Rafael Dias Machado, o Rafa Dias, é uma estrela em ascensão no mundo do entretenimento e da internet. Ele é fundador e CEO da DiaTV, canal de streaming e YouTube nascido do Dia Estúdio.
Catarinense, criou a empresa ainda jovem, ao lado da amiga de infância Andressa Mafra. Hoje, a DiaTV é referência de conteúdo produzido e consumido pela população LGBT+, com programas que somam milhões de espectadores por mês e cerca de seis horas de conteúdo inédito por dia.
Nesta semana, Dias foi o convidado do RivoTalks, programa de entrevistas de GZH e RivoNews.
O destaque da conversa foi a recente polêmica que atingiu a empresa, depois de uma entrevista com o deputado Kim Kataguiri, do partido Missão e um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL). O programa gerou uma onda de críticas da própria comunidade que acompanha a DiaTV e resultou na retirada do vídeo do ar.
— Fui cancelado por querer escutar todo mundo — disse Rafa, mencionando que chegou a receber ameaças de morte.
O episódio, segundo ele, reabriu uma ferida antiga relacionada ao bullying e à rejeição sofridos na infância. Mesmo assim, defende que a entrevista foi um erro e explica por que o canal decidiu retirar o conteúdo do ar:
— Estamos falando sobre a comunidade trans, que tem vários direitos conquistados e tem pessoas querendo que (esses direitos) voltem atrás. Isso não vai acontecer, e acho que a gente não deve dar espaço para isso. Acho que esse é o equívoco dessa situação.
A entrevista também abordou a postura da DiaTV em relação à publicidade de apostas online. Segundo o CEO, a empresa recebeu uma proposta de R$ 50 milhões para anunciar bets no canal, recusada mesmo em meio a dificuldades financeiras.
Rafa Dias comparou a situação com a de emissoras tradicionais, que aceitam esse tipo de publicidade:
— A sensação que eu tenho é que estou correndo descalço no asfalto e eles estão com gasolina aditivada. É muito injusto o dinheiro — afirmou.
Questionado sobre sua trajetória, o entrevistado voltou à infância em Florianópolis, quando a mãe, telefonista de um banco, usou o dinheiro da própria rescisão para bancar um curso de audiovisual no Canadá, na época em que ele acreditava que não passaria em um vestibular tradicional em razão da dislexia.

A conversa também abordou o momento em que decidiu assumir publicamente a sexualidade. Hoje, Dias entende ser motivo de orgulho e de empoderamento para o público da DiaTV:
— Acho que hoje é o nosso brilho também, saber que quem está tomando a decisão dessa televisão é um homem gay que sonhou literalmente em ter uma televisão.
