar, notas aromáticas, crocância ou ingredientes adicionados. Hoje, o universo do chocolate é riquíssimo em histórias, origem, técnica e, claro, sabor.
E se juntássemos chocolate e vinho? Se acrescentarmos um sofá confortável e um bom filme, temos o programa perfeito para um fim de semana chuvoso. E falando de harmonização, temos que desmembrar os componentes do chocolate para combinar com o vinho.
Anatomia do chocolate

Os ingredientes do chocolate são basicamente, cacau (que pode ser na forma de liquor), manteiga de cacau, açúcar e, em alguns casos, leite, além de ingredientes como frutas secas, castanhas e crocantes, que enriquecem o sabor.
No vinho, os protagonistas dessa harmonização são a acidez e os taninos. A acidez estimula a salivação e equilibra alimentos mais gordurosos, enquanto os taninos interagem com a untuosidade dos alimentos, criando sensação de equilíbrio quando bem combinados. Com essas diretrizes, já temos um bom ponto de partida para a harmonização. Chocolates mais cremosos, que começam a derreter apenas com o calor das mãos, indicam maior teor de gordura. Nesse caso, vale buscar vinhos com boa acidez para equilibrar a cremosidade — rótulos produzidos em regiões mais frias costumam ser ótimas opções.
Já os chocolates mais firmes, que apresentam aquele "snap" característico ao quebrar a barra, normalmente possuem menor teor de gordura e harmonizam bem com vinhos de acidez moderada. Se o chocolate for muito escuro e, ao colocá-lo na boca, provocar sensação de secura, é sinal de que também apresenta uma carga tânica elevada. Nesses casos, a combinação com tintos muito encorpados e com passagem por madeira pode intensificar essa percepção. Mas harmonização também é uma questão de gosto. Se você faz parte do time que adora um chocolate 90% (cacau) acompanhado de um tinto potente, siga o baile: está tudo certo.
Depois de observarmos a gordura e o "snap" do chocolate, entramos em outro aspecto importante: os ingredientes que o acompanham. Frutas, castanhas e especiarias podem ser harmonizadas por semelhança com os aromas presentes no vinho. Um chocolate branco com framboesa, por exemplo, fica perfeito ao lado de uma taça de vinho rosé.
Agora é só escolher a combinação que mais combina com você e aproveitar um fim de semana de frio, série, cobertas e boas taças de vinho.



