Quem passa pela Rua Capitão Cruz, na região central de Montenegro, no Vale do Caí, depara-se com um cenário típico, com comércios variados, imóveis residenciais e trânsito de veículos fluindo. Tudo dentro da normalidade – até chegar à altura do número 2.226, onde algo chama a atenção. Trata-se de uma escultura de guitarra com nada menos que sete metros de altura.
A réplica foi instalada em frente à loja Arte Som – Instrumentos Musicais, especializada no segmento e que, em 2025, completou 30 anos de história. Segundo o proprietário, Ademir Fachini, 55 anos, o negócio vive um momento de franco crescimento, principalmente no setor online. Por isso, a loja precisou se mudar para um prédio novo e maior, com quase 700m², para dar conta da demanda. Para a grande reabertura, encomendou a guitarra.
— Um cliente meu me indicou. O Ademir chegou na minha empresa e disse: "tenho uma demanda diferente, e tem que ser tu para executar". A gente fica contente de escutar isso. Ele falou: "Preciso fazer uma guitarra". Eu falei: "Beleza, a gente faz". Só que ele completou: "Ela tem sete metros de altura" (risos) — relembra o serralheiro e proprietário da empresa montenegrina La Tène Artefactos, Felipe Fritch, 30 anos.
Desafiado pelo projeto, o profissional – que reluta em se creditar como artista – pediu um modelo de referência. A escolhida foi uma guitarra elétrica da marca Strinberg, modelo Les Paul, com cerca de um metro de comprimento. Para criar uma versão ampliada, foi preciso calcular cada cantinho e multiplicar as medidas por sete. A partir de uma base com as dimensões exatas, a estrutura começou a ser montada com grandes placas e uma robusta armação interligando todas as partes.
— Ela é feita totalmente de metal. Nenhum outro material. Por isso, a guitarra pesa entre 400 e 500 quilos. Tivemos um prazo de quatro meses para fazê-la, mas como a minha empresa tem muita demanda, só conseguimos pegar o projeto faltando 10 dias para entregar. E, mesmo assim, fizemos. Ela ficou pronta horas antes da inauguração da loja, mas ficou. Não tínhamos margem para erros. E, por isso, mesmo virando algumas noites, não erramos — diz Felipe.
A nova loja foi inaugurada em 12 de novembro do ano passado. O evento estava marcado para as 9h, e o caminhão com o dispositivo munck – um guincho – estacionou em frente ao prédio às 1h30min da madrugada. A peça foi finalizada sobre o veículo e, já no primeiro dia, o instrumento musical gigante se transformou em uma atração à parte.
Celebrando o sucesso
Hoje, a Arte Som, de acordo com Ademir, tem a sua maior demanda vinda pela internet – 90% das vendas são feitas online e enviadas para todo o Brasil. Mesmo assim, a loja física é o seu grande xodó e, por isso, ele não abre mão de manter um espaço para estar perto dos clientes e se envolver mais intensamente com a música. Escolheu fazer a guitarra para ser um símbolo, uma referência local e deixar bem entendido que o estabelecimento seguirá existindo também fora do ambiente digital.
— Era um sonho meio distante construir a guitarra. Em 1995, quando comecei, nem me permitia imaginar fazer um troço desses, todo personalizado. Era muita grana. Mas, nos últimos anos, com o crescimento da loja, essa vontade começou a se tornar mais possível. Coloquei ela para chamar atenção, para ser a cereja do bolo dessa nova fase da Arte Som — destaca Ademir.
Logo após a reabertura do negócio, a guitarra ficou famosa entre empreendedores e chegou a ser reconhecida durante uma missão empresarial ao continente africano, segundo o proprietário da loja.
— As pessoas me olhavam e perguntavam: "Tu não é o cara da guitarra?". Para ver o sucesso que ela fez. A guitarra e o violão são os instrumentos que melhor representam a música, eles são a essência — conta o bem-humorado empresário. — Virou um ponto turístico de Montenegro. As pessoas param na frente, tiram fotos, entram na loja para elogiar o nível de detalhamento. É uma alegria muito grande.
O total do investimento na peça foi de R$ 57 mil. A finalização foi feita com pintura eletrostática em epóxi, para a qual Felipe deu 10 anos de garantia, tamanha a confiança no próprio trabalho. Ele, que tem foco em acabamentos em imóveis de estilo industrial, hoje já se imagina entregando outros projetos como este da Arte Som.
— Não foi o trabalho mais difícil que já fiz, mas, certamente, foi o que mais me orgulhou. A minha equipe se dedicou muito. Trabalhamos entre seis pessoas. É um mix de sentimentos ver ela na frente da loja do Ademir, pois, agora, sabemos que podemos fazer coisas legais assim — finaliza Felipe.


