Nascida em Goiânia, Carolina Ferraz começou no Royal Ballet antes de estrear como atriz na TV Manchete, ganhando projeção nacional com a novela Pantanal. Depois disso, se firmou como uma das principais atrizes da TV Globo, com trabalhos como Por Amor e O Astro. Também construiu carreira como apresentadora de culinária, autora de livros de receitas best-sellers e empresária à frente da marca de louças Simples. Nesta semana, ela foi a convidada do RivoTalks, programa de entrevistas de GZH e Rivonews.
Na conversa, Carolina falou sobre a morte do pai, assassinado quando ela tinha 14 anos, a perda do irmão em seus braços, a síndrome do impostor que a acompanhou no início da carreira, a maternidade vivida em dois momentos tão distintos da vida, o etarismo que sofre nas redes sociais e sua visão sobre amizade, dignidade e envelhecimento.
O assassinato do pai, quando ela tinha 14 anos, é sua primeira grande ruptura de sua vida. Enquanto os irmãos mais velhos assumiram responsabilidades e a mãe ficou paralisada de dor, foi ela quem teve espaço para viver o luto abertamente:
— Ficou tudo. Porque eu fui a única da família que pôde me descabelar, chorar, gritar, dizer o quão infeliz eu era, porque tinham arrancado meu pai de mim — afirma, emocionada.
Anos depois, viveria uma perda ainda mais próxima ao acompanhar o irmão, episódio que hoje encara com gratidão, por ter tido a chance de estar tão perto dele naquele momento.
A carreira também foi marcada, no início, pela síndrome do impostor: mesmo tendo vencido prêmios de melhor atriz ainda jovem, Carolina só se sentiu parte do meio artístico anos depois, já em novelas de Manoel Carlos. Essa relação com o reconhecimento a levou a separar dois conceitos que costumam se confundir:
— Eu acho a fama a coisa mais pernóstica, sacana, boba, chatonilda que existe, porque a fama não te traz nada. A gente não trabalha pra ser famoso, a gente trabalha pra ter prestígio — diz.
Carolina também comentou os bastidores de Por Amor e a relação com Eduardo Moscovis:
— Foi muito forte tudo aquilo. Era um beijo e a uma gargalhada. Mesmo a gente não tendo nada, porque era a energia dos outros que vinha. A gente estava ali numa boa, a gente era amigos, estava trabalhando só, sabe?

Hoje aos 58 anos, ela também enfrenta o etarismo nas redes sociais, tema que ganhou força depois que um vídeo seu recebendo comentários sobre a idade viralizou. Ao repassar quase 40 anos de vida pública, Carolina diz não se arrepender de nada do que fez e credita essa tranquilidade ao que aprendeu com a mãe.


