
O Chile é o quarto maior exportador de vinhos mundialmente, e o Brasil figura entre os principais mercados consumidores. O país sul-americano é tratado como prioridade pela Wines of Chile, entidade responsável pela promoção do setor e pela manutenção do consumidor brasileiro, cujo paladar está amplamente adaptado aos rótulos chilenos.
A estreita faixa territorial, com mais de 4.200 quilômetros de extensão, funciona como um isolamento natural e uma proteção contra pragas. Ao norte, está o Deserto do Atacama; ao sul, as geleiras patagônicas; a leste, a cadeia montanhosa da Cordilheira dos Andes; e, a oeste, o Oceano Pacífico. Os quatro limites contribuem para a formação de barreiras naturais, e consequentemente para a diversidade de microclimas e terroir favoráveis ao cultivo de uvas e à produção de vinhos.
Um provérbio chileno diz que Deus reuniu montanhas, deserto, geleiras, vulcões, praias e fiordes em uma longa e estreita faixa de terra na América do Sul. A frase, de caráter lúdico e cultural, ajuda a ilustrar a percepção dos próprios chilenos sobre o território.
JIMENES CHIMELI
Professora do curso de Sommelier do Senac-RS.
Nesse contexto, destaca-se a Carmenére. A variedade emblemática do Chile, embora de origem francesa, era cultivada no país como Merlot, até que, em 1994, um estudo de ampelografia - ramo da botânica dedicado às videiras - identificou que o clone amplamente plantado era, na verdade, Carménère.
A variedade havia sido considerada extinta na França após a crise da filoxera, praga que devastou vinhedos europeus a partir de 1863. No país latino-americano, entretanto, a cepa foi preservada graças ao isolamento natural.
Atualmente, o tipo está sendo cultivado principalmente em regiões quentes. Em área plantada, a uva ocupa a posição de destaque, em termos de produção, por representar cerca de 9% das uvas tintas, atrás da Merlot (12%) e da Cabernet Sauvignon, que lidera com aproximadamente 35%. Entre as brancas, sobressaem Sauvignon Blanc, Chardonnay e Moscatel de Alexandria.
Destaque mundial
O Chile também se projeta entre os grandes ícones do vinho mundial. Na safra de 2021, o Don Melchor, da Concha y Toro, foi eleito o melhor vinho do ano pela revista norte-americana Wine Spectator. Assim como ele, outros nomes de prestígio como Alma Viva, Vik, Lapostolle Apalta apareceram na lista.
Em contrapartida, a ampla oferta de vinhos chilenos em supermercados e redes varejistas pode gerar confusão entre consumidores menos familiarizados com classificações e faixas de qualidade, uma vez que a diversidade de preços e estilos exige atenção na escolha, evitando generalizações sobre o país produtor.
Diante desse cenário, a Wines of Chile quer fomentar ações para o posicionamento dos vinhos premium, promovendo iniciativas de imagem, sustentabilidade e valorização do produto chileno nos mercados nacional e internacional. A complexidade do setor não está apenas em entender os diversos terroirs, mas sim em equilibrar as percepções de mercado, tanto o mercado interno quanto externo, sobre a qualidade dos produtos chilenos.
E não acaba por aqui. Ainda tem muita coisa para falar do Chile, como o Vigno (Viticultores de Carignan), que planeja a denominação de origem para uvas Carignan, de vinhedos velhos e da região do Vale do Maule; o movimento dos vinhateiros independentes denominado Movi, que está realizando ações que reforçam a personalidade e a identidade regional dos vinhos, conforme destaca a professora Jimenes Chimeli.
Separei alguns ícones para que você possa apreciar em casa e outros rótulos que podem ser uma novidade.




