O coração de Porto Alegre voltou a receber o Festival Fronteiras nesta sexta-feira (15). Depois da primeira edição no ano passado, o evento retornou consolidado para a Praça da Matriz e seu entorno entregando, apenas em seu dia inicial, mais de 10 horas de programação — incluindo um aumento de atividades gratuitas.
Colocando o foco no tema Cultura e Autenticidade: entre a ilusão e o risco contemporâneo, o festival reúne mais de 50 pensadores — nacionais e internacionais — para participarem de painéis, entrevistas e, também, sessões de autógrafos. No total, foram 10 palcos funcionando simultaneamente.
E teve gente que não quis perder nenhum momento — e, inclusive, se viu em um grande dilema sobre qual palestra escolher. É o caso do professor Allan Marques, 22 anos, de Porto Alegre. Chegou cedo no festival, logo na abertura, e tentou aproveitar ao máximo os encontros propostos.
— Estou achando muito legal, tem muita coisa. E uma das palestras que eu vi, a da Eliana Alves Cruz, ela disse: "Eu sou uma construção". Fala muito sobre ancestralidade e como deixamos isso de lado por causa da tecnologia. Então, quando ela fala de autenticidade, fala também desse reconhecimento ancestral. A tecnologia, então, pode ser um empecilho, mas, também, uma ferramenta — refletiu Marques.
Se alguns se planejaram para estar no evento, outros simplesmente "tropeçaram" nele. Jô Machado, 44, chef de cozinha gaúcho residente em São Paulo, veio passar as férias na Capital com o marido Renato Salles, 46, arquiteto. Na programação da dupla estava passear com o amigo Jeremias Brauers, 41, vitrinista.
Em uma caminhada pelo Centro Histórico, foram atraídos pela música e pela movimentação do festival. Decidiram sentar, pedir uma garrafa de vinho e ficar curtindo o sol que fazia nesta sexta — no começo da tarde, a temperatura estava em 18ºC. Ou seja, clima agradável para um evento ao ar livre.
— Estou me sentindo fora do Brasil. É uma ideia meio Europa. O gostinho do frio, o vinho e, principalmente, a ocupação da rua. Tornar o espaço público efetivamente público, com as pessoas se sentindo seguras e confortáveis. Parece uma extensão da minha casa, gozando de bons momentos — contou Machado.
Encontros de perto
As sessões de autógrafos foram grandes atrativos neste primeiro dia de Festival Fronteiras. Realizados no estande da Livraria da Travessa, as atividades reuniram os pensadores com os seus fãs, que puderam levar os seus livros favoritos para receberem dedicatórias e, também, fazer uma selfie.
Nascida em Belo Horizonte, em Minas Gerais, a analista de marketing Emanuelle Dias, 38, mora em Porto Alegre há dois anos e estava muito empolgada por ter conseguido um autógrafo da historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz em seu livro Brasil: Uma Biografia (2015).
— Esse é um evento de referência para a cidade e traz grandes personalidades, pesquisadores e especialistas importantes. Virou um lugar de troca, de conversa. E isso é um privilégio poder estar perto do autor, ter essa recepção. E isso fomenta a troca do pesquisador com a audiência. Isso acaba revelando para os dois lados o que cada um está pensando — avaliou Emanuelle.
Mergulho na história
O festival foi organizado para que, entre as palestras, entrevistas e painéis, sempre houvesse uma hora para descanso, trocas de ideias e atividades paralelas — entre elas, visitas guiadas por espaços importantes do entorno da Praça da Matriz. Um deles é o casarão que abriga a escola de filosofia Nova Acrópole.
O imóvel tem uma história peculiar: cada um de seus três andares foi construído em um século diferente, sendo a primeira parte feita há 230 anos. Então, além das diversas peças artísticas que existem na parte interna, a externa também oferece uma grande aula de arquitetura.
O tour que misturou arte, história e vinho — sim, o passeio ainda contava com essa harmonização — atraiu diversos curiosos, como a estudante de turismo Mariane Silva de Carvalho, 50, que é vizinha da escola, mas não fazia ideia de quão rica culturalmente é aquele pedaço de Porto Alegre.
— Nunca tinha prestado atenção neste local. O que é a falta de informação, né? O que me trouxe aqui hoje foi ter uma reflexão interessante sobre cultura, convivência e a troca de experiência. E o ambiente é inspirador, acolhedor, além de ter me proporcionado uma aula sobre a obra mais famosa de Michelangelo, que é aquela da Capela Sistina. Achei fantástico — disse Mariane, depois do passeio, já se preparando para ir em casa e retornar para fazer uma segunda visita guiada no local e viver tudo de novo.
O Festival Fronteiras continua neste sábado (16), a partir das 9h. Mais informações, programação e ingressos podem ser obtidos no site do evento.
O Festival Fronteiras tem apresentação do Governo do Estado do RS; patrocínio master Banrisul Mastercard, Corsan, Rio Grande Seguros e Icatu Seguros. Patrocínio acadêmico Unisinos. Patrocínio de Unimed, Sulgás, Crown, PWC, Sebrae, Caixa e Governo do Brasil. Apoio institucional Assembleia Legislativa do RS, Ministério Público do RS e Tribunal de Justiça do RS. A realização é do Grupo DC Set e a promoção é do Grupo RBS.
