“É um poderoso restaurador. Deixem qualquer um que tenha trabalhado demais em vez de dormir, qualquer um que se sinta temporariamente fraco das ideias, qualquer um que sinta o ar sufocante, o tempo custando a passar e a atmosfera impossível de suportar, deixem qualquer um que esteja atormentado por uma obsessão que o impeça de pensar com clareza, deixem que todos eles se tratem com meio litro de chocolate... e verão acontecer um milagre.”
As palavras da referência gastronômica Brillat-Savarin resumem bem sua relação com a iguaria. Foi ele que também elevou o ato de comer à categoria de arte e ciência, imortalizando a frase: "Dize-me o que comes e te direi quem és”. Segundo o jurista e gastrônomo francês, as pessoas que consomem chocolate gozariam de uma saúde mais constante e estariam menos sujeitas a uma série de pequenos males. Além dele, as lendas maias e astecas também faziam menção às sementes de cacau. Para eles, os grãos haviam sido enviados do paraíso para conceder sabedoria e poder a quem os consumisse.
Entre saberes ancestrais e descobertas científicas, o chocolate também conquistou um espaço definitivo na cultura pop. Está presente em filmes, séries, livros de receitas, romances e canções. Confira algumas obras que ajudam a entender por que ele se tornou um dos ingredientes mais universais da gastronomia.
The Bear (2ª temporada, episódio 4)

Série da Disney+ que aborda temáticas relacionadas à gastronomia, luto, relações familiares complexas e saúde mental. No quarto episódio da segunda temporada, o confeiteiro Marcus (interpretado por Lionel Boyce) viaja até Copenhague, na Dinamarca, para aperfeiçoar suas habilidades com as sobremesas.
Sob a orientação do chef Luca (interpretado por Will Poulter), o profissional passa a entender que a precisão e a técnica na cozinha estão menos associadas ao domínio das receitas e mais à abertura para o mundo, à curiosidade e às experiências que moldam seu olhar como confeiteiro.
Matilda

Produzido e dirigido pelo ator Danny DeVito, o filme acompanha Matilda, uma menina com poderes de telecinesia que cresce se sentindo deslocada e incompreendida pelos pais e pelo irmão. Apaixonada por livros, ela encontra na relação com a professora um porto seguro em meio à sensação de inadequação dentro da própria família, interpretada por Danny DeVito e Rhea Perlman.
A escola serve de cenário para que a jovem descubra seus poderes e aprenda a enfrentar os desafios do cotidiano. É ali que acontece uma das cenas mais marcantes do longa: Bruce Bogtrotter é obrigado a devorar um gigantesco bolo de chocolate diante de toda a escola.
Mais do que um clássico do cinema dos anos 1990, a sequência ultrapassou as telas e entrou para a cultura pop. A imagem do bolo escuro, extremamente úmido e coberto por uma generosa camada de calda tornou-se sinônimo da sobremesa perfeita. Não por acaso, confeitarias no Brasil e em diversos países passaram a chamar de "Bolo Matilda" qualquer receita de chocolate que aposta no exagero, na intensidade e na indulgência.
Confeitaria escalafobética

O livro Confeitaria escalafobética, da brasileira Raiza Costa, reúne receitas que passeiam entre clássicos da confeitaria e criações autorais, sempre explicadas de maneira leve, bem-humorada e didática. Com forte influência das técnicas francesas, a autora transforma preparos sofisticados em receitas acessíveis, oferecendo passo a passo detalhado, dicas práticas e explicações que desmistificam a confeitaria.
Entre as receitas à base de chocolate estão clássicos como a torta Sacher e o fondant de chocolate, que evidenciam o respeito da confeiteira pelo ingrediente.



