Com uma agradável temperatura girando em torno dos 18ºC, perfeita para atividades ao ar livre, o sábado (16) marcou o encerramento da segunda edição do Festival Fronteiras. O evento, que ocorreu na Praça da Matriz, no Centro Histórico, reuniu cerca de 20 mil pessoas em seus três dias — contando com o "aquece" que ocorreu na quinta-feira (14), com show de Zeca Baleiro.
Com uma programação que contou com mais de 50 pensadores, distribuídos em 10 palcos — sendo seis deles com acesso gratuito —, o evento debateu o tema Cultura e Autenticidade: entre a ilusão e o risco contemporâneo. E para os organizadores, o festival está maior e caminha para se consolidar no calendário cultural da Capital.
— O projeto cresceu, mas de maneira sustentável e responsável, até porque temos um ambiente histórico a ser preservado, que são os espaços culturais do entorno da Praça da Matriz. E isso com muita programação gratuita, mais da metade, com uma diversidade muito grande de pensadores e de apresentações musicais shows importantes — define o curador do festival, Fernando Schüler.
E essa programação sortida levou para o Festival Fronteiras diversos públicos, desde aqueles que queriam ouvir os pensadores até os que estavam pelo evento para aproveitar o espaço público com os amigos, enquanto tomavam um bom vinho — e ouviam reflexões sobre a autenticidade na contemporaneidade.
O tema do encontro deste ano, por sinal, na visão de Schüler, foi bem trabalhado pelos pensadores convidados — quatro deles, inclusive, internacionais —, todos abertos ao diálogo e à troca de experiências.
— Achei incrível o fato de que praticamente todos os convidados tentaram uma resposta sobre como ser autêntico ou pensaram sobre esse assunto. É evidente que não tem uma solução clara. A autenticidade plena é impossível, porque tornaria a vida social impossível. Você precisa de uma diplomacia, de uma contenção, entender o outro e do espaço do diálogo — refletiu o curador do evento.
Para a violinista Marjana Rutkowski, 64 anos, de Porto Alegre, todas as palestras que conferiu ao longo do evento aprofundaram a questão da autenticidade, mas ainda foram além:
— Se tu fores pensar, foi falado aqui de autenticidade e de estranhamento. Ser autêntico causa estranhamento. Até que ponto esse estranhamento não vai alterar a ti mesmo? Então, o processo de autenticidade se perde. E, assim, o evento está maravilhoso. Participar é como entrar em uma câmara de oxigênio e respirar ar puro.
Caco e Ramil
O encerramento do festival foi em grande estilo. A última conversa da noite no palco Arena foi com o jornalista Caco Barcellos, que contou as suas experiências para o colega de profissão Daniel Feix e para uma plateia gigante — que ocupou todos os assentos e se espalhou para fora da estrutura, atenta ao que o gaúcho tinha para dizer. Dificilmente alguém não saiu inspirado.
É o caso de Maicon Prado, 31, analista de políticas públicas de Canoas. Além de celebrar que um evento do porte do Festival Fronteiras, que estimula a cultura e convivência, ocupe e movimente o espaço público da cidade, sentiu-se feliz por poder prestigiar as falas de Caco Barcellos.
— O Caco é um cara com conexão com gente. E, hoje, poderia estar talvez fazendo outras coisas dentro do campo do jornalismo no país ou fora, mas ele se guia por sua vocação. E a mensagem que ele deixa é essa: a de seguir os sonhos e as vontades, porque ele continua sendo um repórter de muita qualidade e fazendo comunicação na rua, em conexão direta com as pessoas — define Prado.
E assim que Barcellos e Feix finalizaram a conversa no palco Arena, construído na Rua General Câmara, o público se voltou para a Praça da Matriz, sob o monumento a Júlio de Castilhos, onde Vitor Ramil fez o encerramento do evento, cantando acompanhado pelo maestro Tiago Flores e orquestra. O músico iniciou a sua apresentação com Não é Céu, o público começou a cantar junto e não abandonou mais o coro.
Em conversa com a reportagem, Ramil falou sobre a experiência de estar fechando esta série de encontros movidos pelo diálogo:
— Estou muito feliz pela cidade, me sentindo muito em casa e super identificado. Isso é bom. Bom para os artistas, bom para quem vem participar, é bom para o público, é bom para a cidade. Enfim, uma maravilha. E nunca tinha tocado na Praça da Matriz. Achei o lugar incrível.
O Festival Fronteiras tem apresentação do Governo do Estado do RS; patrocínio master Banrisul Mastercard, Corsan, Rio Grande Seguros e Icatu Seguros. Patrocínio acadêmico Unisinos. Patrocínio de Unimed, Sulgás, Crown, PWC, Sebrae, Caixa e Governo do Brasil. Apoio institucional Assembleia Legislativa do RS, Ministério Público do RS e Tribunal de Justiça do RS. A realização é do Grupo DC Set e a promoção é do Grupo RBS.

