
É inegável que a comida narra histórias. E é bem provável que é ela quem inicia as nossas trajetórias: dos utensílios usados ao cheiro dos ingredientes no fogo, até a fumacinha do prato saindo do forno, são memórias construídas já na infância, ao assistir o balé das cozinhas de casa da ponta do sofá ou sob a barra de um avental.
Muitas vezes, é das mãos das mães que saem aquelas receitas que criam tradições familiares e ultrapassam gerações, mesmo que adaptadas. É isso que o projeto Tempero de Mãe começa a mostrar no próximo domingo, Dia das Mães: o poder de uma receita criar raízes, mas também ganhar asas.
MADRE TERRA

Em plena área verde de Flores da Cunha, um cenário de filme abre as portas para a produção da websérie. Na Vinícola Madre Terra, sob o olhar criativo da primeira doutora gastrônoma do país — também enóloga, sommelière e chef de cozinha —, Tainá Bacellar Zaneti transforma a vinícola no lugar onde ela, seu companheiro, seus filhos e seus pais, Izabel e Hermes Zaneti, fazem do vinho um legado de família com muito tempero de mãe.
O nome não é à toa. Formada em gastronomia pelo Instituto de Educação Superior de Brasília, mestre em agronegócios pela Universidade de Brasília, doutora em desenvolvimento rural pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e pós-doutora pela Universidade Nacional da Malásia, Tainá reflete sua alma criativa e os anos de estudo em experiências, agendas e eventos autênticos e conectados ao meio ambiente pela vinícola.
E é ela quem também assina as harmonizações: cada receita da temporada ganha a companhia de um rótulo da Madre Terra, escolhido para dialogar com os sabores de cada episódio.
AS HISTÓRIAS
Para a produção das receitas, a Madre Terra recebeu Lela Zaniol, sócia-fundadora do Destemperados, cozinheira e anfitriã da série, para, junto de outros personagens, contar histórias memoráveis que envolvem a comida materna.
Cada episódio tem um rosto, uma receita e uma memória. Tainá Bacellar, a própria anfitriã da Madre Terra, abre a série trazendo sua perspectiva sobre a moqueca feita pela avó e pela mãe, com toque tailandês. O francês Alexandre François Holuigue chega com o croûte aux cèpes — uma brusqueta cremosa com cogumelos Porcini — e com a lembrança vívida de caçar cogumelos na floresta com a família quando criança. A venezuelana Maureen Chacin traz as mandocas, biscoitos feitos com banana da terra e farinha de milho que carregam na massa a memória de casa e o sabor de uma infância em outro país. Natália Magagnin apresenta uma receita bem regional e aprendido com a avó: nhoque de batata-doce com molho de salame. Andréia Kaupe Ruviaro faz o frango empanado ao molho de gorgonzola, um prato do dia a dia que ela prepara sempre que os filhos estão por perto. Por fim, Lela Zaniol fecha a temporada com o gratinado de frango, receita que a tia e a mãe faziam nos encontros em família.
Durante o preparo, os convidados trazem não só o passo a passo, mas também a importância das mães para esses momentos: os ensinamentos na cozinha, o cuidado de entregar uma pequena marmita na volta da escola, a caça aos cogumelos em plena floresta, a comida como cura e como renascimento, entre outros pontos que só a maternidade pode explicar.
NO DIA DAS MÃES
A websérie estreia neste domingo, Dia das Mães, pelo Instagram do Destemperados, com apoio de Madre Terra, Brinox, Marcopolo e Sabor de France, e novos episódios irão ao ar nos dias 17, 20, 24, 27 e 31 de maio. São seis episódios ao todo, cada um com um personagem diferente e um preparo que carrega, junto dos ingredientes, uma história de afeto.
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