
A resposta tende a ser "sim". Dá para dizer que Ana Paula Renault já entrou no Big Brother Brasil 26 como vencedora no instante em que cruzou, pela segunda vez, a porta da casa mais vigiada do país. Era inevitável: seu nome rapidamente virou pauta em todas as panelinhas do programa.
Afinal, sua primeira passagem no programa, em 2016, já havia sido marcante, e a expulsão fazia parecer improvável um retorno triunfal. Ainda assim, a dona do icônico “Olha ela” voltou — e pela porta da frente.
Mais do que a curiosidade (e fofoca) dos participantes, havia também uma expectativa geral sobre como seria essa nova passagem no BBB. Como já foi dito por outra participante polêmica do reality – a "descancelada" Karol Conká – Ana Paula surgiu como "uma nova mulher". Talvez mais preciso seja dizer que ela voltou mais madura — porque sua essência confrontadora, conhecida há uma década, ainda estava lá.
Justamente por isso, alguns jogadores enxergaram nela uma oportunidade: acreditavam que seria fácil entendê-la, confrontá-la e até eliminá-la, principalmente pelo seu histórico dentro e fora do programa.
Aline Campos foi a primeira a tentar esse caminho, já no segundo dia de confinamento, ao relembrar uma crítica antiga feita por Ana Paula sobre um look usado pela atriz há exatos 10 anos. Mesmo após um pedido de desculpas da mineira, esse conflito não se encerrou — e seguiu sendo requentado pela própria Aline até mesmo depois da sua eliminação.
A partir daí, a tensão em torno de Ana Paula só cresceu. As críticas vieram de vários lados, muitas vezes pelas costas. Ela foi alvo por não se enturmar com veteranos como Sarah, Jonas, Cowboy e Sol Vega. Teve amizades questionadas por Matheus e ainda viu seus posicionamentos políticos e religiosos virarem pauta, especialmente nas falas de Pedro.
A convivência na casa também entrou na mira de Solange Couto e Jordana. Com o tempo, nem os aliados seguraram: Babu, Chaiany e Maxiane se afastaram, incomodados com o temperamento da sister.
No entanto, em meio ao caos, Ana Paula Renault encontrou em Milena um ponto de apoio para enfrentar os inúmeros conflitos ao longo desses cem dias de confinamento. Ao lado da pipoca, a veterana construiu uma parceria à altura dentro do jogo e na convivência, podendo revelar suas fragilidades – um lado que raramente vinha à tona dentro do jogo.
Porém, nem Milena foi poupada dos embates com a jornalista, que não media palavras em seus puxões de orelha, conselhos e discordâncias. Ainda assim, a pipoca não recuava e batia de frente com Ana Paula, o que acabou fortalecendo o respeito entre as duas e consolidando ainda mais a amizade dentro da casa, além do favoritismo de ambas fora do jogo.
O mesmo não se pode dizer de seus adversários, que mantinham Ana Paula no centro de quase todas as narrativas. Ao serem confrontados por ela – com muita ironia e objetividade –, não sustentavam os próprios argumentos. As investidas perdiam força, e os desafetos logo deixavam o jogo, frequentemente surpresos com o tamanho da torcida da sister.
Golpe do destino
Como se os cem dias de confinamento já não tivessem sido difíceis o suficiente, Ana Paula enfrentou o golpe mais duro de todos, justamente aquele que mais temia durante o programa: a morte de seu pai, Gerardo Henrique Machado Renault, aos 96 anos, no último domingo (19).
Às vésperas da final, ela perdeu a pessoa mais importante da sua vida, conforme relatou durante esse período, alguém que foi também a razão de sua força dentro do reality. Atendendo ao desejo dele, Ana Paula decidiu tentar mais uma vez a participação no reality que a projetou, e é por ele que decidiu seguir firme na disputa, mesmo em meio ao luto.
Felizmente, neste momento tão delicado e, claramente, complicado, ela conta com o apoio essencial de quem foi sua maior aliança e apoio desde então: a dupla Milena e Juliano. Que, mesmo em meio ao caos, nunca largaram da mão da sister.
O preço de ser autêntica
O BBB já não é mais um jogo apenas de força, estratégia ou campanhas nas redes sociais. Cada vez mais, fica claro que o ponto central — e que muitos participantes parecem esquecer — é a convivência.
Nesse aspecto, Ana Paula se destacou: soube se relacionar com todos, inclusive com seus adversários declarados. Enfrentava quando precisava, respondia às provocações e nunca escondeu o que pensava. Mas, em nenhum momento, perdeu de vista que estava lidando com pessoas.
Não é novidade que a tentativa de perseguir e transformar alguém em vilão, para se colocar como herói ou vítima, costuma sair pela culatra. Quem apostou nessa estratégia contra Ana Paula encontrou uma participante centrada sem medo de cancelamentos aqui fora. O que ela sempre soube tirar de letra desde a sua participação no BBB 16.
Enquanto muitos entraram no reality cheios de estratégias, estudos e até roteiros prontos, Ana Paula seguiu outro caminho: o de provocar, movimentar e, sobretudo, ser ela mesma. Sem se preocupar em agradar a todos, a mineira assumiu o risco de ser odiada — mas talvez nem ela esperasse que essa postura a faria até ser amada fora da casa.
No fim, a trajetória dela reforça uma ideia simples: que ser honesta consigo mesma e autêntica, mesmo que isso signifique desagradar, brigar e discordar, é maior do que qualquer prêmio de R$ 5 milhões.
A grande final
A final do BBB 26 vai ao ar a partir das 22h25min de terça-feira (21), na RBS TV, logo após a novela Três Graças. Veja aqui como votar nas dinâmicas da final do programa.

