A vida do pequeno produtor não é fácil. Há a competição por preços, estabelecimentos que exigem brindes ou bonificações para incluir os rótulos na carta de vinhos e o custo mais elevado na compra de insumos, como garrafas, rolhas e rótulos, já que as negociações acontecem em menor escala. Esses são apenas alguns dos desafios enfrentados pelas vinícolas familiares.
Foi nesse cenário que nasceu o VinhOrigem. Durante as enchentes de maio de 2024, quando os pequenos produtores enfrentavam dificuldades para manter as vendas e os turistas não conseguiam chegar até as propriedades, a iniciativa surgiu para unir forças, divulgar os vinhos e fortalecer a presença das vinícolas familiares no ambiente digital.
— Foi uma forma de mostrar nossos produtos, levar o vinho para a internet e atrair novos consumidores. Nós também fortalecemos uma rede de apoio entre as vinícolas, indicando umas às outras e ampliando nossa rede de clientes por meio da cooperação — destaca Allana.
De acordo com a profissional, as vinícolas participantes trabalham com vinhos produzidos em pequenos lotes, além de espumantes e sucos de uva. Muitas também investem no enoturismo: algumas recebem visitantes diariamente, enquanto outras funcionam mediante agendamento.
Para Greyce, mais do que produzir vinhos exclusivos, o grande desafio continua sendo atrair o consumidor até as propriedades.
— Nossa maior dificuldade é fazer as pessoas chegarem até nós, conhecerem nossa história e vivenciarem essa experiência — destaca.
Como a produção é limitada, a principal forma de adquirir os rótulos ainda é diretamente com as vinícolas, seja durante uma visita ou por meio do contato direto. Alguns rótulos também podem ser encontrados em lojas especializadas, mas raramente chegam às grandes redes de varejo.
— O escoamento da produção ainda é uma dificuldade para as vinícolas familiares. Questões como logística, recursos e o baixo volume de produção fazem com que muitas redes não consigam trabalhar com esses vinhos — completa Allana.
Para quem pretende visitar a Serra Gaúcha ou prefere fazer as compras pela internet, reunimos os contatos e algumas sugestões das vinícolas participantes.
Della Mastela
A simpática Allana recebe os visitantes contando a história da família por meio dos próprios rótulos. O nome da vinícola faz referência à mastela, utensílio semelhante a uma bacia utilizado antigamente durante a pisa das uvas nas cantinas italianas. A tradição familiar aparece em cada garrafa, sempre valorizando a produção própria e a identidade da propriedade.
Casa Zottis
Eles se definem como "um paraíso em meio aos vinhedos" — e não é exagero. É daqueles lugares em que as horas passam sem que você perceba. Durante a safra, os visitantes ainda podem colher e comprar uvas diretamente no vinhedo, tornando a experiência ainda mais especial. Entre os destaques da produção está o vinho elaborado com a variedade Bibiana, uma uva que vem ganhando espaço entre produtores e apreciadores.
Vinícola Buffon
A tradição italiana da família Buffon aparece tanto no cultivo das videiras quanto na elaboração dos vinhos e espumantes produzidos com uvas próprias. O destaque fica para a linha Mérica Mérica, que valoriza variedades italianas como Barbera, Teroldego, Rebo e Glera, reforçando a herança trazida pelos imigrantes ao Rio Grande do Sul.
Vinícola VistaMontes
O professor Anderson De Césaro resolveu apostar onde poucos ousaram: cultivar Malbec com vista para um vale cercado por montanhas, inspiração para o nome VistaMontes. A ousadia continua na vinícola, que produz um elegante espumante rosé de Malbec e foi uma das pioneiras na utilização de ovos de concreto para a elaboração de alguns rótulos. Parte dos vinhos também passa por barricas de 500 litros, que trazem delicadeza e elegância. Sou fã do Profe — e olha que já me formei, nem preciso mais de nota.
